O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul entrou em sua fase mais delicada e decisiva. Reunidos a portas fechadas em Bruxelas, os chefes de Estado do bloco europeu deram sinal verde para a aprovação provisória do tratado, segundo fontes ouvidas pela imprensa. O movimento indica que um dos maiores acordos comerciais do mundo pode finalmente sair do papel.
Aval provisório reúne maioria qualificada no bloco europeu
De acordo com informações confirmadas à CNN por fontes que acompanham as negociações, uma maioria qualificada dos países da União Europeia aprovou provisoriamente o acordo. Esse apoio representa mais de 55% dos Estados-membros, que juntos concentram mais de 65% da população do bloco — critério exigido para decisões dessa magnitude.
Agora, os países têm até as 13h (horário de Brasília) para ratificar formalmente suas posições por meio de um procedimento de manifestação por escrito. Esse trâmite é comum em decisões sensíveis do bloco e costuma indicar que os principais entraves políticos já foram, ao menos parcialmente, superados.
O papel do Conselho Europeu e das reuniões em Bruxelas
O sinal verde partiu do Conselho Europeu, órgão que reúne os chefes de Estado e de governo da União Europeia. As discussões ocorreram a portas fechadas em Bruxelas, centro político do bloco, e refletem um esforço coordenado para destravar um acordo que se arrasta desde 1999.
Reuniões realizadas na quarta-feira (7) foram decisivas para aproximar países ainda reticentes do aval final. Entre eles, a Itália, considerada o “fiel da balança” nas negociações, teve papel central na construção do consenso.
Acenos ao setor agrícola ajudaram a reduzir resistências
Um dos principais focos de resistência ao acordo sempre foi o setor agrícola europeu, preocupado com a concorrência de produtos do Mercosul, como carne bovina e aves. Na tentativa de reduzir essas pressões, ministros da Agricultura da UE anunciaram um pacote robusto de medidas.
O bloco aprovou um orçamento de 293 bilhões de euros para a política agrícola comum, além de recursos adicionais para pesquisas, reservas para crises de mercado e redução de taxas sobre fertilizantes. O gesto foi interpretado como um aceno direto aos agricultores, especialmente em países onde o lobby rural é politicamente influente.
A última exigência italiana: salvaguardas agrícolas
Mesmo com o avanço, a Itália ainda apresentou uma demanda específica para apoiar o acordo: a redução do percentual necessário para acionar o mecanismo de salvaguarda agrícola. Esse instrumento permite à União Europeia suspender temporariamente preferências tarifárias concedidas a produtos do Mercosul considerados sensíveis.
Pelas regras atuais do acordo, se as importações desses produtos crescerem, em média, 8% ao longo de três anos, o bloco pode abrir uma investigação e adotar medidas de proteção. O governo italiano defende que esse gatilho seja reduzido para 5%, tornando o mecanismo mais rápido e rigoroso.
A votação sobre esse ponto específico também ocorre nesta sexta-feira (9), em Bruxelas, igualmente a portas fechadas. O resultado deve definir os ajustes finais no texto do acordo.
Próximos passos e expectativa política
Com o aval provisório, cresce a expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viaje na próxima semana ao Paraguai, atual presidente do Mercosul, para formalizar o acordo.
Mesmo assim, o caminho ainda não está totalmente livre. O texto precisará passar pelo Parlamento Europeu e, em alguns casos, por ratificações nacionais. Ainda assim, o avanço desta sexta-feira é visto como o sinal mais concreto, em anos, de que o acordo Mercosul–União Europeia está mais próximo de se tornar realidade.
[ Fonte: CNN Brasil ]