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Lula critica operação no Rio e pede investigação da PF: “Foi uma matança”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “desastrosa” a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro e defendeu a participação de peritos da Polícia Federal nas investigações. O caso, o mais letal da história do estado, reacendeu o debate sobre violência policial e controle de operações em favelas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A operação que terminou com 121 mortos no Rio de Janeiro, incluindo quatro policiais, segue repercutindo em todo o país. Em entrevista concedida nesta terça-feira (4) a agências internacionais em Belém (PA), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a ação foi “uma matança” e defendeu uma investigação independente com legistas da Polícia Federal.

Lula cobra investigação independente

Lula afirmou que a decisão judicial autorizava mandados de prisão, e não um confronto que resultasse em tantas mortes. “A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não de matança — e houve matança”, declarou.

O presidente confirmou que o governo está articulando a participação da Polícia Federal nas investigações e disse que o país precisa saber exatamente o que aconteceu. “Temos uma versão da polícia e do governo do estado, mas é preciso verificar se as coisas ocorreram como dizem ou se houve algo mais grave na operação”, afirmou.

O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza nesta quarta-feira (5) uma audiência sobre o caso.

A operação mais letal da história do Rio

A ação, realizada no dia 28 de outubro, foi organizada pelo governo do Rio de Janeiro e tinha como alvo integrantes do Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha. O governo estadual classificou a operação como um “sucesso”, mas a escala de violência a tornou a mais letal já registrada no estado.

O governador Cláudio Castro (PL), que esteve em Brasília nesta terça (4), defendeu novamente a ação e afirmou que as únicas vítimas foram “os quatro policiais mortos em combate”.

Reação do governo federal

Após o episódio, o Ministério da Justiça enviou uma equipe ao Rio, composta pelos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial). A missão foi discutir com o governo fluminense as circunstâncias da operação e possíveis falhas na execução.

Lula, no entanto, fez sua primeira crítica direta à ação apenas agora. Na semana anterior, o presidente havia publicado uma nota defendendo o combate ao crime organizado, mas sem mencionar o governo do Rio. “Precisamos atingir a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, disse à época.

STF e controle das operações

O ministro Alexandre de Moraes, relator da chamada ADPF das Favelas, determinou que o governo do Rio preserve todas as provas e perícias relacionadas à operação — incluindo imagens, documentos e cadeias de custódia — para permitir o controle e a verificação do Ministério Público e da Defensoria Pública.

Essa decisão reforça o papel do STF no monitoramento das operações policiais em áreas densamente povoadas, especialmente nas favelas cariocas, onde as ações costumam resultar em alto número de mortes.

Opinião pública dividida

Apesar das críticas, uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (3) mostra que 64% dos moradores do estado do Rio aprovam a operação. Já 72% concordam com a proposta de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas.

Ainda assim, especialistas em segurança pública alertam que números altos de mortes não significam sucesso. Para Lula, “do ponto de vista humano e institucional, a operação foi desastrosa”, e agora o foco deve ser “entender como o Estado pode agir com firmeza, mas sem transformar a lei em licença para matar”.

[Fonte: G1 – Globo]

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