Toda franquia, por mais lucrativa que seja, um dia perde o fôlego. Com Velozes e Furiosos, esse esgotamento já vem sendo percebido desde que a saga perdeu um de seus pilares centrais: Paul Walker. Agora, com o capítulo final anunciado para abril de 2027, a série de ação se prepara para estacionar definitivamente — e talvez tenha deixado a pista no momento certo.
O início do fim
Com Fast X lançado em 2023 e o capítulo final, Fast XI, previsto para 2027, a franquia mais absurda e barulhenta de Hollywood já anunciou que está na reta final. E para ser sincero, não era sem tempo.
O maior “crime” do décimo filme talvez tenha sido justamente provar que a série perdeu o rumo. Mesmo entre os vários “meios-filmes” daquele verão, Fast X conseguiu ser o menos impactante. A energia que movia os longas anteriores simplesmente desapareceu.
A perda de Paul Walker e a falta de direção
A morte de Paul Walker forçou a franquia a reescrever Furious 7 como uma despedida. O impacto emocional do momento mascarou uma verdade estrutural: os roteiristas nunca planejaram o futuro sem Brian O’Conner. E desde então, a série tenta, sem sucesso, preencher esse vazio.
Personagens como “Little Nobody” em Fate of the Furious, Jakob (irmão de Dom) em F9, e até antigos vilões como Hobbs e Shaw foram testados para ocupar esse espaço. Nenhum deles, no entanto, conseguiu se integrar de forma natural com o grupo.
De equipe a ego: o problema Dom Toretto
Sempre foi claro que os personagens não eram o ponto forte da saga, mas agora tudo parece automático. Os atores seguem no piloto automático até que surja uma nova perseguição ou explosão.
O foco crescente em Dom Toretto — e a recusa de Vin Diesel em dividir protagonismo — tornou a série um show egocêntrico. Basta assistir a Michelle Rodriguez em Dungeons & Dragons para ver como ela parece muito mais viva fora do universo Fast.
Quando exagerar deixa de ser divertido
O exagero fazia parte do charme da franquia. Ver carros pulando de aviões ou perseguições em pistas infinitas era parte da diversão. Mas até isso perdeu o impacto.
As cenas de ação atingiram o auge em Fast 7 ou Fate of the Furious, e parece que a própria equipe criativa percebeu que não há mais para onde subir — ou explodir.
Uma volta às origens… ou uma tentativa desesperada?
Vin Diesel promete que Fast XI será ambientado em Los Angeles e que o foco retornará à cultura de rua e ao universo do primeiro filme. A ideia de desacelerar pode ser interessante, mas também soa como uma manobra para contornar os exageros narrativos e o final em aberto do último longa.
A suposta parceria entre Dwayne Johnson e Jason Momoa pode ajudar a encerrar a história de forma digna, se tudo correr bem.
O adeus inevitável
Provavelmente estarei no cinema em abril de 2027 para ver como tudo termina. A franquia construiu um legado de ação exagerada e momentos icônicos o bastante para merecer um final.
Só lamento que esse encerramento não esteja à altura do que a série representou em seus melhores anos. Mas se tudo der errado, ao menos tivemos “o Brasil” e a pista de aeroporto mais longa da história do cinema.