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‘Velozes e Furiosos’ está chegando ao fim — e não era sem tempo

A franquia que levou a ação automotiva a níveis absurdos se prepara para sua última volta em 2027. Mas, para muitos fãs, o desgaste da fórmula já vinha sendo sentido há tempos. Saiba por que o adeus a Fast & Furious pode ser mais um alívio do que uma despedida dolorosa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Toda franquia, por mais lucrativa que seja, um dia perde o fôlego. Com Velozes e Furiosos, esse esgotamento já vem sendo percebido desde que a saga perdeu um de seus pilares centrais: Paul Walker. Agora, com o capítulo final anunciado para abril de 2027, a série de ação se prepara para estacionar definitivamente — e talvez tenha deixado a pista no momento certo.

 

O início do fim

Com Fast X lançado em 2023 e o capítulo final, Fast XI, previsto para 2027, a franquia mais absurda e barulhenta de Hollywood já anunciou que está na reta final. E para ser sincero, não era sem tempo.

O maior “crime” do décimo filme talvez tenha sido justamente provar que a série perdeu o rumo. Mesmo entre os vários “meios-filmes” daquele verão, Fast X conseguiu ser o menos impactante. A energia que movia os longas anteriores simplesmente desapareceu.

 

A perda de Paul Walker e a falta de direção

A morte de Paul Walker forçou a franquia a reescrever Furious 7 como uma despedida. O impacto emocional do momento mascarou uma verdade estrutural: os roteiristas nunca planejaram o futuro sem Brian O’Conner. E desde então, a série tenta, sem sucesso, preencher esse vazio.

Personagens como “Little Nobody” em Fate of the Furious, Jakob (irmão de Dom) em F9, e até antigos vilões como Hobbs e Shaw foram testados para ocupar esse espaço. Nenhum deles, no entanto, conseguiu se integrar de forma natural com o grupo.

 

De equipe a ego: o problema Dom Toretto

Sempre foi claro que os personagens não eram o ponto forte da saga, mas agora tudo parece automático. Os atores seguem no piloto automático até que surja uma nova perseguição ou explosão.

O foco crescente em Dom Toretto — e a recusa de Vin Diesel em dividir protagonismo — tornou a série um show egocêntrico. Basta assistir a Michelle Rodriguez em Dungeons & Dragons para ver como ela parece muito mais viva fora do universo Fast.

 

Quando exagerar deixa de ser divertido

O exagero fazia parte do charme da franquia. Ver carros pulando de aviões ou perseguições em pistas infinitas era parte da diversão. Mas até isso perdeu o impacto.

As cenas de ação atingiram o auge em Fast 7 ou Fate of the Furious, e parece que a própria equipe criativa percebeu que não há mais para onde subir — ou explodir.

 

Uma volta às origens… ou uma tentativa desesperada?

Vin Diesel promete que Fast XI será ambientado em Los Angeles e que o foco retornará à cultura de rua e ao universo do primeiro filme. A ideia de desacelerar pode ser interessante, mas também soa como uma manobra para contornar os exageros narrativos e o final em aberto do último longa.

A suposta parceria entre Dwayne Johnson e Jason Momoa pode ajudar a encerrar a história de forma digna, se tudo correr bem.

 

O adeus inevitável

Provavelmente estarei no cinema em abril de 2027 para ver como tudo termina. A franquia construiu um legado de ação exagerada e momentos icônicos o bastante para merecer um final.

Só lamento que esse encerramento não esteja à altura do que a série representou em seus melhores anos. Mas se tudo der errado, ao menos tivemos “o Brasil” e a pista de aeroporto mais longa da história do cinema.

 

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