Calor acima do normal e dias mais longos
Segundo o meteorologista Natálio Abrahão Filho, o verão será de neutralidade climática, sem a atuação clássica do El Niño ou da La Niña. Ainda assim, isso não significa estabilidade. A previsão indica temperaturas até 3 °C acima da média em grande parte do país, com destaque para o Centro-Oeste e o interior do Nordeste, onde o calor deve ser mais intenso.
Entre os dias 22 e 30 de dezembro, o centro-leste do Brasil tende a enfrentar um dos períodos mais quentes da estação. Em áreas que ligam Minas Gerais e Bahia, os termômetros podem marcar até 6 °C acima da média histórica, um alerta claro para riscos à saúde e ao abastecimento de água.
Chuvas irregulares e risco de extremos

Apesar de o verão ser tradicionalmente chuvoso, a tendência agora é de irregularidade tanto no volume quanto na intensidade das precipitações. Natálio explica que o Centro-Oeste pode ter menos chuva, enquanto o Sul tende a concentrar precipitações no litoral. Em áreas próximas às fronteiras com Argentina e Paraguai, há previsão de tempestades intensas e frentes frias pontuais já na próxima semana.
Estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro estão no radar para episódios severos, com enchentes, alagamentos, raios e ventos fortes. “O aquecimento global é real e amplifica esses movimentos”, alerta o meteorologista.
La Niña fraca e transição para neutralidade
Para o meteorologista Celso Oliveira, da Tempo OK, a primavera já mostrou um comportamento atípico, influenciada por uma La Niña considerada fraca, que não produziu os efeitos clássicos esperados. A anomalia de resfriamento do Oceano Pacífico está se dissipando, com previsão de retorno à neutralidade climática até março de 2026.
Oliveira destaca que, embora exista consenso científico sobre o aquecimento dos oceanos e da atmosfera, ainda há debate sobre como isso altera diretamente o comportamento do sistema El Niño–La Niña. O que já é visível, segundo ele, é a quebra do padrão tradicional do verão brasileiro, antes marcado por calor constante e chuvas regulares no fim da tarde.
Hoje, o que se observa é uma alternância perigosa: períodos prolongados de seca seguidos por chuvas intensas concentradas em pouco tempo, o que aumenta o risco de deslizamentos e inundações.
Sudeste em alerta, Sul com mais chuva
A previsão indica que o calor deve persistir no Sudeste, Centro-Oeste e interior do Nordeste, com temperaturas cerca de 2 °C acima do normal, já que a circulação de ventos deve dificultar o avanço de frentes frias. No Sul, especialmente entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, janeiro e fevereiro devem ter chuvas recorrentes, o que ajuda a conter o calor.
Já no Norte e em estados como Maranhão, Piauí e Ceará, a chuva pode até superar a média climatológica, mantendo as temperaturas próximas do normal.
Mortes e tragédias reforçam o alerta
Os impactos dessa instabilidade já são sentidos. Apenas em dezembro, oito pessoas morreram em São Paulo em decorrência das chuvas, segundo a Defesa Civil. Houve mortes por deslizamentos, quedas de muros, árvores, descargas elétricas e pessoas arrastadas por enxurradas.
No Rio de Janeiro, Petrópolis enfrentou alagamentos severos nesta semana, com carros arrastados e ao menos uma pessoa desaparecida após o transbordamento de rios no centro da cidade.
Calor extremo também é risco à saúde
Especialistas alertam para os perigos da exposição aos raios ultravioleta, que aumentam no verão e elevam o risco de câncer de pele. A recomendação é clara: hidratação constante, evitar o sol nos horários mais quentes, usar roupas leves e priorizar ambientes ventilados. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas exigem atenção redobrada.
O verão chegou. E, mais do que nunca, ele vem acompanhado de um alerta: o clima está mudando — e rápido.
[Fonte: Correio Braziliense]