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Protesto contra reforma trabalhista leva multidões às ruas da Argentina

Milhares de pessoas tomaram as ruas de Buenos Aires nesta quinta-feira (18) para protestar contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei. Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a manifestação marca o primeiro grande ato contra o projeto, que já começou a ser discutido no Senado e promete mudanças profundas nas regras do mercado de trabalho argentino. Entenda por que a proposta virou alvo de tanta resistência.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O que muda com a reforma trabalhista de Milei

A reforma trabalhista defendida pelo governo argentino inclui pontos que sindicatos classificam como inaceitáveis. Entre eles estão a limitação do direito à greve, a redução das indenizações por demissão e a possibilidade de jornadas de trabalho de até 12 horas.

Embora o texto afirme que as alterações dependem de acordo mútuo entre empregador e empregado, as centrais sindicais alertam para o desequilíbrio de forças nessa negociação. Na prática, dizem, o trabalhador teria pouco poder de decisão diante das empresas.

“Salve-se quem puder”, dizem sindicatos

Protesto contra reforma trabalhista leva multidões às ruas da Argentina
© https://x.com/Ambitocom

Durante o protesto na Praça de Maio, um dos símbolos históricos da mobilização social argentina, críticas duras ecoaram entre os manifestantes. Para o operário químico e dirigente sindical Julio Barroso, de 51 anos, a reforma trabalhista promove a divisão entre trabalhadores.

“A reforma significa colocar um companheiro contra o outro”, afirmou. Segundo ele, o projeto enfraquece a força coletiva e incentiva uma lógica individualista, resumida no lema visto em vários cartazes: “Sem pão e trabalho, não há paz”.

Governo diz que lei atual trava contratações

Do outro lado, o governo de Javier Milei defende a reforma trabalhista como essencial para destravar a economia. Segundo o Executivo, a legislação atual “paralisa” as contratações e afasta empregadores do mercado formal por medo de custos elevados e conflitos judiciais.

O argumento central é que quase 40% da força de trabalho argentina atua na informalidade, em um cenário de recessão econômica. Para o governo, flexibilizar contratos e reduzir encargos patronais seria a única forma de gerar empregos formais.

Em audiência no Senado, o secretário do Trabalho, Julio Cordero, reforçou esse discurso. “Há temor de entrar em um mundo que se mostra conflituoso”, disse, ao justificar a necessidade de mudar as regras.

Trabalhadores veem risco de perda de direitos

Entre os manifestantes, o sentimento predominante é de desconfiança. Pablo Ríos, de 44 anos, funcionário de um hospital, resumiu a percepção de muitos trabalhadores: “Essa lei foi pensada para o empresário. Para quem vive do salário, não vai funcionar”.

Além do ato em Buenos Aires, sindicatos aderiram a medidas de força, incluindo greves e paralisações rotativas. Controladores aéreos, por exemplo, suspenderam atividades em horários específicos, ampliando o impacto do protesto.

Denúncias de repressão e tensão crescente

A CGT também denunciou nas redes sociais que forças de segurança teriam impedido a entrada de ônibus com manifestantes na capital, numa tentativa de reduzir o tamanho do protesto contra a reforma trabalhista. O governo não comentou oficialmente as acusações até o momento.

O que esperar agora

Com o projeto ainda em debate no Senado, a tendência é de aumento da tensão entre governo e sindicatos. A reforma trabalhista de Milei pode redefinir o mercado de trabalho argentino — mas o custo político e social dessa mudança já começou a aparecer nas ruas.

O recado dos manifestantes é claro: qualquer tentativa de modernizar a economia que passe por retirar direitos deve enfrentar resistência. E, pelo visto, esse embate está só começando.

[Fonte: Correio Braziliense]

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