O que muda com a reforma trabalhista de Milei
A reforma trabalhista defendida pelo governo argentino inclui pontos que sindicatos classificam como inaceitáveis. Entre eles estão a limitação do direito à greve, a redução das indenizações por demissão e a possibilidade de jornadas de trabalho de até 12 horas.
Embora o texto afirme que as alterações dependem de acordo mútuo entre empregador e empregado, as centrais sindicais alertam para o desequilíbrio de forças nessa negociação. Na prática, dizem, o trabalhador teria pouco poder de decisão diante das empresas.
“Salve-se quem puder”, dizem sindicatos

Durante o protesto na Praça de Maio, um dos símbolos históricos da mobilização social argentina, críticas duras ecoaram entre os manifestantes. Para o operário químico e dirigente sindical Julio Barroso, de 51 anos, a reforma trabalhista promove a divisão entre trabalhadores.
“A reforma significa colocar um companheiro contra o outro”, afirmou. Segundo ele, o projeto enfraquece a força coletiva e incentiva uma lógica individualista, resumida no lema visto em vários cartazes: “Sem pão e trabalho, não há paz”.
Governo diz que lei atual trava contratações
Do outro lado, o governo de Javier Milei defende a reforma trabalhista como essencial para destravar a economia. Segundo o Executivo, a legislação atual “paralisa” as contratações e afasta empregadores do mercado formal por medo de custos elevados e conflitos judiciais.
O argumento central é que quase 40% da força de trabalho argentina atua na informalidade, em um cenário de recessão econômica. Para o governo, flexibilizar contratos e reduzir encargos patronais seria a única forma de gerar empregos formais.
Em audiência no Senado, o secretário do Trabalho, Julio Cordero, reforçou esse discurso. “Há temor de entrar em um mundo que se mostra conflituoso”, disse, ao justificar a necessidade de mudar as regras.
Trabalhadores veem risco de perda de direitos
Entre os manifestantes, o sentimento predominante é de desconfiança. Pablo Ríos, de 44 anos, funcionário de um hospital, resumiu a percepção de muitos trabalhadores: “Essa lei foi pensada para o empresário. Para quem vive do salário, não vai funcionar”.
Além do ato em Buenos Aires, sindicatos aderiram a medidas de força, incluindo greves e paralisações rotativas. Controladores aéreos, por exemplo, suspenderam atividades em horários específicos, ampliando o impacto do protesto.
Denúncias de repressão e tensão crescente
A CGT também denunciou nas redes sociais que forças de segurança teriam impedido a entrada de ônibus com manifestantes na capital, numa tentativa de reduzir o tamanho do protesto contra a reforma trabalhista. O governo não comentou oficialmente as acusações até o momento.
O que esperar agora
Com o projeto ainda em debate no Senado, a tendência é de aumento da tensão entre governo e sindicatos. A reforma trabalhista de Milei pode redefinir o mercado de trabalho argentino — mas o custo político e social dessa mudança já começou a aparecer nas ruas.
O recado dos manifestantes é claro: qualquer tentativa de modernizar a economia que passe por retirar direitos deve enfrentar resistência. E, pelo visto, esse embate está só começando.
[Fonte: Correio Braziliense]