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Ciência

Vida sexual e câncer de próstata: O que a ciência diz sobre a frequência da ejaculação e o impacto na saúde

Um dos tumores mais frequentes entre homens pode ter relação com a vida sexual — mas o que os estudos mostram não é tão simples quanto parece. Entenda o que pesquisas apontam sobre a frequência da ejaculação e como esse fator pode influenciar (ou não) a saúde da próstata.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A relação entre vida sexual ativa e o risco de desenvolver câncer de próstata tem despertado interesse crescente, tanto da população quanto da comunidade médica. Embora muitos enxerguem o tema como tabu, diversas pesquisas investigam se a frequência da ejaculação pode mesmo reduzir as chances de aparecimento da doença, que é uma das mais comuns entre os homens a partir dos 50 anos.

O que dizem os estudos sobre ejaculação e câncer de próstata

Vida sexual e câncer de próstata: O que a ciência diz sobre a frequência da ejaculação e o impacto na saúde
© Pexels

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de próstata é o segundo tipo mais incidente entre homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Com o avanço da idade, os riscos aumentam significativamente, o que torna essencial entender quais hábitos podem influenciar o desenvolvimento da doença.

Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema foi conduzido pela Universidade de Harvard com mais de 31 mil homens. A pesquisa acompanhou os participantes entre 1992 e 2010 e apontou que aqueles que ejaculavam 21 ou mais vezes por mês apresentavam um risco 31% menor de desenvolver câncer de próstata, em comparação aos que relataram de quatro a sete ejaculações mensais.

Segundo o urologista e oncologista Bruno Benigno, do hospital Oswaldo Cruz, a literatura médica sugere que uma maior frequência de ejaculações pode estar associada a um risco cerca de 20% menor para os casos menos agressivos da doença. Ainda assim, ele alerta que os dados devem ser vistos com cautela, pois podem estar influenciados por outros fatores.

Possíveis explicações e fatores que confundem a análise

Ainda não há um consenso científico sobre o porquê dessa associação. Uma hipótese é que a ejaculação frequente ajudaria a eliminar toxinas e estruturas semelhantes a cristais que, ao se acumularem na próstata, poderiam contribuir para o surgimento de tumores.

Outra explicação possível seria o aumento no fluxo de sêmen promovido por uma frequência maior de ejaculação, o que ajudaria a reduzir inflamações na próstata — condição que está diretamente ligada ao risco da doença.

Contudo, segundo Benigno, muitos outros elementos podem interferir na interpretação dos dados. Fatores como idade, estilo de vida, saúde urinária e até o número de parceiros sexuais podem influenciar o risco real. É possível que homens com vida sexual mais ativa também tenham hábitos mais saudáveis, o que indiretamente impactaria nos resultados dos estudos.

Homens com frequência mais baixa de ejaculação, por outro lado, podem estar enfrentando problemas de saúde ou questões emocionais como estresse ou separação conjugal, o que poderia aumentar o risco da doença por outros motivos.

Sintomas, diagnóstico e prevenção

O câncer de próstata tende a ser silencioso nos estágios iniciais, e os sintomas costumam surgir tardiamente. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dificuldade para urinar;
  • Presença de sangue na urina ou no sêmen;
  • Dor óssea;
  • Em casos mais graves, insuficiência renal.

A melhor forma de prevenção continua sendo o diagnóstico precoce. A partir dos 40 anos, é fundamental consultar um urologista, realizar o exame de toque retal e seguir as orientações médicas.

Além disso, manter uma rotina saudável — com alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, redução do consumo de álcool e abandono do tabagismo — pode ajudar significativamente na prevenção do câncer de próstata e de outras doenças crônicas.

A frequência da ejaculação pode até ser um fator relevante, mas o cuidado com a saúde como um todo é o que realmente faz a diferença na prevenção e no bem-estar masculino.

[Fonte: Extra – Globo]

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