Pular para o conteúdo
Mundo

Vídeo chocante mostra a Terra se abrindo durante terremoto de 7,7 graus em Mianmar

Uma gravação rara captada por uma câmera de segurança em uma fazenda solar revela o momento exato em que o solo se divide, durante o terremoto que atingiu Mianmar em março. Especialistas acreditam que é a primeira vez que um evento assim é registrado em vídeo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Um portão treme. Torres de transmissão balançam. E, de repente, o chão parece deslizar sobre si mesmo. A cena impressionante foi registrada por uma câmera de segurança no dia 28 de março de 2025, data em que Mianmar foi atingido por um terremoto de magnitude 7,7, seguido de diversos tremores secundários. O desastre deixou mais de 3.600 mortos e milhares de feridos.

Um registro sem precedentes

O vídeo, compartilhado recentemente nas redes sociais pelo engenheiro de Singapura Htin Aung, foi gravado em uma usina solar da empresa GP Energy Myanmar, localizada na região de Thapyawa. As imagens viralizaram após serem republicadas no canal 2025 Sagaing Earthquake Archive, no YouTube.

Segundo a publicação, trata-se do primeiro e único registro conhecido de um movimento de falha sendo captado em tempo real por uma câmera. O momento mostra claramente um ruptura superficial, fenômeno raro em que o terremoto rompe o solo até a superfície.

“É, até onde sei, o melhor vídeo que temos de uma ruptura superficial contínua causada por um terremoto de grande magnitude”, afirmou Rick Aster, geofísico da Colorado State University, em entrevista ao Live Science.

A força invisível sob nossos pés

A superfície da Terra é composta por enormes blocos móveis chamados placas tectônicas. Embora essas placas se movimentem lentamente — cerca de alguns centímetros por ano, como o crescimento das unhas —, quando a tensão entre elas se acumula e é liberada de forma súbita, acontecem os terremotos.

Mianmar está localizado sobre a Falha de Sagaing, uma das mais ativas do mundo. Ela percorre o país de norte a sul, na fronteira entre as placas tectônicas de Sunda e Birmânia. Essa falha é do tipo transformante, ou seja, as placas se deslocam horizontalmente uma em relação à outra, ao invés de colidirem de frente.

Esse movimento lateral é justamente o que se vê com clareza no vídeo: o lado direito da imagem desliza repentinamente para frente, em contraste com o lado esquerdo, revelando a impressionante dinâmica da Terra em ação.

Um alerta global para zonas de risco

Casos como esse chamam a atenção para outras falhas geológicas similares ao redor do mundo — como a Falha de San Andreas, na Califórnia, famosa por seu potencial catastrófico. Cientistas norte-americanos alertam há décadas sobre a possibilidade de um terremoto devastador ali, conhecido como o possível “Big One”.

Apesar de décadas de pesquisa, a ciência ainda não consegue prever terremotos com precisão, o que torna o monitoramento constante e os planos de emergência essenciais em regiões de risco.

“A verdade simples é que ninguém sabe quando o próximo grande terremoto ocorrerá”, ressalta Aster. “Tudo o que podemos fazer é nos preparar.”

Ciência e tecnologia a serviço da prevenção

O vídeo de Mianmar será analisado detalhadamente por especialistas em sismologia e deve se tornar base para estudos futuros. A possibilidade de observar em vídeo um fenômeno tão específico pode ajudar a entender melhor a dinâmica das falhas e aprimorar modelos de risco.

Ainda que não se possa prever exatamente quando um terremoto ocorrerá, registros como esse são cruciais para reforçar a importância de políticas de prevenção, construção segura e educação em áreas propensas a abalos sísmicos.

Enquanto isso, quem vive sobre as falhas da Terra segue convivendo com a incerteza — e a necessidade de estar sempre um passo à frente do imprevisível.

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados