Ele construiu vida, família e rotina nos Estados Unidos desde os anos 1980. Tinha residência permanente, endereço fixo e décadas de história no país. Ainda assim, uma viagem ao exterior mudou tudo. Ao retornar, foi barrado no aeroporto, detido por meses e, por fim, deportado. O caso reacende dúvidas sobre até que ponto o green card realmente garante estabilidade migratória.
A volta de viagem que terminou em detenção

Owen Ramsingh deixou os Países Baixos e se estabeleceu nos Estados Unidos em 1986. Ao longo de quase 40 anos, construiu vida no país, morando em Columbia, no estado do Missouri, ao lado da esposa e da filha. Ele possuía green card — a residência permanente que permite viver e trabalhar legalmente no território americano.
Mas em 27 de setembro de 2025, ao retornar de uma viagem à Europa, foi impedido de reentrar nos Estados Unidos no aeroporto O’Hare, em Chicago. Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) o detiveram imediatamente.
Segundo as autoridades, a retenção ocorreu devido a antecedentes criminais relacionados a drogas. Ramsingh foi transferido para um centro de detenção no Texas, onde permaneceu por meses enquanto o caso tramitava.
Inicialmente, um juiz de imigração indicou à família que bastaria apresentar determinados documentos para anular o processo de deportação. A expectativa era de que a situação fosse resolvida sem maiores consequências.
No entanto, o caso mudou de mãos. Um segundo magistrado assumiu o processo, Ramsingh foi transferido para o Novo México e o cenário se alterou drasticamente. O novo juiz decidiu dar continuidade à deportação.
Os antecedentes citados incluem duas ocorrências: uma relacionada à cocaína, nos anos 1990 — quando ele tinha 16 anos e foi julgado como adulto — e outra envolvendo maconha, registrada em 2011.
Meses de detenção e o retorno definitivo à Europa
Após meses sob custódia do ICE, Ramsingh foi oficialmente liberado em 7 de fevereiro — mas para embarcar em um voo rumo a Amsterdã. A deportação foi confirmada pela esposa, Diana, em uma publicação nas redes sociais.
Ela informou que ele estava a caminho dos Países Baixos e que ela e a filha se juntariam a ele no dia seguinte. A mudança, segundo a família, será definitiva.
O casal agora tenta reorganizar a vida no país de origem dele, após décadas estabelecido nos Estados Unidos. A esposa indicou que pretende documentar o processo de transição para amigos e apoiadores.
O episódio gerou debates em grupos comunitários e nas redes sociais, especialmente entre imigrantes de longa data que acreditam que o green card oferece proteção quase absoluta contra expulsão.
Quando um residente permanente pode ser deportado?
Embora a residência permanente conceda amplos direitos, ela não equivale à cidadania americana. Autoridades federais podem iniciar processo de deportação contra portadores de green card em determinadas circunstâncias.
Entre os principais motivos estão condenações por crimes graves — incluindo tráfico de drogas —, longas ausências do país sem autorização adequada de reentrada, fraudes na obtenção da residência e descumprimento de obrigações fiscais.
No caso de Ramsingh, os antecedentes criminais foram determinantes para a decisão final. Mesmo ocorrências antigas podem ser consideradas pelas autoridades migratórias, especialmente quando envolvem substâncias controladas.
O caso também evidencia como o retorno ao país após viagem internacional pode desencadear reavaliações do status migratório. Ao passar pelo controle de fronteira, residentes permanentes estão sujeitos à revisão de histórico.
Para especialistas em imigração, o episódio reforça a importância de acompanhamento jurídico constante, principalmente para quem possui antecedentes criminais.
Quatro décadas de residência não foram suficientes para evitar a expulsão. E a história levanta uma questão sensível para milhões de residentes permanentes: até que ponto a estabilidade migratória é realmente garantida?
[Fonte: La Nacion]