O Uruguai registrou oficialmente seu primeiro procedimento de eutanásia desde que a lei de “morte digna” entrou em vigor no país. A paciente era uma mulher de 69 anos internada no Hospital Policial, em Montevidéu, diagnosticada com câncer de pâncreas incurável e múltiplas metástases avançadas.
O procedimento foi realizado na sexta-feira e representa a primeira aplicação prática da legislação aprovada no fim de outubro de 2025, que passou a permitir a eutanásia em determinadas condições médicas e jurídicas.
A mulher estava sob cuidados paliativos e havia decidido interromper tratamentos oncológicos antes de solicitar formalmente a eutanásia.
A lei uruguaia estabelece critérios rigorosos
A legislação uruguaia permite o procedimento apenas para adultos considerados mentalmente aptos e diagnosticados com doenças incuráveis, irreversíveis ou em estágio terminal.
Além disso, o paciente deve manifestar sofrimento persistente considerado incompatível com sua própria dignidade.
O protocolo regulamentador entrou oficialmente em vigor em 20 de abril, após assinatura da ministra da Saúde Pública, Cristina Lustemberg, e do presidente uruguaio Yamandú Orsi.
Segundo o regulamento, a pessoa também precisa ser considerada “psiquicamente apta”, ou seja, plenamente capaz de compreender seu estado de saúde, avaliar alternativas médicas disponíveis e tomar decisões conscientes sobre sua própria vida.
A paciente estava acompanhada pela família

De acordo com informações divulgadas pelas autoridades sanitárias e pela imprensa uruguaia, a mulher iniciou formalmente o pedido em janeiro deste ano.
Ela sofria de câncer pancreático com metástases nos pulmões, rins e fígado.
Durante o processo, foi acompanhada por um de seus seis filhos.
As autoridades afirmam que todas as exigências previstas pela legislação foram cumpridas antes da realização do procedimento.
O debate sobre eutanásia volta ao centro da discussão pública

A aprovação da lei já havia provocado intenso debate político, médico e ético no Uruguai ao longo dos últimos anos.
Defensores da medida argumentam que pacientes em sofrimento irreversível devem ter o direito de decidir sobre o próprio fim de vida de maneira legal, assistida e supervisionada.
Já críticos levantam preocupações relacionadas a limites éticos, riscos de pressão psicológica sobre pacientes vulneráveis e possíveis impactos na prática médica.
O Uruguai tornou-se um dos poucos países da América Latina a regulamentar a eutanásia de forma explícita.
Outros pedidos já estão em análise
Segundo Florencia Pírez, integrante do coletivo Empatía Uruguay — grupo que atua em defesa da regulamentação da morte assistida — já existe outro pedido formal em andamento no país.
O novo caso envolve uma pessoa diagnosticada com esclerose múltipla.
Ela afirmou que o caso já está sendo avaliado pelas equipes médicas conforme os critérios estabelecidos pelo decreto regulamentador.
Para defensores da legislação, o primeiro procedimento representa um marco histórico relacionado ao direito individual de decidir sobre o próprio sofrimento.
Ao mesmo tempo, o tema continua despertando discussões profundas sobre medicina, dignidade, autonomia e os limites éticos das decisões no fim da vida.
[ Fonte: El Cronista ]