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A FIFA pode ser obrigada a reduzir preços da Copa após baixa procura

Faltando poucas semanas para o início do torneio, milhares de ingressos continuam sem comprador — e o cenário começou a preocupar hotéis, organizadores e o próprio mercado esportivo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Copa do Mundo de 2026 prometia se transformar em um dos maiores eventos esportivos já realizados. Com mais seleções, mais partidas e estádios espalhados por três países, o torneio parecia destinado a repetir o frenesi das edições anteriores. Mas algo começou a chamar atenção nas últimas semanas: mesmo com a proximidade da abertura, milhares de ingressos seguem disponíveis em partidas importantes realizadas nos Estados Unidos. E os sinais de baixa procura já começaram a afetar até o setor hoteleiro.

A maior Copa da história começou a enfrentar dificuldades inesperadas

A FIFA pode ser obrigada a reduzir preços da Copa após baixa procura
© https://x.com/ABC7NY

A edição de 2026 será a maior Copa do Mundo já organizada pela FIFA. O torneio terá 48 seleções, 104 partidas e jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México.

O novo formato ampliou significativamente o número de confrontos e introduziu uma fase inédita de mata-mata com 32 equipes. Em teoria, isso deveria aumentar ainda mais o interesse global pelo campeonato.

Mas a realidade começou a mostrar um cenário diferente.

Diversos jogos da fase de grupos ainda apresentam milhares de ingressos disponíveis poucas semanas antes do início oficial da competição.

Segundo levantamentos feitos por plataformas especializadas em monitoramento de bilhetes, algumas partidas ultrapassam a marca de mil entradas ainda não vendidas.

Em certos casos, os preços no mercado de revenda despencaram nos últimos dias devido à procura abaixo do esperado.

Um dos exemplos mais comentados envolve a partida entre Jordânia e Argélia, em San Francisco, que passou a ter ingressos revendidos por menos de 100 dólares em plataformas secundárias.

O movimento surpreendeu especialistas porque grandes eventos da FIFA normalmente registram demanda intensa mesmo em jogos considerados menos populares.

Agora, porém, parte do mercado começou a questionar se o problema está diretamente ligado aos preços praticados pela organização.

Preços altos viraram alvo de críticas

A FIFA pode ser obrigada a reduzir preços da Copa após baixa procura
© https://x.com/usmntonly

Especialistas do setor esportivo e analistas de ticketing apontam que os valores cobrados pela FIFA podem ter afastado parte significativa do público.

Mesmo em partidas da fase de grupos, os preços médios continuam muito acima do que muitos torcedores estavam dispostos a pagar.

Dados recentes mostram que o menor valor médio encontrado em jogos da primeira fase ainda gira em torno de 559 dólares em diversos confrontos.

Isso gerou críticas pesadas sobre a estratégia comercial adotada para o torneio.

Analistas afirmam que a FIFA apostou em preços extremamente elevados para praticamente todas as 104 partidas da competição, incluindo jogos sem grande apelo internacional.

Segundo especialistas do setor, a entidade pode acabar sendo obrigada a reduzir significativamente os valores nas próximas semanas para evitar imagens de estádios parcialmente vazios logo no início do campeonato.

O cenário é ainda mais delicado porque os Estados Unidos foram escolhidos justamente como principal centro da competição e receberão a maior parte das partidas.

A expectativa era de que o mercado americano impulsionasse recordes históricos de receita e público.

Mas os números atuais indicam que o entusiasmo talvez não esteja acompanhando o tamanho da operação.

Hotéis e cidades-sede também começaram a sentir o impacto

A preocupação não está restrita apenas aos estádios.

Pesquisas realizadas com hotéis e operadores turísticos nas cidades-sede revelaram que muitas reservas seguem abaixo das expectativas iniciais para o período da Copa.

Segundo associações do setor hoteleiro americano, diversos empresários esperavam uma explosão de demanda semelhante à observada em outros megaeventos internacionais. Porém, até agora, o ritmo de reservas não alcançou o patamar previsto.

Isso acendeu um alerta importante porque a Copa de 2026 vinha sendo tratada como enorme oportunidade econômica para turismo, comércio e infraestrutura local.

Especialistas acreditam que parte dessa desaceleração também pode estar ligada ao custo elevado da experiência completa para o torcedor.

Além dos ingressos caros, muitos visitantes enfrentam despesas elevadas com hospedagem, transporte aéreo e alimentação dentro das cidades americanas.

Mesmo assim, analistas lembram que o torneio ainda pode ganhar força conforme a competição se aproxima e o clima de Copa começa a dominar o noticiário global.

Historicamente, grandes eventos esportivos costumam registrar aumento repentino na procura perto das partidas decisivas e após o início oficial do campeonato.

Mas o cenário atual já deixou claro que a FIFA talvez enfrente uma realidade diferente daquela imaginada quando expandiu a Copa do Mundo para dimensões inéditas.

Afinal, transformar o maior torneio da história em um sucesso absoluto exige mais do que aumentar o número de jogos. Também depende de convencer milhões de torcedores de que vale a pena pagar o preço cobrado para estar lá.

[Fonte: Newsweek]

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