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Tecnologia

Apple acusa ex-funcionário de roubar segredos para a OpenAI e tentar destruir as provas

A Apple apresentou novas acusações em seu processo contra a OpenAI. Segundo a empresa, um ex-funcionário teria baixado o esquema de um circuito altamente confidencial e utilizado um agente de inteligência artificial para executar simulações antes de tentar eliminar possíveis evidências.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Apple acaba de apresentar um novo capítulo de sua batalha judicial contra a OpenAI. Desta vez, a empresa afirma ter encontrado “evidências chocantes” no notebook de um ex-funcionário que deixou a companhia para trabalhar na desenvolvedora do ChatGPT.

Em um documento apresentado nesta segunda-feira ao Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, os advogados da Apple afirmaram que Chang Liu utilizou ilegalmente um MacBook fornecido pela empresa para baixar o esquema de um circuito considerado “altamente confidencial”.

Liu deixou a Apple e começou a trabalhar na OpenAI em janeiro.

Segundo a acusação, ele posteriormente carregou o esquema no LTspice, um software utilizado para simular o funcionamento de circuitos antes que eles sejam fisicamente construídos.

A OpenAI entregou o notebook aos investigadores no mês passado, cerca de seis semanas depois que o processo foi aberto, em 10 de julho.

Apple diz que ex-funcionário utilizou um agente de IA

Um dos elementos que mais chamou a atenção da Apple envolve justamente o uso de inteligência artificial.

Em uma mensagem de texto enviada por Liu em março e incluída no processo, o engenheiro teria afirmado que utilizou um agente de IA para executar de maneira autônoma as simulações do circuito no LTspice.

Para a Apple, isso torna a situação potencialmente ainda mais grave.

A equipe jurídica da empresa argumenta que, quando informações protegidas por segredo comercial são fornecidas a um agente ou modelo de IA capaz de “aprender” com esses dados, existe o risco de que esse conhecimento produza usos irreversíveis e continue se propagando.

O novo documento foi apresentado para reforçar um pedido anterior da Apple por acesso acelerado às provas relacionadas ao caso.

Liu também é acusado de tentar destruir evidências

As acusações não terminam no suposto uso das informações confidenciais.

Segundo os advogados da Apple, Liu teria tentado esconder seus rastros depois de descobrir que estava sendo investigado.

Em junho, ele teria conversado com Yu-Ting Peng, colega da OpenAI, sobre a destruição de determinados tipos de dados forenses que poderiam ser importantes para o processo.

A Apple também quer acesso a um Mac Mini que Liu supostamente utilizou para executar as simulações no LTspice.

Segundo a empresa, esse computador também deve ser entregue como evidência.

Os advogados argumentam que a recuperação acelerada desses dispositivos e informações é necessária porque a “extensão completa” da suposta conduta de Liu ainda permanece desconhecida.

OpenAI já havia rejeitado as acusações da Apple

A OpenAI respondeu ao processo no mês passado e rejeitou as acusações de roubo de propriedade intelectual.

A empresa classificou as alegações da Apple como “sem mérito” e afirmou que o processo seria motivado pelas dificuldades da fabricante do iPhone em competir por talentos e manter seus funcionários.

A OpenAI também relacionou a disputa aos problemas enfrentados pela Apple para integrar inteligência artificial aos seus produtos.

Além disso, a companhia defendeu Liu.

Segundo a OpenAI, o funcionário apenas teria ajudado antigos colegas da Apple a lidar com os complexos procedimentos internos necessários para deixar a empresa.

As novas alegações apresentadas pela Apple, porém, adicionam outra dimensão à disputa. Caso sejam comprovadas, podem fortalecer a tese de que informações confidenciais foram utilizadas de maneira inadequada.

Outro ex-funcionário também aparece no processo

Chang Liu não é o único ex-funcionário citado pela Apple.

O processo também envolve Tang Tan, contratado pela OpenAI no ano passado.

A Apple acusa Tan de incentivar funcionários que estavam deixando a empresa a discutir informações confidenciais durante entrevistas de emprego com a OpenAI.

A desenvolvedora do ChatGPT também contestou essa acusação.

Em sua resposta apresentada no mês passado, a OpenAI afirmou que a Apple não conseguiu identificar nenhum segredo comercial específico que teria sido compartilhado com Tan durante suas conversas com funcionários que estavam deixando a companhia.

Por esse motivo, segundo a OpenAI, não seria possível afirmar que Tan violou a Lei Federal de Defesa de Segredos Comerciais dos Estados Unidos, conhecida pela sigla DTSA.

A disputa judicial agora ganha ainda mais importância com as novas evidências apresentadas pela Apple.

Se as acusações forem confirmadas, o caso poderá levantar uma questão especialmente delicada para empresas de tecnologia: o que acontece quando informações protegidas por segredo comercial são inseridas em sistemas de inteligência artificial capazes de processá-las e potencialmente aprender com elas?

A OpenAI não havia respondido ao pedido de comentário do Gizmodo sobre as novas acusações da Apple até a publicação da reportagem.

 

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