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Tecnologia

Prepare-se para ver muito mais produtos da Amazon sendo promovidos no YouTube

A Amazon entrou oficialmente no programa de afiliados do YouTube Shopping. A parceria permitirá que criadores marquem produtos diretamente em vídeos, Shorts e transmissões ao vivo, recebendo comissões pelas compras realizadas pelos usuários.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Não estranhe se o seu YouTuber favorito começar a recomendar muito mais produtos da Amazon.

As duas empresas fecharam uma parceria que tornará mais fácil para criadores de conteúdo promover produtos da gigante do comércio eletrônico em seus vídeos e receber uma parte das vendas.

Na semana passada, a Amazon entrou oficialmente no YouTube Shopping Affiliate Program. Com isso, criadores elegíveis nos Estados Unidos poderão marcar produtos da Amazon diretamente em vídeos, Shorts e transmissões ao vivo.

Quando um usuário comprar um desses itens, o criador poderá receber uma comissão.

A novidade faz parte de uma estratégia muito maior do YouTube para transformar a plataforma em um importante destino para compras online.

YouTube quer conquistar o comércio eletrônico

Travis Katz, vice-presidente do YouTube Shopping, afirmou à Bloomberg que a iniciativa faz parte da aposta estratégica da Alphabet no comércio eletrônico.

Segundo o executivo, a empresa está adotando uma abordagem semelhante à utilizada anteriormente em áreas como podcasts e consumo de vídeos pela televisão.

Essas apostas funcionaram.

No ano passado, o YouTube revelou que mais de 1 bilhão de pessoas assistem a conteúdos de podcasts na plataforma todos os meses.

Em outubro, os usuários consumiram mais de 700 milhões de horas de podcasts em dispositivos conectados às televisões durante apenas um mês.

O YouTube também se transformou em uma potência na TV.

Dados da Nielsen mostraram que a plataforma respondeu por 13,8% de todo o tempo dedicado à televisão nos Estados Unidos em maio e junho.

Para comparação, em junho, a TV aberta ficou com 19,8% e os canais a cabo representaram 19,5%.

Agora, o próximo grande objetivo é conquistar as compras online.

“Os vídeos mudaram completamente a maneira como compramos”

Para Katz, a forma como os consumidores descobrem produtos mudou radicalmente.

“Antigamente, costumávamos olhar vitrines. Hoje, as pessoas navegam por vídeos”, afirmou o executivo à Bloomberg.

O YouTube lançou seu programa de afiliados nos Estados Unidos em 2024.

Desde então, a iniciativa chegou a diversos mercados internacionais, incluindo Índia, países do Sudeste Asiático, Brasil, México e Argentina.

O sistema permite que criadores marquem produtos de varejistas diretamente dentro do conteúdo.

Isso elimina parte da dependência dos tradicionais links de afiliados colocados nas descrições dos vídeos ou nos comentários.

Para o usuário, significa poder encontrar e comprar um produto enquanto assiste ao conteúdo.

Para o criador, representa uma nova maneira de ganhar dinheiro com sua audiência.

Compras no YouTube cresceram 13 vezes

Os números ajudam a explicar por que a Alphabet está aumentando seus investimentos nessa área.

Segundo Katz, o volume bruto de mercadorias do YouTube Shopping — ou seja, o valor total dos produtos vendidos pelo programa — cresceu 13 vezes globalmente entre o primeiro trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2026.

O interesse dos usuários também é enorme.

Todos os dias, aproximadamente 110 milhões de horas de vídeos relacionados a compras são assistidas no YouTube.

Além disso, mais de 1 milhão de criadores já participam do YouTube Shopping, segundo a Bloomberg.

A Amazon agora se junta a grandes varejistas que já fazem parte do programa, incluindo Walmart, Sephora e Home Depot.

TikTok também está apostando pesado nas compras

O YouTube não está sozinho nessa corrida.

O TikTok fechou sua própria parceria com a Amazon em 2024 e também vem apostando no crescimento do comércio eletrônico dentro dos vídeos.

Plataformas como TikTok e Whatnot ajudaram a popularizar principalmente o chamado livestream shopping.

O conceito mistura entretenimento e comércio eletrônico. Durante transmissões ao vivo, criadores apresentam produtos e incentivam os espectadores a comprá-los naquele momento.

É uma espécie de versão moderna do tradicional canal de televendas QVC, mas adaptada para a geração que cresceu com TikTok, YouTube e influenciadores digitais.

YouTube acredita ter uma vantagem importante

Apesar da concorrência, o YouTube acredita possuir características que podem colocá-lo em uma posição privilegiada.

Uma delas é a maneira como as pessoas utilizam a plataforma para pesquisar produtos antes de comprar.

“Somos o segundo maior mecanismo de busca do mundo, então as pessoas usam o YouTube para pesquisar de uma forma que não fazem em outras plataformas”, afirmou Katz.

O executivo também destacou a integração com o ecossistema do Google.

Segundo ele, tecnologias como o Gemini poderão ser utilizadas para desenvolver novas experiências relacionadas às compras dentro da plataforma.

A combinação é poderosa: vídeos de reviews e recomendações, milhões de criadores, ferramentas de inteligência artificial e agora acesso direto ao gigantesco catálogo da Amazon.

Para quem assiste ao YouTube, a consequência provavelmente será bastante perceptível.

Os vídeos podem continuar sendo entretenimento, tutoriais ou análises de produtos. Mas cada vez mais também poderão funcionar como vitrines digitais — com um botão de compra a poucos cliques de distância.

Amazon e YouTube não responderam imediatamente aos pedidos de comentários adicionais.

 

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