Zelensky diz que vai propor alternativas ao plano de paz
Falando em frente ao palácio presidencial em Kiev, Zelensky foi direto: pretende confrontar o plano apresentado pelos Estados Unidos.
“Vou apresentar argumentos, tentar persuadir e propor alternativas”, afirmou.
O tom do discurso foi de alerta. Segundo o presidente, a Ucrânia pode ser forçada a fazer uma escolha difícil: abrir mão da própria dignidade ou arriscar a relação com um parceiro essencial — uma referência aos EUA.
O plano de paz vem ganhando força nos bastidores e pode redefinir completamente o futuro da guerra na Ucrânia.
“O inimigo não está dormindo”, alerta o presidente
Para Zelensky, os próximos dias serão críticos. Ele afirmou que o país enfrentará pressões intensas para enfraquecer a resistência interna.
“O inimigo não está dormindo”, disse.
Mesmo sob pressão, ele afirmou que a Ucrânia vai manter uma postura estratégica e diplomática, trabalhando de forma silenciosa com os aliados. O foco, segundo ele, é preservar o interesse nacional.
Paralelamente, Zelensky já iniciou diálogos com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance. Segundo informações da imprensa americana, o contato foi direto e teve como pauta exatamente o conteúdo do plano de paz.
Trump pressiona e fala em perda de território
Donald Trump, em entrevista recente, afirmou que a Ucrânia pode perder mais território “em pouco tempo” caso não aceite o acordo. Segundo fontes da Casa Branca, a ideia é que o plano de paz seja assinado até o dia 27 de novembro, data do feriado de Ação de Graças nos EUA.
Trump também minimizou o risco de novas ofensivas russas contra outros países da Europa.
Segundo ele, “a Rússia será contida” e “não está buscando novas guerras”. Essas falas geraram forte reação de analistas internacionais, que veem contradições no discurso.
O que prevê o plano de paz em discussão
A minuta do plano de paz foi revelada por um político da oposição ucraniana e confirmada por fontes da Casa Branca. O documento tem 28 pontos e prevê mudanças profundas na dinâmica da guerra na Ucrânia.
Veja os principais trechos:
Cessar-fogo imediato
O combate seria interrompido assim que ambas as partes aceitassem os termos.
Cessão de territórios
A Ucrânia cederia áreas que hoje não estão totalmente ocupadas. A Rússia manteria controle sobre a Crimeia, Donetsk e Luhansk, com reconhecimento de fato pelos EUA.
Bloqueio à entrada na OTAN
A Ucrânia abandonaria o plano de entrar na OTAN, embora a porta para a União Europeia permaneceria aberta.
Limitação das Forças Armadas
O exército ucraniano seria reduzido para cerca de 600 mil soldados.
Garantia militar dos EUA
Se a Rússia invadisse novamente, os EUA responderiam militarmente e restabeleceriam sanções.
Eleições em até 100 dias
A Ucrânia seria obrigada a convocar eleições, mesmo em cenário pós-guerra.
Plano econômico
Cerca de US$ 100 bilhões em ativos russos congelados seriam usados para reconstruir o país.
Esse plano de paz é considerado, internamente, um dos documentos mais polêmicos desde o início da guerra na Ucrânia.
Por que Zelensky está em uma posição tão delicada
Para Zelensky, aceitar o acordo pode significar o fim imediato do conflito — mas ao custo de soberania territorial. Recusar, por outro lado, pode gerar isolamento político e perda de apoio militar estrangeiro.
A guerra na Ucrânia já atravessa anos de desgaste, milhares de mortes e colapso econômico. Agora, o país se vê diante de uma decisão que pode redefinir sua existência como nação.
Um momento que pode mudar tudo
O mundo acompanha de perto o desfecho desse impasse. O plano de paz, a posição de Zelensky e os rumos da guerra na Ucrânia estão no centro da geopolítica global.
A próxima semana será decisiva. A dúvida que fica é: a Ucrânia vai aceitar um acordo que pode encerrar a guerra — ou lutar até o fim para manter sua integridade?
[Fonte: Correio Braziliense]