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A “chuva” que não vem do céu: a solução adotada na China para resfriar prédios pode reduzir o uso de ar-condicionado em até 40%

Em algumas cidades chinesas, edifícios residenciais estão sendo resfriados por uma tecnologia simples, mas eficiente: sistemas que pulverizam água sobre os telhados para diminuir a temperatura antes mesmo que o calor entre nas construções. A proposta pode reduzir significativamente o consumo de energia, embora funcione melhor em climas secos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

À medida que as ondas de calor se tornam mais frequentes e intensas, cresce a busca por alternativas capazes de aliviar as altas temperaturas sem aumentar ainda mais o consumo de eletricidade. Enquanto muitos países ainda discutem ampliar o uso do ar-condicionado, algumas cidades da China vêm apostando em uma estratégia diferente: resfriar os próprios edifícios antes que eles aqueçam. A técnica utiliza pulverização de água sobre os telhados para reduzir a temperatura das construções e diminuir a necessidade de refrigeração artificial.

Como funciona a “chuva” criada sobre os telhados

Na cidade de Yuncheng, na província chinesa de Shanxi, alguns condomínios residenciais instalaram sistemas que borrifam uma fina névoa de água sobre os telhados durante os períodos mais quentes do dia.

A evaporação dessas microgotículas retira calor da superfície das construções, reduzindo rapidamente sua temperatura.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas, os telhados podem ficar entre 5 °C e 8 °C mais frios poucos minutos após o acionamento do sistema.

Outra tecnologia semelhante, conhecida como HY-WSWD, afirma conseguir reduzir em até 10 °C a temperatura da cobertura dos edifícios e diminuir entre 20% e 30% o consumo de energia com ar-condicionado.

Embora o método tenha chamado atenção nas redes sociais, ele não faz parte, pelo menos por enquanto, de uma política nacional. A adoção vem ocorrendo por iniciativa de comunidades residenciais que decidiram instalar esse tipo de equipamento para enfrentar as altas temperaturas do verão.

Uma tecnologia antiga aplicada em larga escala

O princípio físico por trás do sistema está longe de ser uma novidade.

O chamado resfriamento evaporativo utiliza a evaporação da água para remover calor do ambiente, exatamente como ocorre quando o suor evapora da pele humana.

Essa tecnologia já aparece em patentes registradas nos Estados Unidos desde a década de 1970 e é empregada há anos em cidades de clima quente e seco, como Phoenix e Tempe, no estado do Arizona.

A própria China possui um antecedente muito mais antigo.

Há mais de mil anos, durante a dinastia Tang, o Salão Hanliang, localizado no Palácio Daming, utilizava um sistema hidráulico que fazia a água circular até o telhado e cair pelas extremidades do edifício, formando uma espécie de cortina d’água responsável por refrescar o ambiente ao redor.

A diferença agora está na escala de aplicação.

O objetivo é resfriar o prédio inteiro, não apenas as pessoas

Em muitas cidades do Ocidente, sistemas de nebulização costumam ser instalados em praças, restaurantes e áreas externas para oferecer conforto térmico a quem circula nesses locais.

Na China, a proposta é diferente.

Em vez de climatizar apenas pequenos espaços, o objetivo é reduzir o aquecimento da própria estrutura do edifício.

Ao manter o telhado mais frio, diminui-se a quantidade de calor absorvida pela construção ao longo do dia. Como consequência, os apartamentos permanecem mais frescos e o ar-condicionado precisa trabalhar menos para manter uma temperatura confortável.

Esse conceito também ajuda a combater outro problema típico das grandes cidades: a ilha de calor urbana.

Os aparelhos de ar-condicionado convencionais retiram calor do interior das residências, mas o liberam para o ambiente externo. Quando milhares de equipamentos funcionam simultaneamente, esse calor residual contribui para elevar ainda mais a temperatura das cidades, especialmente durante a noite.

No sistema evaporativo, parte desse calor é eliminada antes mesmo de penetrar na construção.

A economia de energia pode ser significativa

O interesse pela tecnologia também está relacionado ao enorme consumo energético provocado pela climatização.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a China é atualmente o maior consumidor mundial de eletricidade destinada ao funcionamento de aparelhos de ar-condicionado.

A agência também projeta que a demanda por refrigeração na Ásia poderá triplicar até 2050.

Estudos sobre sistemas evaporativos indicam que eles podem reduzir entre 30% e 40% o consumo de energia quando comparados aos sistemas convencionais de ar-condicionado, principalmente porque diminuem a carga térmica do edifício antes que os equipamentos sejam acionados.

A tecnologia tem uma limitação importante

Apesar dos benefícios, o sistema não funciona bem em qualquer lugar.

Sua eficiência depende de ambientes com baixa umidade relativa do ar.

Em regiões de clima seco, como Shanxi, a evaporação ocorre rapidamente e proporciona um resfriamento bastante eficiente.

Já em cidades úmidas, como Shenzhen, no sul da China, o desempenho é muito menor.

Nessas condições, o ar já contém grande quantidade de vapor d’água, dificultando a evaporação e reduzindo significativamente o efeito de resfriamento. Em alguns casos, o aumento da umidade pode até piorar a sensação térmica.

Além disso, existe outra questão importante: o consumo contínuo de água.

Embora a tecnologia economize eletricidade, ela depende de um recurso natural que também enfrenta crescente pressão em diversas regiões do mundo. Por isso, especialistas defendem que sua adoção seja cuidadosamente avaliada de acordo com as características climáticas e a disponibilidade hídrica de cada local.

Ainda assim, a experiência chinesa mostra que soluções relativamente simples podem ajudar a enfrentar o aumento das temperaturas sem depender exclusivamente da expansão do uso do ar-condicionado, oferecendo novas alternativas para cidades que precisarão conviver com verões cada vez mais quentes nas próximas décadas.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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