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Ciência

A ciência descobriu se vale a pena fazer todo o exercício apenas no fim de semana

Um grande estudo investigou se concentrar toda a atividade física no fim de semana oferece os mesmos benefícios que treinar vários dias por semana. Os resultados desafiam uma ideia bastante comum.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Conciliar trabalho, estudos, família e exercícios físicos é um desafio para milhões de pessoas. Por isso, muita gente deixa para praticar esportes apenas aos sábados e domingos, acreditando que esse hábito talvez não seja suficiente para proteger a saúde. Agora, uma pesquisa com dezenas de milhares de participantes traz uma resposta animadora e mostra que o mais importante pode não ser exatamente quando você se exercita, mas quanto consegue se movimentar ao longo da semana.

O estudo comparou quem treina todos os dias com os chamados “guerreiros de fim de semana”

A ciência descobriu se vale a pena fazer todo o exercício apenas no fim de semana
© Pexels

As recomendações internacionais de saúde orientam que adultos realizem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. Tradicionalmente, muitas pessoas interpretam essa meta como uma rotina distribuída ao longo da semana.

Na prática, porém, nem todos conseguem seguir esse padrão. Compromissos profissionais, jornadas longas e falta de tempo fazem com que muitos concentrem praticamente todo o exercício físico em um ou dois dias, especialmente nos fins de semana.

Esse comportamento, conhecido entre pesquisadores como o dos “guerreiros de fim de semana”, foi justamente o foco de um estudo conduzido por cientistas do Hospital Geral de Massachusetts, afiliado à Universidade Harvard. Os resultados foram publicados na revista científica Circulation.

Os pesquisadores queriam descobrir se realizar toda a carga semanal de exercícios em poucos dias seria menos eficiente do que distribuí-la ao longo da semana ou se ambos os hábitos poderiam oferecer benefícios semelhantes para a saúde.

Para responder a essa pergunta, a equipe analisou dados de aproximadamente 90 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações médicas do mundo.

Todos os voluntários utilizaram acelerômetros de pulso durante uma semana. Esses dispositivos registraram objetivamente o volume e a intensidade da atividade física realizada, permitindo aos cientistas classificar os participantes em três grupos: praticantes regulares, “guerreiros de fim de semana” e pessoas fisicamente inativas.

Os resultados mostram que a quantidade de exercício pode ser mais importante que a frequência

A ciência descobriu se vale a pena fazer todo o exercício apenas no fim de semana
© Pexels

Depois de acompanhar os dados, os pesquisadores cruzaram os padrões de atividade física com a ocorrência de centenas de doenças.

Ao todo, foram avaliadas associações com 678 condições médicas distribuídas em 16 grandes grupos, incluindo doenças cardiovasculares, metabólicas, neurológicas, digestivas e transtornos relacionados à saúde mental.

Os resultados mostraram que tanto quem praticava exercícios regularmente quanto aqueles que concentravam toda a atividade física em apenas um ou dois dias apresentavam reduções significativas no risco de desenvolver 264 doenças quando comparados às pessoas sedentárias.

As diferenças entre os dois grupos ativos foram pequenas.

Entre os exemplos mais expressivos, o risco de hipertensão foi cerca de 23% menor entre os “guerreiros de fim de semana” e 28% menor entre quem se exercitava regularmente.

No caso do diabetes tipo 2, a redução foi de aproximadamente 43% para quem concentrava os exercícios em poucos dias e de 46% para aqueles que mantinham uma rotina distribuída ao longo da semana.

Também foram observadas reduções importantes nos riscos de obesidade, apneia do sono e outras doenças cardiometabólicas, em alguns casos próximas de 50% nos dois grupos.

Esses resultados sugerem que atingir o volume semanal recomendado de atividade física produz benefícios bastante semelhantes, independentemente da forma como os minutos são distribuídos.

O recado da pesquisa é animador para quem vive sem tempo

Segundo os autores, os resultados indicam que o fator mais importante parece ser a quantidade total de atividade física realizada durante a semana, e não necessariamente o número de dias dedicados ao exercício.

Isso significa que pessoas que não conseguem manter uma rotina diária de treinos ainda podem obter benefícios relevantes para a saúde ao concentrar suas atividades no fim de semana, desde que alcancem a recomendação mínima de aproximadamente 150 minutos semanais de exercícios moderados ou intensos.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que isso não elimina a necessidade de adaptar a prática às condições individuais. Pessoas com doenças cardiovasculares, problemas ortopédicos ou outras limitações devem buscar orientação profissional antes de realizar atividades intensas concentradas em poucos dias.

Ainda assim, a pesquisa traz uma mensagem importante para quem costuma usar a falta de tempo como justificativa para permanecer sedentário.

Os autores defendem que programas de saúde pública passem a incentivar qualquer padrão de atividade física que permita atingir as recomendações semanais, em vez de enfatizar apenas a distribuição ideal dos treinos.

Em outras palavras, para a maioria das pessoas, movimentar-se continua sendo muito melhor do que não fazer exercício algum. E, segundo esse grande estudo, se a única oportunidade disponível for o fim de semana, ela ainda pode representar um enorme ganho para a saúde no longo prazo.

[Fonte: TN]

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