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Ciência

A ciência mostra como treinar o cérebro para reduzir a ansiedade com um mecanismo que todos possuem

Pesquisas indicam que o cérebro pode aprender novas formas de reagir ao estresse. O segredo está em um processo natural que vem transformando a forma como especialistas entendem a ansiedade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A ansiedade faz parte da vida e, em certa medida, é uma resposta importante para lidar com desafios. O problema surge quando esse estado de alerta permanece ativado por tempo demais e começa a interferir na rotina. Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar um mecanismo do cérebro que pode ajudar a modificar essa resposta. Chamado de neuroplasticidade, ele revela que nossa mente é muito mais adaptável do que se imaginava.

A neuroplasticidade permite que o cérebro aprenda novas formas de lidar com o estresse

A ciência mostra como treinar o cérebro para reduzir a ansiedade com um mecanismo que todos possuem
© Unsplash

Durante muito tempo acreditou-se que o cérebro permanecia praticamente imutável após a vida adulta. Hoje, a ciência sabe que isso não é verdade.

A neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de reorganizar conexões entre neurônios ao longo da vida em resposta às experiências, ao aprendizado e aos hábitos cotidianos.

Esse processo permite que o cérebro fortaleça determinados circuitos enquanto enfraquece outros, adaptando-se continuamente às demandas do ambiente.

No caso da ansiedade, essa característica ganha importância porque as respostas exageradas ao estresse também dependem das conexões neurais que são reforçadas ao longo do tempo.

Quando uma pessoa interpreta uma situação como ameaçadora, entra em ação uma região cerebral conhecida como amígdala, responsável por iniciar respostas relacionadas ao medo e ao estado de alerta.

Como consequência, há aumento na produção de hormônios como cortisol e adrenalina, aceleração dos batimentos cardíacos e maior tendência a antecipar cenários negativos.

O problema surge quando esse mecanismo permanece ativado mesmo diante de situações que não representam perigo real, tornando a ansiedade frequente e difícil de controlar.

Segundo pesquisadores, é justamente nesse ponto que a neuroplasticidade pode contribuir para modificar gradualmente a forma como o cérebro responde ao estresse.

Atenção plena e respiração estão entre as estratégias mais estudadas

Diversas pesquisas apontam que determinados hábitos podem favorecer mudanças positivas nos circuitos cerebrais envolvidos na regulação emocional.

Estudos conduzidos pela Harvard University observaram que a prática regular de meditação e mindfulness pode produzir alterações em áreas do cérebro relacionadas ao processamento das emoções.

Os pesquisadores identificaram que pessoas que cultivam essas práticas tendem a apresentar menor reatividade da amígdala diante de situações estressantes, favorecendo respostas mais equilibradas.

Um dos primeiros passos recomendados pelos especialistas consiste em reconhecer a ansiedade quando ela surge, em vez de tentar suprimi-la imediatamente.

Ao identificar pensamentos, emoções e sensações físicas, a pessoa cria um intervalo entre o estímulo e a reação automática, permitindo respostas mais conscientes.

Nesse contexto, o mindfulness, ou atenção plena, tornou-se uma das estratégias mais utilizadas.

A prática consiste em direcionar deliberadamente a atenção para o momento presente, reduzindo a tendência da mente de permanecer presa a preocupações futuras ou lembranças negativas.

Embora muitas pessoas associem o mindfulness apenas à meditação, ele também pode ser praticado durante atividades simples do cotidiano, como caminhar, alimentar-se ou dedicar alguns minutos à respiração consciente.

Outro recurso frequentemente recomendado é a respiração diafragmática. Quando a respiração se torna lenta e profunda, o sistema nervoso parassimpático é ativado, reduzindo o estado de alerta do organismo.

Isso contribui para diminuir a frequência cardíaca, estabilizar a pressão arterial e sinalizar ao cérebro que a situação é segura.

Sono, exercícios e escrita também ajudam a fortalecer a saúde mental

A capacidade do cérebro de se reorganizar não depende apenas de técnicas psicológicas.

Hábitos diários também exercem papel fundamental nesse processo.

Dormir pelo menos sete horas por noite favorece a consolidação das conexões neurais formadas durante o dia e melhora a regulação das emoções.

A prática regular de atividade física também apresenta benefícios importantes. Caminhadas, corrida, natação e outros exercícios estimulam a liberação de substâncias como endorfinas e serotonina, associadas à sensação de bem-estar, ao mesmo tempo em que ajudam a reduzir os níveis de cortisol.

Outra estratégia bastante utilizada é o chamado journaling, ou registro escrito das emoções e preocupações.

Segundo especialistas, colocar os pensamentos no papel facilita a identificação de padrões repetitivos e permite analisar problemas com maior objetividade, diminuindo a sensação de perda de controle.

Os pesquisadores ressaltam que a ansiedade não deve ser encarada como um inimigo a ser eliminado completamente.

Ela faz parte do funcionamento normal do cérebro e desempenha um papel importante na identificação de riscos.

O objetivo da neuroplasticidade não é impedir que essa emoção exista, mas ajudar o cérebro a responder de forma mais equilibrada diante do estresse.

Com a combinação de hábitos saudáveis, atenção plena, boa qualidade do sono, exercícios físicos e estratégias de autorregulação emocional, a ciência indica que é possível fortalecer gradualmente circuitos cerebrais associados ao autocontrole e à resiliência, reduzindo o impacto da ansiedade na vida cotidiana.

[Fonte: La verdad noticias]

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