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Tecnologia

A estratégia naval da Rússia pode mudar com a chegada de um novo submarino nuclear

Um novo submarino nuclear desenvolvido para operar uma das armas mais comentadas da atualidade avança para a fase decisiva de testes. Se tudo ocorrer como previsto, ele poderá inaugurar uma nova etapa na estratégia naval russa.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A disputa pela superioridade militar nos mares continua acelerando o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais sofisticadas. Entre navios furtivos, drones navais e armas de longo alcance, um novo submarino russo chama atenção por ter sido projetado para operar um armamento que promete reduzir drasticamente o tempo de reação dos adversários. Embora ainda existam etapas importantes antes de sua entrada em serviço, o projeto já desperta interesse entre analistas militares de todo o mundo.

Um submarino criado para uma nova geração de armamentos

A Rússia pretende incorporar ainda em 2026 um de seus submarinos nucleares mais modernos. Batizado de Perm, o navio faz parte da classe Yasen-M (Projeto 885M) e está concluindo a fase final de testes antes de integrar oficialmente a Frota do Pacífico.

A previsão foi anunciada pelo comandante da Marinha russa, Aleksandr Moiseyev. No entanto, ainda não existe uma data definitiva para sua entrada em operação. Antes disso, o submarino precisa concluir com sucesso as avaliações marítimas e os testes estatais, etapas que frequentemente provocam atrasos mesmo em programas militares altamente avançados.

A construção do Perm começou em julho de 2016, no estaleiro Sevmash, um dos principais centros de produção de submarinos nucleares da Rússia. A embarcação foi lançada ao mar em março de 2025 e representa a quinta unidade construída segundo o padrão modernizado da classe Yasen-M.

Embora faça parte de uma família de submarinos já conhecida, o Perm possui uma característica que o diferencia dos demais e explica por que ele vem sendo acompanhado com tanta atenção.

O diferencial está na integração dos mísseis hipersônicos

Ao contrário dos submarinos estratégicos voltados principalmente ao transporte de mísseis balísticos intercontinentais, o Perm foi desenvolvido como uma plataforma multipropósito.

Sua missão inclui localizar submarinos inimigos, atacar embarcações de superfície e lançar mísseis de cruzeiro contra alvos terrestres a grandes distâncias.

Os submarinos da classe Yasen-M já podem operar armamentos como os mísseis Kalibr e Oniks. Porém, o Perm foi o primeiro da classe concebido desde sua construção para utilizar regularmente o 3M22 Zircon, o míssil hipersônico que Moscou considera um dos principais pilares de sua nova estratégia naval.

Isso não significa que o Zircon seja uma novidade absoluta para os submarinos russos. Em 2021, o submarino Severodvinsk realizou lançamentos experimentais do armamento, tanto na superfície quanto submerso. A diferença é que essas operações serviram apenas como testes, enquanto o Perm foi projetado para incorporar o míssil como parte permanente de seu arsenal.

Segundo informações divulgadas pela Rússia, o Zircon pode atingir velocidades próximas de Mach 9 e alcançar alvos localizados a cerca de 1.000 quilômetros de distância. No entanto, muitos desses dados ainda não foram confirmados de forma independente por especialistas internacionais.

O desafio não está apenas na velocidade

A principal vantagem atribuída aos mísseis hipersônicos é a redução significativa do tempo disponível para defesa.

Quanto maior a velocidade do projétil, menor é o intervalo entre sua detecção e o possível impacto. Quando esse lançamento ocorre a partir de um submarino nuclear, o desafio aumenta ainda mais, já que primeiro seria necessário localizar uma plataforma que pode permanecer escondida sob o oceano durante longos períodos.

Mesmo assim, especialistas alertam que o termo “hipersônico” não significa que o míssil seja impossível de detectar ou interceptar.

Sua eficiência depende de diversos fatores, como trajetória, altitude de voo, capacidade de realizar manobras, precisão na navegação e desempenho contra alvos em movimento. Além disso, boa parte das informações disponíveis sobre o Zircon tem origem em anúncios oficiais do governo russo, sem confirmação completa por fontes independentes.

Caso seja incorporado conforme o cronograma previsto, o Perm reforçará a presença militar russa no Oceano Pacífico, uma região onde também atuam importantes forças navais dos Estados Unidos, Japão e China.

Sua combinação de propulsão nuclear, baixa assinatura acústica e armamentos de longo alcance poderá ampliar a capacidade operacional da Marinha russa em uma área considerada estratégica para o equilíbrio militar global.

Ainda assim, o submarino só cumprirá esse papel após concluir todos os testes, receber aprovação oficial e demonstrar que pode operar seus sistemas de forma segura e confiável. Até lá, sua entrada em serviço continua sendo uma meta anunciada por Moscou, mas ainda depende dos resultados obtidos nas avaliações finais.

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