A disputa pela superioridade militar nos mares continua acelerando o desenvolvimento de tecnologias cada vez mais sofisticadas. Entre navios furtivos, drones navais e armas de longo alcance, um novo submarino russo chama atenção por ter sido projetado para operar um armamento que promete reduzir drasticamente o tempo de reação dos adversários. Embora ainda existam etapas importantes antes de sua entrada em serviço, o projeto já desperta interesse entre analistas militares de todo o mundo.
Um submarino criado para uma nova geração de armamentos
A Rússia pretende incorporar ainda em 2026 um de seus submarinos nucleares mais modernos. Batizado de Perm, o navio faz parte da classe Yasen-M (Projeto 885M) e está concluindo a fase final de testes antes de integrar oficialmente a Frota do Pacífico.
A previsão foi anunciada pelo comandante da Marinha russa, Aleksandr Moiseyev. No entanto, ainda não existe uma data definitiva para sua entrada em operação. Antes disso, o submarino precisa concluir com sucesso as avaliações marítimas e os testes estatais, etapas que frequentemente provocam atrasos mesmo em programas militares altamente avançados.
A construção do Perm começou em julho de 2016, no estaleiro Sevmash, um dos principais centros de produção de submarinos nucleares da Rússia. A embarcação foi lançada ao mar em março de 2025 e representa a quinta unidade construída segundo o padrão modernizado da classe Yasen-M.
Embora faça parte de uma família de submarinos já conhecida, o Perm possui uma característica que o diferencia dos demais e explica por que ele vem sendo acompanhado com tanta atenção.
🚨🇷🇺 NATO IN PANIC: RUSSIA’S FIRST ZIRCON-ARMED NUCLEAR SUBMARINE IS ENTERING SERVICE
Russia’s Project 885M nuclear submarine Perm is expected to complete trials and join the Navy before the end of 2026. It will be Russia’s first multipurpose nuclear submarine built from the… pic.twitter.com/H03q26ipoF
— NewRulesGeopolitics (@NewRulesGeo) July 31, 2026
O diferencial está na integração dos mísseis hipersônicos
Ao contrário dos submarinos estratégicos voltados principalmente ao transporte de mísseis balísticos intercontinentais, o Perm foi desenvolvido como uma plataforma multipropósito.
Sua missão inclui localizar submarinos inimigos, atacar embarcações de superfície e lançar mísseis de cruzeiro contra alvos terrestres a grandes distâncias.
Os submarinos da classe Yasen-M já podem operar armamentos como os mísseis Kalibr e Oniks. Porém, o Perm foi o primeiro da classe concebido desde sua construção para utilizar regularmente o 3M22 Zircon, o míssil hipersônico que Moscou considera um dos principais pilares de sua nova estratégia naval.
Isso não significa que o Zircon seja uma novidade absoluta para os submarinos russos. Em 2021, o submarino Severodvinsk realizou lançamentos experimentais do armamento, tanto na superfície quanto submerso. A diferença é que essas operações serviram apenas como testes, enquanto o Perm foi projetado para incorporar o míssil como parte permanente de seu arsenal.
Segundo informações divulgadas pela Rússia, o Zircon pode atingir velocidades próximas de Mach 9 e alcançar alvos localizados a cerca de 1.000 quilômetros de distância. No entanto, muitos desses dados ainda não foram confirmados de forma independente por especialistas internacionais.
O desafio não está apenas na velocidade
Quanto maior a velocidade do projétil, menor é o intervalo entre sua detecção e o possível impacto. Quando esse lançamento ocorre a partir de um submarino nuclear, o desafio aumenta ainda mais, já que primeiro seria necessário localizar uma plataforma que pode permanecer escondida sob o oceano durante longos períodos.
Mesmo assim, especialistas alertam que o termo “hipersônico” não significa que o míssil seja impossível de detectar ou interceptar.
Sua eficiência depende de diversos fatores, como trajetória, altitude de voo, capacidade de realizar manobras, precisão na navegação e desempenho contra alvos em movimento. Além disso, boa parte das informações disponíveis sobre o Zircon tem origem em anúncios oficiais do governo russo, sem confirmação completa por fontes independentes.
Caso seja incorporado conforme o cronograma previsto, o Perm reforçará a presença militar russa no Oceano Pacífico, uma região onde também atuam importantes forças navais dos Estados Unidos, Japão e China.
Sua combinação de propulsão nuclear, baixa assinatura acústica e armamentos de longo alcance poderá ampliar a capacidade operacional da Marinha russa em uma área considerada estratégica para o equilíbrio militar global.
Ainda assim, o submarino só cumprirá esse papel após concluir todos os testes, receber aprovação oficial e demonstrar que pode operar seus sistemas de forma segura e confiável. Até lá, sua entrada em serviço continua sendo uma meta anunciada por Moscou, mas ainda depende dos resultados obtidos nas avaliações finais.