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Ciência

A Lua está alterando lentamente a rotação da Terra, dizem cientistas

Um processo que acontece de forma contínua há bilhões de anos está modificando lentamente o nosso planeta. Os efeitos passam despercebidos hoje, mas podem mudar completamente a forma como medimos o tempo no futuro.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando pensamos nas mudanças que moldam a Terra, normalmente imaginamos terremotos, vulcões ou mudanças climáticas. Mas existe um fenômeno muito mais silencioso, que ocorre desde muito antes do surgimento da humanidade e continua atuando neste exato momento. Ele é praticamente imperceptível no dia a dia, mas influencia diretamente a rotação do planeta e poderá alterar, de forma definitiva, a duração dos dias em um futuro extremamente distante.

Um processo invisível vem desacelerando a Terra há bilhões de anos

A duração de um dia nem sempre foi de 24 horas. Nos primeiros capítulos da história do planeta, a Terra girava significativamente mais rápido, fazendo com que os dias fossem muito mais curtos. Ao longo de bilhões de anos, porém, essa velocidade diminuiu de forma gradual devido a um processo natural que continua acontecendo até hoje.

Grande parte dessa transformação está ligada à interação gravitacional entre a Terra e a Lua. A atração exercida pelo satélite provoca as marés nos oceanos, mas essas enormes massas de água não permanecem perfeitamente alinhadas com a posição da Lua. Como o planeta continua girando, ocorre um pequeno deslocamento dessas marés, criando um efeito semelhante a um freio.

Essa interação faz com que uma pequena parte da energia da rotação terrestre seja transferida para a órbita lunar. Como consequência, a Terra gira cada vez mais devagar, enquanto a Lua se afasta lentamente do planeta a uma velocidade próxima de quatro centímetros por ano. Esse movimento é conhecido graças às medições realizadas com refletores deixados na superfície lunar durante as missões Apollo.

Uma projeção simples indica que, mantendo-se uma tendência semelhante, os dias poderiam alcançar 25 horas daqui a cerca de 200 milhões de anos. No entanto, essa estimativa não representa uma previsão exata. A velocidade da rotação terrestre sofre influência de diversos fatores naturais, o que impede estabelecer uma data precisa para essa mudança.

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© Scott Webb

Nem todos os “dias” possuem exatamente a mesma duração

A ideia de que um dia sempre dura 24 horas depende da forma como ele é medido. O chamado dia solar médio, utilizado como referência para nossos relógios, realmente possui essa duração. Já o dia sideral, calculado com base na posição das estrelas, é cerca de quatro minutos mais curto.

Essa diferença acontece porque, enquanto gira em torno do próprio eixo, a Terra também percorre sua órbita ao redor do Sol. Assim, precisa completar uma pequena rotação adicional para que o Sol volte a aparecer na mesma posição aparente no céu.

Existe ainda o dia solar aparente, cuja duração varia ligeiramente ao longo do ano devido à órbita elíptica do planeta e à inclinação do eixo terrestre. Essas variações são de apenas alguns segundos e não alteram a duração oficial dos dias utilizados pela sociedade.

Os cientistas estimam que o atrito provocado pelas marés lunares aumenta, em média, cerca de 2 milissegundos na duração do dia a cada século. Ainda assim, esse ritmo não permanece constante. A posição dos continentes, a profundidade dos oceanos, as correntes marítimas e até mudanças na atmosfera influenciam esse processo ao longo das eras geológicas.

Mudanças naturais e humanas também influenciam a rotação do planeta

Embora a Lua seja a principal responsável por essa desaceleração gradual, outros fenômenos também exercem influência sobre a velocidade de rotação da Terra, ainda que de forma extremamente pequena.

Grandes terremotos, movimentos das correntes oceânicas, circulação atmosférica, derretimento de geleiras e até a construção de enormes reservatórios modificam a distribuição da massa do planeta. Isso produz efeitos semelhantes aos de um patinador que abre ou fecha os braços durante um giro, alterando levemente sua velocidade.

Um exemplo bastante conhecido é a hidrelétrica das Três Gargantas, na China. Mesmo sendo uma das maiores obras de engenharia do mundo, seu impacto sobre a duração do dia é praticamente imperceptível, medido em frações de microssegundos.

As mudanças climáticas também contribuem para esse processo ao redistribuir água e gelo pelo planeta, mas seus efeitos continuam sendo minúsculos quando comparados à escala do tempo humano.

Por isso, não existe qualquer possibilidade de precisarmos ajustar nossos relógios por causa desse fenômeno nas próximas gerações. Os dias de 25 horas pertencem a um futuro tão distante que a própria configuração dos continentes, dos oceanos e da vida na Terra provavelmente será completamente diferente. O importante é que a física confirma uma tendência contínua: nosso planeta continua mudando, mesmo quando quase ninguém consegue perceber.

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