Depois do banho, da piscina ou de um mergulho no mar, é comum tentar secar o ouvido colocando a ponta da toalha dentro dele. Há também quem aproveite para usar um cotonete e retirar a cera. Apesar da sensação de limpeza, esse hábito pode fazer justamente o contrário.
O ouvido possui seu próprio sistema de autolimpeza. A pele do canal auditivo externo se movimenta lentamente para fora, levando junto cera antiga, células mortas e pequenas partículas. Na maioria das pessoas, portanto, não é necessário retirar manualmente aquilo que está dentro do canal.
A cera do ouvido não é sujeira

A cera, também chamada de cerúmen, desempenha uma função de proteção.
Ela ajuda a manter o canal auditivo lubrificado e funciona como uma barreira contra água, poeira e microrganismos. Por isso, eliminar constantemente essa proteção não significa necessariamente melhorar a higiene.
O problema aumenta quando objetos são introduzidos no ouvido.
Cotonetes, dedos ou pontas de toalhas podem empurrar a cera para regiões mais profundas, favorecendo a formação de um tampão. Além disso, o atrito pode provocar pequenas lesões na pele do canal auditivo e facilitar infecções.
Qual é a maneira correta de limpar o ouvido?
A recomendação é concentrar a limpeza na parte externa da orelha.
Depois do banho ou da piscina, uma toalha limpa e macia pode ser utilizada no pavilhão auricular e atrás da orelha, sem avançar para dentro do canal auditivo.
Caso tenha entrado água, uma alternativa simples é inclinar a cabeça para o lado e deixar a gravidade ajudar na drenagem. Também é possível encostar suavemente a parte externa da orelha em uma toalha para absorver a água que sair naturalmente.
A ideia é evitar colocar qualquer objeto dentro do canal.
E quando o ouvido fica entupido de cera?
Algumas pessoas produzem mais cerúmen ou apresentam características anatômicas que facilitam o acúmulo.
Mesmo nesses casos, tentar resolver o problema com cotonetes pode piorar a situação. Em vez de retirar a cera, o objeto pode compactá-la ainda mais perto do tímpano.
As chamadas velas ou cones para ouvido também não são recomendados. Além de não terem eficácia comprovada para remover cerúmen, podem provocar queimaduras e outras complicações.
Existem gotas vendidas em farmácias destinadas a amolecer a cera, com substâncias como glicerina ou peróxido de carbamida. Porém, elas não são indicadas para todas as pessoas, especialmente quando há suspeita de perfuração do tímpano, infecção, cirurgia prévia ou tubos de ventilação.
Se houver perda de audição, dor, secreção ou sensação persistente de pressão, o mais seguro é procurar um médico ou otorrinolaringologista. O profissional pode examinar o canal e, quando necessário, remover o excesso de cerúmen com técnicas apropriadas.
Álcool e vinagre depois da piscina funcionam?

Uma mistura de álcool e vinagre é tradicionalmente usada por alguns nadadores para ajudar a evaporar a água e tornar o ambiente do canal auditivo menos favorável à proliferação de bactérias.
Mas esse método não deve ser tratado como solução universal para um ouvido entupido.
Colocar álcool, vinagre ou outras substâncias no ouvido pode causar irritação e deve ser evitado quando existe dor, secreção, perfuração do tímpano, tubos de ventilação ou histórico de determinadas cirurgias no ouvido.
Para a rotina diária, a orientação é bem mais simples: limpe apenas a parte externa e permita que o próprio ouvido cuide do restante. Na maioria das vezes, ele já possui tudo o que precisa para fazer o trabalho sozinho.
[ Fonte: La Gaceta ]