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Ciência

Caminhar mais rápido pode reduzir o risco de morte mesmo com menos passos, aponta estudo

Pesquisa com mais de 64 mil adultos indica que não importa apenas quantos passos você dá por dia. A velocidade da caminhada também pode ter um papel importante na longevidade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A meta de 10 mil passos por dia se tornou uma das referências mais conhecidas para quem quer se manter ativo. Mas uma nova pesquisa sugere que existe outro número que merece atenção: a velocidade desses passos.

Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine descobriu que caminhar em um ritmo mais acelerado está associado a um menor risco de morte prematura em adultos de meia-idade e idosos. E o benefício apareceu até entre pessoas que davam relativamente poucos passos por dia.

Caminhar rápido pode compensar uma quantidade menor de passos

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© Getty Images – Unsplash

Liderado pelo professor Emmanuel Stamatakis, da Universidade de Sydney, o estudo analisou dados de 64.743 adultos entre 40 e 69 anos que participavam do UK Biobank, no Reino Unido.

Os voluntários utilizaram dispositivos para monitorar sua atividade física durante sete dias, entre 2013 e 2015.

Os pesquisadores analisaram tanto a quantidade total de passos quanto a cadência, ou seja, quantos passos eram dados por minuto. Os resultados indicaram que as duas variáveis estavam associadas de forma independente ao risco de morte por qualquer causa e por doenças cardiovasculares.

Um dos resultados mais interessantes apareceu entre as pessoas que caminhavam menos de 5 mil passos por dia.

Nesse grupo, aqueles que alcançavam cerca de 80 passos por minuto durante seus 30 minutos mais ativos apresentaram risco de morte 28% menor em comparação com quem dava a mesma quantidade diária de passos, mas atingia apenas 45 passos por minuto.

Quando a cadência chegava a 90 passos por minuto, a redução associada ao risco era de 36%.

Não é preciso caminhar rápido durante 30 minutos seguidos

A boa notícia é que os 30 minutos de maior intensidade analisados pelos pesquisadores não precisavam acontecer de uma só vez.

Pequenos períodos de caminhada mais acelerada acumulados ao longo do dia também entraram na conta.

Isso significa que aumentar o ritmo ao caminhar até o trabalho, subir uma rua mais rapidamente ou acelerar durante alguns minutos em diferentes momentos pode contribuir para elevar a cadência diária.

Entre pessoas que acumulavam de 5 mil a 7.500 passos por dia, uma cadência moderada de aproximadamente 60 passos por minuto já estava associada a um risco de morte 30% menor em comparação com o grupo de referência.

Entre 7.500 e 10 mil passos apareceu a melhor combinação

Os menores riscos de mortalidade por qualquer causa foram observados entre participantes que combinavam de 7.500 a 10 mil passos por dia com uma cadência próxima de 100 passos por minuto.

Quando os pesquisadores analisaram especificamente mortes por doenças cardiovasculares, o maior benefício nessa faixa apareceu em torno de 90 passos por minuto.

Ultrapassar os famosos 10 mil passos também continuou associado a benefícios.

Entre aqueles que caminhavam mais de 10 mil passos diariamente e atingiam aproximadamente 90 passos por minuto, o risco de morte foi 29% menor em relação ao grupo utilizado como referência.

Ainda assim, a redução mais expressiva apareceu entre quem acumulava de 7.500 a 10 mil passos.

Quem caminha devagar também pode se beneficiar

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© Pexels

Os resultados não significam que todo mundo precisa começar a caminhar rapidamente.

Para pessoas sedentárias, idosos ou indivíduos com limitações físicas, aumentar o número total de passos continua sendo uma estratégia válida.

Participantes que acumulavam entre 5 mil e 7.500 passos em um ritmo mais confortável também apresentaram benefícios em comparação com aqueles que realizavam menos atividade.

Por isso, os pesquisadores destacam duas possibilidades: quem não consegue caminhar muito pode tentar aumentar gradualmente o ritmo, enquanto quem prefere ou precisa caminhar devagar pode buscar acumular mais passos ao longo do dia.

Há ainda uma limitação importante. O estudo é observacional, portanto identifica associações, mas não consegue demonstrar sozinho que caminhar mais rápido é diretamente responsável pela redução da mortalidade.

Mesmo assim, os resultados reforçam uma mudança na maneira de avaliar a caminhada como exercício. Contar passos pode ser útil, mas olhar apenas para esse número deixa uma parte da história de fora.

A velocidade também importa — e alguns minutos em um ritmo mais acelerado ao longo do dia podem fazer diferença.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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