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Tecnologia

A empresa que colocou o ChatGPT no seu computador agora quer dar um corpo para sua inteligência artificial

Depois de conquistar computadores e celulares, a OpenAI prepara um salto para o mundo físico. Sam Altman confirmou que a empresa pretende desenvolver seu próprio robô humanoide.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Durante anos, conversar com inteligência artificial significou olhar para uma tela. A OpenAI agora quer mudar essa relação. Sam Altman confirmou que a companhia pretende desenvolver um robô humanoide próprio, projetado para operar em ambientes construídos para pessoas. Mas existe um detalhe importante: para o executivo, fabricar braços e pernas pode nem ser a parte mais difícil. O verdadeiro desafio será construir o cérebro da máquina.

A OpenAI quer colocar sua inteligência artificial dentro de um corpo

A OpenAI pretende desenvolver seu próprio robô humanoide.

A confirmação veio de Sam Altman durante uma participação no podcast Sources. Questionado sobre os planos da empresa para robótica, incluindo humanoides e máquinas destinadas a centros de dados, o CEO deixou claro que a companhia pretende explorar esses caminhos.

A declaração transforma em projeto concreto uma ambição que já vinha aparecendo nos bastidores. A empresa ampliou suas equipes relacionadas à robótica e pesquisa maneiras de fazer seus modelos interagirem com o mundo físico.

Ainda faltam praticamente todos os detalhes importantes.

Não há desenho oficial, preço, especificações ou previsão de lançamento. Portanto, imaginar neste momento um “ChatGPT com pernas” andando pela sala seria precipitado.

Mas a escolha de um formato humanoide possui uma vantagem bastante lógica.

Nossas casas e cidades foram construídas para nós.

Maçanetas estão na altura das mãos. Escadas foram projetadas para pernas. Bancadas, interruptores, ferramentas e eletrodomésticos consideram movimentos e dimensões humanas.

Em vez de adaptar todos esses ambientes para receber robôs, uma alternativa é fabricar robôs capazes de utilizá-los.

O corpo pode ser justamente a parte mais fácil

Altman destacou que existe um problema ainda mais importante do que decidir exatamente como será a estrutura física da máquina: criar o “cérebro” que conseguirá controlá-la.

É aí que a inteligência artificial generativa encontra um desafio completamente diferente.

Um chatbot recebe informações e produz respostas. Um robô precisa compreender um ambiente imprevisível e agir fisicamente dentro dele.

Uma camiseta nunca está dobrada exatamente da mesma maneira. Um copo pode estar alguns centímetros fora do lugar. Uma pessoa pode atravessar inesperadamente a sala. Um objeto pode escorregar de uma mão mecânica.

A máquina precisa perceber essas mudanças, interpretar o que aconteceu e ajustar seus movimentos quase instantaneamente.

A OpenAI já pesquisa justamente esse tipo de problema.

Em seus esforços relacionados à robótica, braços mecânicos são treinados em tarefas aparentemente banais, como colocar pão em uma torradeira ou dobrar roupas.

Para um ser humano, são ações simples. Para uma máquina, exigem visão, coordenação, controle de força, planejamento e capacidade de adaptação.

E existe outro obstáculo: dados.

Modelos como o ChatGPT puderam aprender utilizando quantidades gigantescas de textos e outros conteúdos digitais. Robôs precisam aprender como o mundo físico reage quando objetos são tocados, empurrados, levantados ou movimentados.

Coletar esses dados é muito mais complicado.

A corrida dos humanoides já está ficando lotada

A OpenAI também não entra sozinha nesse mercado.

Tesla desenvolve o Optimus, enquanto Figure aposta em humanoides destinados inicialmente a aplicações industriais. Boston Dynamics possui décadas de experiência em robótica, e fabricantes chineses aceleram seus próprios projetos.

A China tornou-se especialmente importante nessa corrida, com empresas como Unitree desenvolvendo máquinas bípedes cada vez mais sofisticadas.

Isso significa que a próxima disputa da inteligência artificial pode ser muito diferente daquela iniciada pelo ChatGPT.

Não será suficiente possuir o melhor modelo.

Um robô precisa combinar inteligência artificial com câmeras, sensores, motores, baterias, materiais resistentes, sistemas de segurança e uma cadeia de fabricação capaz de produzir milhares ou milhões de unidades.

Para uma companhia conhecida principalmente por software, é uma transformação gigantesca.

E Altman já deixou claro que sua visão vai muito além de robôs industriais. O executivo chegou a imaginar um futuro em que pessoas poderiam possuir seus próprios robôs pessoais.

O ChatGPT está começando a sair da tela

Ainda é cedo para saber como será o primeiro humanoide da OpenAI.

Não sabemos quando chegará, quanto custará ou exatamente quais tarefas conseguirá executar.

Mas a direção é clara.

A inteligência artificial começou respondendo perguntas. Depois passou a escrever códigos, gerar imagens, analisar documentos e operar ferramentas digitais.

Agora, empresas querem levá-la para o mundo físico.

E isso exigirá ensinar máquinas a compreender coisas que humanos aprendem quase sem perceber: que um copo pode quebrar, que uma pessoa pode aparecer no caminho e que objetos nunca estarão exatamente onde esperamos.

Talvez por isso a parte mais importante do anúncio não seja a existência de braços e pernas.

A verdadeira revolução acontecerá quando a OpenAI conseguir colocar dentro desse corpo uma inteligência capaz de compreender e agir no mesmo mundo imprevisível em que vivemos.

[Fonte: 20minutos]

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