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Ciência

A maior migração animal da Terra não acontece no Serengeti: quase 6 milhões de mamíferos atravessam um país que passou décadas escondido do mundo

Durante anos, guerras e conflitos mantiveram uma das maiores maravilhas naturais do planeta longe dos holofotes. Agora, novas pesquisas revelam que o Sudão do Sul abriga a maior migração de mamíferos terrestres da Terra, com quase 6 milhões de animais percorrendo milhares de quilômetros todos os anos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando se fala em grandes migrações animais, a maioria das pessoas pensa imediatamente nos gnus cruzando as planícies do Serengeti, entre a Tanzânia e o Quênia. Mas a maior movimentação de mamíferos terrestres do planeta acontece em outro lugar — e durante décadas permaneceu praticamente desconhecida.

No Sudão do Sul, um dos países mais jovens e menos explorados do mundo, milhões de antílopes realizam anualmente uma jornada gigantesca através de savanas, pântanos e planícies alagáveis. O fenômeno ocorre longe dos tradicionais circuitos turísticos africanos e só recentemente começou a ser compreendido em toda a sua dimensão.

Novos levantamentos mostram que a migração envolve quase 6 milhões de animais, um número que supera com folga qualquer outro movimento terrestre de mamíferos conhecido pela ciência.

Um espetáculo escondido por décadas de conflito

A Maior Migração Animal Da Terra Não Acontece No Serengeti
© Valeria Rossi – Unsplash

Grande parte do território do Sudão do Sul permaneceu inacessível durante muitos anos devido às guerras civis e à instabilidade política que marcaram a região.

Enquanto a atenção internacional estava voltada para os conflitos, uma impressionante migração continuava acontecendo silenciosamente nas vastas paisagens do país.

Os primeiros indícios da magnitude desse fenômeno surgiram em 2007, quando pesquisadores da Wildlife Conservation Society aproveitaram um breve período de paz para realizar um levantamento aéreo da região.

Os resultados já eram surpreendentes. Os cientistas registraram mais de 1,3 milhão de animais em deslocamento. No entanto, aquilo era apenas uma parte da história.

Quase 6 milhões de animais em movimento

Pesquisas mais recentes conduzidas pela African Parks utilizaram imagens aéreas de alta resolução combinadas com sistemas de inteligência artificial capazes de identificar e contar grandes grupos de animais.

Os novos dados revelaram uma população migratória muito maior do que se imaginava.

Segundo as estimativas mais recentes, quase 6 milhões de mamíferos participam dessa jornada anual.

A migração é composta principalmente por kobos-de-orelhas-brancas, além de tiangs, reduncas e gazelas-de-Mongalla. Durante a estação seca, esses animais percorrem enormes distâncias em busca de água e vegetação mais abundante, deslocando-se entre áreas como o gigantesco pântano do Sudd e o Parque Nacional de Boma.

O número impressiona até mesmo quando comparado à famosa migração dos gnus do leste africano, considerada durante décadas o maior espetáculo animal terrestre do mundo.

O maior evento natural de mamíferos do planeta

A descoberta transformou a visão dos cientistas sobre a biodiversidade da África.

Além da quantidade extraordinária de animais, a migração desempenha um papel fundamental na manutenção dos ecossistemas da região. Os herbívoros ajudam a dispersar sementes, influenciam a vegetação e servem de base para cadeias alimentares inteiras.

O fenômeno também demonstra como grandes áreas naturais ainda permanecem relativamente preservadas em algumas partes do Sudão do Sul, apesar dos desafios enfrentados pelo país ao longo de sua história recente.

Mas essa realidade pode não durar para sempre.

Novas ameaças colocam a migração em risco

Com a melhora gradual da estabilidade em determinadas regiões, muitas comunidades começaram a retornar para áreas anteriormente abandonadas.

Embora esse processo seja essencial para a reconstrução do país, ele também traz novos desafios para a conservação da vida selvagem.

A expansão de assentamentos humanos, a caça para subsistência e projetos ligados à exploração de petróleo estão aumentando a pressão sobre as áreas utilizadas pelos animais durante suas migrações.

Os cientistas alertam que interrupções nas rotas migratórias podem ter consequências significativas para todo o ecossistema.

Um símbolo para o futuro do Sudão do Sul

Safari Africa
© Getty Images – Unsplash

Diante desse cenário, conservacionistas, guardas florestais e líderes comunitários trabalham para proteger as rotas utilizadas pelos rebanhos.

Mais do que uma riqueza ecológica, a migração começou a ganhar um significado cultural importante para o país.

Na capital, Juba, campanhas publicitárias já destacam os antílopes migratórios como um dos maiores patrimônios nacionais. Autoridades e organizações ambientais acreditam que, no futuro, esse espetáculo natural poderá impulsionar o ecoturismo e ajudar a diversificar a economia local.

Enquanto isso, milhões de animais continuam atravessando silenciosamente as planícies do Sudão do Sul todos os anos, protagonizando a maior migração terrestre da Terra — um fenômeno que permaneceu escondido do mundo durante décadas e que só agora começa a receber a atenção que merece.

 

[ Fonte: Diario Uno ]

 

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