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Ciência

A Nasa encontrou sinais de um vulcão submarino em erupção, mas ninguém sabe exatamente o que está acontecendo no fundo do mar

Satélites registraram uma gigantesca erupção submarina perto de Papua-Nova Guiné, mas a falta de mapas detalhados do oceano transformou o fenômeno em um enorme mistério científico.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma coluna de cinzas subindo quilômetros acima do oceano, água mudando de cor e enormes blocos de pedra-pomes flutuando no mar. Foi assim que satélites da Nasa identificaram um fenômeno raro no mar de Bismarck, próximo à Papua-Nova Guiné. O problema é que, apesar das imagens impressionantes vindas do espaço, os cientistas ainda não conseguem responder a uma pergunta básica: o que exatamente entrou em erupção no fundo do oceano?

A erupção foi vista do espaço, mas o fundo do mar continua um mistério

Os satélites da Nasa detectaram sinais claros de atividade vulcânica submarina na região do mar de Bismarck. As imagens mostraram grandes emissões de cinzas, alterações visíveis na coloração da água e extensas balsas de pedra-pomes espalhadas pela superfície do oceano.

Mesmo assim, quando os pesquisadores tentaram analisar o evento com mais precisão, encontraram uma limitação surpreendente: praticamente não existem mapas detalhados do leito marinho naquela área.

A ausência de dados de alta resolução impede que os cientistas saibam exatamente como o fundo oceânico foi alterado pela erupção. Nem mesmo há confirmação absoluta sobre qual estrutura geológica entrou em atividade.

As hipóteses atuais apontam para a chamada Dorsal de Titã, uma formação submarina localizada cerca de 16 quilômetros ao sudeste de um ponto onde já havia ocorrido outra erupção em 1972.

Segundo Jim Garvin, cientista-chefe do Centro Goddard de Voos Espaciais da Nasa, o episódio mostra o quanto os oceanos ainda permanecem pouco explorados, mesmo em uma era dominada por satélites avançados e observação espacial.

Satélites identificaram calor intenso vindo do oceano

A Nasa encontrou sinais de um vulcão submarino em erupção, mas ninguém sabe exatamente o que está acontecendo no fundo do mar
© Unsplash

Embora o fundo do mar continue cercado de dúvidas, os sensores espaciais conseguiram revelar pistas importantes sobre o que está acontecendo abaixo da superfície.

O sistema VIIRS, instalado no satélite Suomi NPP, registrou anomalias térmicas intensas na região da erupção. Isso significa que uma enorme quantidade de calor foi detectada próxima à superfície do mar.

Para os vulcanólogos, esse detalhe é especialmente intrigante.

Segundo Simon Carn, especialista do Instituto Tecnológico de Michigan, a intensidade térmica sugere que a abertura vulcânica pode estar muito mais próxima da superfície do que os mapas atuais indicam.

Os registros disponíveis mostram profundidades de centenas de metros naquela região, mas os dados térmicos indicam algo diferente: material extremamente quente estaria subindo com força suficiente para gerar sinais intensos detectáveis do espaço.

Esse comportamento pode significar que a estrutura vulcânica cresceu ao longo dos anos sem que os cientistas percebessem completamente.

Também existe a possibilidade de que a erupção esteja remodelando rapidamente o relevo submarino, algo difícil de acompanhar em tempo real devido à ausência de levantamentos detalhados do fundo oceânico.

A Nasa agora espera o surgimento de uma nova ilha

Com a atividade vulcânica ainda em andamento, pesquisadores começaram a monitorar a área em busca de um fenômeno raro: o nascimento de uma nova ilha.

Isso pode acontecer quando sucessivas erupções submarinas acumulam material suficiente para romper a superfície do oceano.

O processo, porém, depende de vários fatores, especialmente da duração da atividade vulcânica. Como referência, uma erupção próxima ocorrida em 1972 durou apenas quatro dias. Já outro evento semelhante registrado em 1957 permaneceu ativo por quase quatro anos.

Se uma nova ilha realmente surgir, a Nasa acredita que ela poderá se transformar em um laboratório natural extremamente valioso.

Segundo Jim Garvin, essas formações recém-criadas funcionam como “islotes espaciais”, ambientes que ajudam cientistas a entender como superfícies novas e hostis evoluem ao longo do tempo.

Os pesquisadores poderiam acompanhar desde a ação do clima e da erosão até a chegada de organismos vivos, vegetação e possíveis impactos humanos.

O fenômeno pode ajudar futuras missões à Lua e Marte

O interesse da Nasa vai além da geologia terrestre.

A agência espacial acredita que estudar ilhas vulcânicas recém-formadas pode fornecer informações importantes para futuras missões de exploração espacial, especialmente dentro do programa Artemis, que pretende levar humanos novamente à Lua.

A ideia é utilizar esses ambientes extremos como análogos naturais de superfícies extraterrestres.

Os cientistas querem entender como terrenos recém-formados reagem ao clima, como materiais se degradam ao longo do tempo e como organismos vivos conseguem colonizar ambientes inicialmente inóspitos.

Esses dados podem ajudar no planejamento de futuras bases lunares e até em missões para Marte.

Enquanto isso, o vulcão submarino próximo à Papua-Nova Guiné continua sendo monitorado do espaço. E ironicamente, mesmo em um planeta mapeado por satélites sofisticados, uma parte importante da história ainda permanece escondida nas profundezas do oceano.

[Fonte: Rosario3]

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