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Ciência

A Noruega enviou um drone a 6.000 metros de profundidade para revelar segredos escondidos no Ártico há milhares de anos — e o que ele pode encontrar é impressionante

Com capacidade para mergulhar a profundidades extremas, um novo veículo submarino autônomo está ajudando a Noruega a explorar regiões praticamente desconhecidas do oceano Ártico. Equipado com sensores avançados, câmeras e sistemas de navegação de alta precisão, o drone promete revelar detalhes inéditos sobre o relevo e a geologia do fundo marinho.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O fundo dos oceanos continua sendo uma das fronteiras menos exploradas do planeta. Embora satélites e embarcações modernas tenham ampliado nosso conhecimento sobre os mares, vastas áreas das profundezas permanecem envoltas em mistério. Agora, a Noruega pretende reduzir essa lacuna com uma nova missão científica no Ártico e no Mar da Noruega, utilizando um dos veículos submarinos autônomos mais avançados já desenvolvidos.

Batizado de Hugin Superior, o equipamento iniciou sua primeira campanha de exploração no início de junho e já representa um importante passo para o estudo das águas profundas do norte europeu.

Um explorador capaz de alcançar 6.000 metros de profundidade

Com o maior cérebro do mundo e uma mente ainda cercada de mistérios, o cachalote é um gigante das profundezas que fascina cientistas e desafia o entendimento humano.
© Pexels – Blaque X

O Hugin Superior foi projetado para operar em condições extremas, descendo até 6.000 metros abaixo da superfície. A missão é liderada pela Direção Norueguesa de Águas Profundas e operada pela empresa Normar, com o objetivo de produzir mapas detalhados e coletar dados científicos de regiões que ainda são pouco conhecidas.

O veículo foi adquirido em 2025 com recursos do Ministério da Energia da Noruega. A iniciativa busca fortalecer a capacidade do país de realizar pesquisas independentes em áreas oceânicas profundas, reduzindo a dependência de empresas privadas especializadas nesse tipo de operação.

A primeira expedição começou após uma cerimônia de batismo realizada em Bergen, tradicional cidade portuária norueguesa. Depois do evento, o drone seguiu para sua campanha inaugural nas águas do norte do Mar da Noruega.

Como o drone consegue enxergar no escuro absoluto

O grande diferencial do Hugin Superior é sua capacidade de trabalhar muito próximo ao leito oceânico. Diferentemente dos sistemas instalados em navios, que realizam medições a partir da superfície, o veículo pode se aproximar das formações submarinas e capturar informações com um nível de detalhe muito maior.

Para isso, ele utiliza uma combinação de sonares de alta resolução, câmeras especiais, perfiladores a laser e uma ampla rede de sensores científicos. Esses equipamentos permitem detectar características geológicas, identificar estruturas submarinas e até medir concentrações de substâncias como metano, dióxido de carbono e oxigênio dissolvido na água.

A navegação também é altamente sofisticada. Segundo os responsáveis pelo projeto, o sistema de micronavegação do drone consegue manter uma precisão em tempo real superior a 0,04% da distância percorrida, algo fundamental para missões realizadas em ambientes onde não existe sinal de GPS.

Um “morcego” das profundezas

Os cientistas costumam comparar o funcionamento do Hugin Superior ao de um morcego. Assim como o animal utiliza a ecolocalização para se orientar no escuro, o drone emite ondas sonoras e analisa os ecos que retornam após atingirem o fundo do mar.

Esse processo permite criar mapas tridimensionais extremamente detalhados do terreno submarino. A tecnologia é especialmente importante em regiões profundas, onde a luz solar jamais chega e a pressão da água pode atingir níveis esmagadores.

Graças a essa capacidade, o veículo poderá revelar formações geológicas ocultas, vales submarinos, montanhas submersas e outros elementos que permanecem praticamente invisíveis para os métodos tradicionais de mapeamento.

Uma evolução que começou há mais de um século

O alerta vindo do Ártico: o que está mudando mais rápido do que os cientistas esperavam
© Pexels

O interesse da Noruega pela cartografia marinha não é recente. Desde o século XIX, pesquisadores realizam medições do fundo oceânico em suas águas territoriais. Naquela época, porém, os métodos eram extremamente simples, baseados em pesos presos a cordas que eram lançados ao mar para medir a profundidade.

Ao longo das décadas, a tecnologia evoluiu drasticamente. Sonares modernos, computadores e sistemas de posicionamento transformaram a maneira como os oceanos são estudados. O Hugin Superior representa o estágio mais avançado dessa evolução, permitindo obter informações que seriam impossíveis de coletar apenas algumas décadas atrás.

Segundo Hilde Braut, diretora assistente de Novas Indústrias da Direção Norueguesa de Águas Profundas, o projeto possui importância estratégica para o país. Além de ampliar o conhecimento científico sobre o Ártico, os dados coletados ajudarão a compreender melhor os ecossistemas e as características geológicas das regiões profundas, contribuindo para uma gestão mais responsável desses ambientes ainda pouco explorados.

À medida que a missão avança, os cientistas esperam descobrir detalhes inéditos sobre áreas que permanecem escondidas sob milhares de metros de água há milhares — e talvez milhões — de anos.

 

[ Fonte: El Confidencial ]

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