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Tecnologia

Meta impõe novos limites a adolescentes no Instagram e Facebook, mas especialistas veem brechas

As novas regras incluem limite diário de uso, bloqueios durante a noite e mudanças no feed. Especialistas, porém, alertam que adolescentes podem contornar parte das restrições.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Meta aceitou pagar mais de US$ 17 bilhões e implementar novas restrições para adolescentes no Instagram e Facebook. O acordo tenta encerrar uma disputa iniciada por dezenas de estados e territórios dos Estados Unidos, que acusam a empresa de criar plataformas capazes de estimular comportamentos viciantes entre menores de idade.

As medidas parecem importantes no papel. No entanto, especialistas em saúde, tecnologia e comportamento digital questionam se a Meta conseguirá aplicá-las de maneira eficaz. Afinal, adolescentes mais familiarizados com tecnologia podem recorrer a VPNs, contas de adultos e outros métodos para escapar dos controles.

Adolescentes terão limite de duas horas por dia

Adolescentes Em Crise2
© Fangirl

O processo contra a Meta começou em 2023 e envolveu 47 estados americanos, o Distrito de Columbia e diversos territórios dos Estados Unidos.

Agora, o acordo estabelece mudanças importantes na maneira como adolescentes poderão utilizar Instagram e Facebook. Entre elas está um limite de duas horas diárias de uso das plataformas.

A Meta também deverá impedir a navegação durante determinados períodos da noite e bloquear notificações durante o horário escolar. A ideia é reduzir interrupções e evitar que as redes sociais ocupem uma parcela excessiva do cotidiano dos jovens.

Segundo Jason Kint, diretor executivo da Digital Content Next, o novo pagamento eleva para aproximadamente US$ 25 bilhões o valor total de acordos extrajudiciais relacionados a questões de proteção ao consumidor envolvendo Meta, Facebook e Instagram.

O debate, portanto, começa a mudar. A questão já não é apenas quais restrições serão adotadas, mas se elas realmente funcionarão.

Reprodução automática e filtros também estão na mira

Sophia Choukas-Bradley, professora associada de psicologia da Universidade de Pittsburgh, considera que algumas das ferramentas afetadas pelas mudanças estão justamente entre aquelas que mais preocupam especialistas em saúde adolescente.

Recursos que oferecem recompensas constantes podem explorar a busca dos jovens por prazer e novidades. Isso ajuda a explicar por que pode ser tão difícil simplesmente parar de rolar a tela quando existe a expectativa de encontrar algo interessante logo em seguida.

Para tentar diminuir esse efeito, adolescentes poderão desativar a reprodução automática de conteúdos. Além disso, receberão alertas depois de permanecerem 15 minutos seguidos diante da tela.

A intenção é estimular um uso mais consciente das plataformas, em vez de permitir que vídeos e publicações continuem aparecendo indefinidamente.

Outra mudança envolve determinados filtros cosméticos.

Choukas-Bradley considera positiva a redução desses recursos. Aplicativos que incentivam adolescentes a modificar digitalmente o rosto ou o corpo podem criar padrões de aparência difíceis de alcançar no mundo real.

A comparação constante com essas versões modificadas pode aumentar a insatisfação corporal. Esse comportamento, por sua vez, está associado a problemas como ansiedade e depressão.

Controle dos algoritmos pode depender dos pais

Outra parte do acordo envolve a maneira como os conteúdos aparecem no feed.

  1. Bryn Austin, pesquisadora da Escola de Saúde Pública de Harvard e especialista em transtornos alimentares, destacou que pais que utilizam as ferramentas de supervisão da Meta poderão selecionar um feed não controlado por algoritmos como opção padrão para seus filhos.

A medida pode reduzir a exposição a sistemas projetados para recomendar conteúdos com base no comportamento de cada usuário.

Existe, porém, um problema: parte da responsabilidade ficará nas mãos das famílias.

Segundo Austin, isso pode provocar conflitos entre pais e filhos. Além disso, crianças e adolescentes cujos responsáveis tenham menos conhecimento tecnológico ou participem menos de suas atividades digitais podem continuar mais expostos aos algoritmos.

Na prática, a proteção não seria igual para todos.

O maior desafio será impedir que adolescentes burlem as regras

Um dia comum no TikTok de um adolescente — e o que o algoritmo revela nas entrelinhas
© Unicef

Uttara Ananthakrishnan, professora associada de sistemas de informação da Universidade de Washington, acredita que outras redes sociais podem acabar adotando restrições semelhantes.

Embora considere as mudanças positivas, ela mantém dúvidas sobre a capacidade da Meta de fazer as novas regras funcionarem.

A pesquisadora lembra que a empresa já enfrentou críticas relacionadas à aplicação de suas próprias políticas. Experiências realizadas em outros países também mostram como é complicado impedir que adolescentes acessem determinadas plataformas.

A proibição de redes sociais para menores na Austrália, por exemplo, enfrentou dificuldades para manter todos os jovens longe desses serviços.

O mesmo problema pode aparecer com Instagram e Facebook.

Adolescentes determinados a escapar das restrições podem recorrer a uma VPN para mascarar sua localização, acessar perfis cadastrados em nome dos pais ou encontrar outras formas de contornar os sistemas de verificação.

Por isso, o acordo bilionário pode representar apenas o começo de uma etapa ainda mais complicada para a Meta. Criar limites técnicos é relativamente simples. Garantir que milhões de adolescentes realmente os respeitem será o verdadeiro teste.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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