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Tecnologia

A novidade da SpaceX que pode mudar as comunicações durante desastres naturais

Uma solução ativada durante uma emergência mostrou que celulares comuns podem continuar se comunicando mesmo sem sinal das operadoras. A novidade pode mudar a forma como lidamos com desastres naturais.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Em grandes incêndios, enchentes ou terremotos, um dos primeiros serviços a apresentar falhas costuma ser a telefonia móvel. Antenas podem ficar sem energia, sofrer danos ou simplesmente não suportar o volume de conexões ao mesmo tempo. Foi justamente nesse cenário que uma tecnologia via satélite entrou em ação para manter uma função essencial dos celulares funcionando, sem exigir antenas especiais ou equipamentos adicionais.

Como satélites passaram a substituir temporariamente as torres de celular

Durante os incêndios florestais que atingiram regiões próximas a Madri, na Espanha, uma tecnologia da SpaceX foi ativada para garantir que moradores das áreas afetadas continuassem tendo uma forma básica de comunicação.

O serviço foi disponibilizado temporariamente para clientes das operadoras Movistar e MasOrange que estavam nas regiões impactadas pelos incêndios. A iniciativa surgiu em meio à situação de emergência nacional decretada pelas autoridades espanholas após o avanço simultâneo dos focos de fogo em áreas de Madri, Ávila e Toledo, que provocaram evacuações, interrupções de serviços e dificuldades nas comunicações.

Ao contrário do que muitos imaginaram, os usuários não precisaram instalar uma antena da Starlink nem contratar internet via satélite residencial. Bastava possuir um celular compatível com redes LTE e estar dentro da área contemplada pela ativação emergencial.

A tecnologia utilizada é chamada de Direct to Cell. Em vez de depender exclusivamente das torres tradicionais das operadoras, os satélites da Starlink funcionam temporariamente como estações de telefonia móvel no espaço.

Cada satélite incorpora um modem semelhante ao utilizado em uma torre celular convencional e utiliza frequências cedidas pelas próprias operadoras parceiras. Quando o aparelho perde completamente a cobertura terrestre, ele passa a procurar automaticamente um sinal vindo do satélite, estabelecendo uma conexão semelhante ao funcionamento do roaming internacional.

Segundo a SpaceX, todo esse processo acontece utilizando celulares LTE convencionais, sem necessidade de instalar aplicativos específicos ou modificar o aparelho.

A tecnologia impressiona, mas ainda possui limitações importantes

Apesar da repercussão nas redes sociais e das manchetes que mencionaram “internet via satélite no celular”, o serviço ativado durante a emergência possui um objetivo muito mais específico.

Nesta primeira fase, a função disponibilizada permite apenas o envio e o recebimento de mensagens de texto (SMS). Não é possível navegar normalmente na internet, assistir a vídeos, acessar redes sociais ou utilizar livremente aplicativos que dependem de conexão de dados.

Mesmo assim, essa capacidade pode fazer enorme diferença durante uma situação crítica. Uma simples mensagem pode confirmar que alguém está em segurança, informar uma localização, combinar um ponto de encontro entre familiares ou alertar sobre bloqueios em estradas durante uma evacuação.

A qualidade da conexão também depende das condições ao redor do usuário. O sistema funciona melhor em ambientes abertos, onde existe uma visão ampla do céu. Prédios altos, florestas densas, montanhas e até permanecer dentro de uma residência podem dificultar temporariamente a comunicação.

Outro fator é a própria distância entre o celular e os satélites, que torna a troca de informações mais lenta do que em uma rede 4G convencional.

Além disso, a SpaceX ainda não divulgou uma lista completa dos aparelhos compatíveis com essa ativação. A possibilidade de conexão depende não apenas da marca do smartphone, mas também do modem utilizado, das bandas suportadas, das configurações da operadora e das atualizações instaladas no dispositivo.

O futuro pode ir muito além das mensagens de emergência

Embora a ativação durante os incêndios tenha chamado atenção, essa tecnologia não surgiu de forma improvisada.

Meses antes, a MasOrange já havia iniciado testes técnicos da conexão Direct to Cell em áreas da província de Valladolid, na Espanha. O objetivo era avaliar o funcionamento da rede via satélite em regiões rurais ou locais sem cobertura convencional.

Naquela fase experimental, o projeto previa recursos mais avançados do que os disponibilizados durante a emergência, incluindo envio de SMS, MMS e transmissão de dados para aplicativos como WhatsApp e Google Maps.

Outras operadoras também estudam soluções semelhantes por meio de diferentes parceiros tecnológicos, indicando que a comunicação direta entre satélites e smartphones tende a se tornar cada vez mais comum nos próximos anos.

Mesmo assim, especialistas destacam que a tecnologia não pretende substituir as redes móveis tradicionais. Sua capacidade de transmissão ainda é limitada e o desempenho continua inferior ao das antenas terrestres em ambientes urbanos.

Seu verdadeiro diferencial aparece justamente quando essas redes deixam de funcionar. E é exatamente isso que responde ao título desta reportagem: em situações de emergência, os satélites podem assumir temporariamente o papel das torres de telefonia, permitindo que celulares comuns continuem enviando mensagens mesmo sem cobertura convencional e sem a necessidade de instalar antenas especiais.

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