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Tecnologia

Milhões de dados por segundo: como a F1 está usando IA para ganhar tempo

Cada corrida gera uma quantidade gigantesca de informações. Agora, uma tecnologia está ajudando a transformar esse fluxo de dados em respostas rápidas quando algo começa a sair do esperado.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Na Fórmula 1, velocidade não significa apenas acelerar mais na reta. Enquanto os carros disputam posições na pista, uma operação tecnológica gigantesca acompanha cada movimento, componente e alteração de desempenho. São milhões de informações chegando continuamente aos engenheiros. O verdadeiro desafio é descobrir, entre todos esses dados, aquilo que realmente importa quando surge um problema. É justamente nesse ponto que a inteligência artificial começa a ganhar espaço.

Uma corrida invisível acontece longe da pista

Um carro de Fórmula 1 moderno é praticamente um computador sobre quatro rodas. Cada monoposto utiliza mais de 300 sensores, capazes de monitorar aceleração, forças G, frenagem, direção, funcionamento de componentes e inúmeras outras variáveis.

Juntos, esses sensores podem gerar aproximadamente 1,1 milhão de pontos de telemetria por segundo.

E isso representa apenas uma parte da avalanche de informações produzida durante um Grande Prêmio. Considerando telemetria, vídeo, áudio, cronômetros e outros dados utilizados para operar e transmitir a competição, a infraestrutura da categoria pode movimentar entre 600 e 650 terabytes de informação por evento.

O problema, portanto, deixou de ser simplesmente coletar dados. O desafio é encontrar rapidamente a informação certa em meio a milhões de registros.

É aí que entra uma ferramenta desenvolvida pela Fórmula 1 em parceria com a Amazon Web Services. Batizado de RCA Assistant, o sistema foi criado para ajudar engenheiros a investigar a causa de problemas tecnológicos.

Em vez de examinar manualmente enormes volumes de registros, os profissionais podem fazer perguntas em linguagem natural e cruzar informações provenientes de redes, aplicativos e infraestrutura.

O resultado é uma mudança importante: uma investigação que antes poderia consumir dias ou até semanas pode, em determinados casos, ser reduzida a poucos minutos.

A tecnologia que acompanha a Fórmula 1 até cada circuito

A inteligência artificial não funciona isoladamente. Por trás dela existe uma infraestrutura que literalmente viaja com a categoria.

O Event Technical Centre (ETC) funciona como um centro tecnológico portátil instalado nos circuitos. Ele reúne aproximadamente 750 dispositivos e mais de 40 sistemas de software, todos trabalhando de maneira coordenada durante os Grandes Prêmios.

Esse detalhe é fundamental porque, na Fórmula 1, o tempo gasto para transportar uma informação também pode fazer diferença.

Até recentemente, determinadas operações de telemetria precisavam enviar dados do circuito para as instalações da categoria no Reino Unido e depois receber as informações de volta. A distância introduzia uma latência desnecessária.

A solução está em levar cada vez mais capacidade de processamento para o próprio local da corrida. Com infraestrutura virtualizada, parte do trabalho pode ser executada diretamente no circuito, diminuindo o caminho percorrido pelos dados.

Isso permite que os engenheiros tenham respostas mais rapidamente quando alguma coisa começa a apresentar comportamento fora do padrão.

A IA também está chegando ao hardware dos carros

A transformação não acontece apenas nos servidores.

A Fórmula 1 também vem testando equipamentos especialmente preparados para executar tarefas de inteligência artificial. Entre eles estão unidades de processamento neural, conhecidas como NPUs, projetadas para acelerar determinados tipos de cálculos.

Segundo Lee Wright, diretor associado de TI da Fórmula 1, alguns testes conseguiram reduzir em aproximadamente 30% o tempo necessário para determinados modelos e tarefas de análise.

A infraestrutura é apoiada por parceiros tecnológicos como a Lenovo, que fornece desde estações de trabalho até servidores, armazenamento e sistemas de computação.

Também entram em cena soluções de refrigeração líquida, como o Lenovo Neptune, importantes para controlar a temperatura de equipamentos de alto desempenho e permitir maior densidade de processamento.

Mas toda essa capacidade traz outro desafio: a segurança. Dados técnicos possuem enorme valor competitivo para as equipes, e parte dessas informações precisa ser criptografada e protegida contra acessos indevidos.

O próximo ganho pode acontecer antes do problema

Por enquanto, a inteligência artificial está sendo utilizada principalmente para acelerar análises, identificar anomalias e ajudar especialistas a descobrir a origem de falhas na complexa infraestrutura tecnológica da Fórmula 1.

Mas existe uma evolução natural dessa tecnologia.

Em vez de simplesmente responder “o que aconteceu?”, os sistemas podem começar a responder “o que provavelmente vai acontecer?”.

Essa mudança levaria a categoria de uma postura reativa para uma abordagem preditiva. Um problema poderia ser identificado antes de provocar uma interrupção ou comprometer determinada operação.

Na Fórmula 1, onde as diferenças de milésimos de segundo podem decidir posições e resultados, ganhar tempo no processamento dos dados também significa ganhar uma vantagem competitiva.

É por isso que a IA já está se tornando parte da corrida, mesmo quando não aparece nas câmeras. Ela não está pilotando o carro, mas está ajudando a equipe a entender mais rapidamente o que acontece com ele — e o próximo passo pode ser descobrir o problema antes mesmo que ele aconteça.

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