Pular para o conteúdo
Tecnologia

A tecnologia mudou a publicidade para sempre e o consumidor ganhou um poder que as marcas não esperavam

Smartphones, redes sociais e influenciadores transformaram a maneira como empresas chegam aos consumidores. Mas a mesma tecnologia que aproximou as marcas também tornou muito mais fácil ignorá-las.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Houve um tempo em que uma marca precisava principalmente de dinheiro para garantir atenção: comprava espaço na televisão, no rádio ou em uma revista e colocava sua mensagem diante de milhões de pessoas. A internet desmontou boa parte dessa lógica. Smartphones, redes sociais e dados criaram novas oportunidades para a publicidade, mas também entregaram ao consumidor algo que antes era muito mais difícil de conseguir: o poder de simplesmente não olhar.

A publicidade ganhou precisão, mas perdeu uma antiga vantagem

A tecnologia mudou a publicidade para sempre e o consumidor ganhou um poder que as marcas não esperavam
© Pexels

A tecnologia transformou profundamente o marketing durante a década de 2010.

Antes, grande parte da publicidade funcionava de maneira relativamente simples: uma empresa produzia uma mensagem e utilizava meios de comunicação de massa para distribuí-la ao maior número possível de pessoas.

A internet mudou esse equilíbrio.

Plataformas digitais permitiram segmentar públicos, medir resultados rapidamente e ajustar campanhas praticamente em tempo real. Em vez de falar com milhões esperando encontrar potenciais clientes no meio da multidão, tornou-se possível direcionar mensagens para grupos muito mais específicos.

Mas essa evolução trouxe um efeito inesperado.

Os consumidores também ganharam ferramentas para escapar da publicidade.

Bloqueadores de anúncios cresceram justamente como resposta ao excesso de formatos invasivos, pop-ups e outras experiências que interrompiam a navegação. Nos celulares, onde a tela é menor, anúncios agressivos se tornaram ainda mais incômodos.

A publicidade digital descobriu assim um paradoxo: nunca foi tão fácil encontrar o público certo, mas também nunca foi tão fácil para esse público ignorar uma marca.

Um pequeno aparelho no bolso mudou praticamente tudo

A tecnologia mudou a publicidade para sempre e o consumidor ganhou um poder que as marcas não esperavam
© Pexels

Poucas tecnologias tiveram impacto tão grande nessa transformação quanto o smartphone.

O artigo original oferece um exemplo impressionante da velocidade dessa mudança na Espanha: em 2009, apenas cerca de 10% da população possuía smartphone; em 2017, o número citado já chegava a 97%.

Essa popularização colocou a internet permanentemente no bolso das pessoas.

E mudou muito mais do que o dispositivo utilizado para acessar uma página.

Consumidores passaram a pesquisar preços enquanto estavam dentro das lojas, consultar avaliações antes de comprar, assistir a vídeos em qualquer lugar e descobrir produtos diretamente pelas redes sociais.

Para as marcas, isso significou que o contato com o cliente deixou de acontecer apenas durante uma campanha publicitária.

Ele passou a acontecer praticamente o dia inteiro.

Só que outro personagem também apareceu no meio dessa relação.

Os influenciadores pareciam a solução perfeita — até surgirem os primeiros problemas

Quando os usuários começaram a rejeitar formatos tradicionais de publicidade online, os influenciadores ofereceram uma alternativa aparentemente ideal.

Em vez de interromper o conteúdo, a própria pessoa que o público já acompanhava apresentava o produto.

A propaganda entrava naturalmente no feed.

Durante a década de 2010, influenciadores se transformaram em peças importantes das estratégias de muitas marcas. Mas o crescimento acelerado também criou problemas.

Audiências infladas artificialmente, seguidores comprados e métricas de engajamento manipuladas colocaram em dúvida o verdadeiro alcance de algumas campanhas.

O número de seguidores deixou de ser suficiente.

Marcas precisaram começar a observar quem realmente acompanha aquele criador, como seu público interage e se existe confiança suficiente para transformar uma recomendação em resultado.

Foi uma mudança importante: a tecnologia tornou quase qualquer pessoa capaz de construir seu próprio canal de comunicação, mas também tornou mais difícil separar influência real de popularidade artificial.

As redes sociais aproximaram marcas e consumidores — talvez até demais

Facebook, Instagram e outras plataformas também alteraram completamente a publicidade.

As empresas passaram a investir pesadamente nesses espaços porque era justamente ali que consumidores estavam gastando cada vez mais tempo.

Mas a relação se tornou complicada.

As mesmas redes que ofereciam segmentação extremamente detalhada começaram a enfrentar questionamentos sobre privacidade, uso de dados e efeitos sociais de suas plataformas.

E os consumidores começaram a perceber que seus dados tinham valor.

Informações sobre interesses, localização aproximada, hábitos de navegação e comportamento de compra podiam ajudar empresas a mostrar anúncios muito mais relevantes.

Ao mesmo tempo, surgia uma pergunta desconfortável: quanto uma empresa deveria saber sobre alguém apenas para tentar vender alguma coisa?

Essa tensão continua sendo uma das grandes questões do marketing digital.

A próxima revolução já estava aparecendo no horizonte

Quando o texto original foi publicado, no final de 2019, ele apontava inteligência artificial, realidade virtual e realidade aumentada como tecnologias que provavelmente marcariam os anos seguintes.

A previsão sobre IA acabou sendo particularmente importante.

Mas a transformação tecnológica do marketing revela uma lição maior.

Cada nova ferramenta que ajuda empresas a conhecer melhor seus clientes também modifica aquilo que esses consumidores esperam das marcas.

Hoje, simplesmente aparecer diante de alguém não garante atenção.

É preciso oferecer relevância suficiente para impedir que o dedo continue deslizando pela tela.

A tecnologia tornou a publicidade mais inteligente, mensurável e personalizada.

Ao mesmo tempo, criou um consumidor capaz de bloquear anúncios, deixar de seguir uma marca ou abandonar um vídeo em menos de um segundo.

E talvez essa seja a maior mudança de todas: as empresas ganharam ferramentas extraordinárias para encontrar consumidores, justamente no momento em que os consumidores ganharam ferramentas igualmente poderosas para fugir delas.

[Fonte: Roundtable]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados