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Tecnologia

Os novos entregadores que estão chegando à Europa não são humanos nem drones

Pequenos veículos autônomos fabricados na China começam a aparecer fora do país. Eles foram projetados para trabalhar por horas e podem transformar silenciosamente as entregas urbanas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A próxima grande mudança nas entregas urbanas talvez não tenha quatro rodas, motorista ou sequer espaço para uma pessoa. Pequenos robôs autônomos começam a ganhar espaço em cidades fora da China, levando compras e encomendas pelas ruas. A tecnologia já existe há algum tempo, mas agora surge um ingrediente capaz de mudar sua escala: uma indústria preparada para fabricar essas máquinas em grandes quantidades e colocá-las para trabalhar durante boa parte do dia.

O pequeno veículo que começa a aparecer nas ruas

A China vem tratando a robótica como uma peça estratégica de sua indústria há anos. Agora, essa aposta começa a ultrapassar as fronteiras do país.

A Yangs Technology, empresa de Chengdu especializada em robôs para entregas de última milha, anunciou a implantação em larga escala de seus veículos autônomos na Europa. A companhia fala em milhares de unidades, mostrando que esses equipamentos já passaram da fase de protótipo experimental para uma produção capaz de atender operações comerciais.

Os primeiros exemplares visíveis parecem estar relacionados a Moscou, onde alguns veículos aparecem identificados com a marca Yandex.

Os robôs foram projetados para deslocamentos urbanos curtos e contam com aproximadamente 60 litros de espaço interno, suficiente para transportar até 20 quilos de carga.

Para enxergar e interpretar o ambiente, utilizam uma combinação de câmeras, sensores ultrassônicos e LiDAR. Com esses sistemas, conseguem detectar obstáculos e construir uma representação do espaço ao redor enquanto se movimentam.

A fabricante classifica o sistema como Nível 4 de automação. Isso significa que o veículo pode funcionar sem intervenção humana contínua dentro de determinadas condições e áreas de operação.

Mas existe outro detalhe que pode ser ainda mais importante para empresas de logística.

Uma bateria pensada para não deixar o robô parado

Cada bateria oferece aproximadamente 12 horas de funcionamento. E, em vez de depender exclusivamente de longos períodos de recarga, o sistema permite realizar uma troca rápida da bateria.

Na prática, isso significa que o veículo pode retornar ao trabalho rapidamente depois de substituir sua fonte de energia.

Essa característica é particularmente interessante para supermercados, empresas de logística e plataformas de entrega que precisam manter uma frota ativa durante grande parte do dia.

O conceito também se encaixa em um dos segmentos mais fáceis de automatizar dentro da logística: a chamada última milha, que corresponde ao trecho final entre um centro de distribuição ou estabelecimento e o consumidor.

Os trajetos normalmente são curtos, as velocidades são reduzidas e os robôs podem operar em áreas relativamente controladas.

O mercado desse tipo de tecnologia vem crescendo rapidamente, com estimativas apontando para expansão anual próxima de 20% nos próximos anos e um valor de vários bilhões de dólares até 2030.

É justamente aí que a China possui uma vantagem importante.

O país já concentra mais da metade dos robôs industriais instalados globalmente e conta com uma enorme cadeia de fornecedores de motores, baterias, sensores e componentes eletrônicos.

Essa escala permite reduzir custos e acelerar a fabricação.

O caso da Yangs Technology é especialmente revelador porque a empresa sequer está entre os nomes chineses mais conhecidos da robótica mundial. Ainda assim, já demonstra capacidade para produzir e exportar milhares de unidades.

A tecnologia existe, mas a Europa tem uma barreira difícil

Os robôs chineses não chegam a um continente completamente inexperiente nesse segmento.

A Starship Technologies, por exemplo, utiliza há anos pequenos veículos autônomos para entregar alimentos e compras e já realizou milhões de entregas comerciais entre Europa e Estados Unidos.

O problema está em outro lugar: as regras não são iguais em todos os países europeus.

Não existe atualmente uma regulamentação única para robôs autônomos circulando por calçadas e espaços públicos em todo o continente.

Alguns mercados, como Estônia, Finlândia e determinadas regiões do Reino Unido, avançaram mais rapidamente. Em outros locais, os equipamentos ainda dependem de autorizações específicas, projetos-piloto ou condições bastante restritas.

Por isso, a expansão da Yangs Technology provavelmente acontecerá de maneira gradual, por meio de acordos com supermercados, empresas de logística e autoridades locais.

Não se trata simplesmente de colocar milhares de robôs nas ruas de uma só vez. Cada cidade pode exigir uma estratégia diferente.

O meio-termo entre um drone e uma van

Esses veículos ocupam uma posição curiosa dentro da nova logística automatizada.

Um drone consegue evitar o trânsito e percorrer grandes distâncias pelo ar, mas sua capacidade de carga é limitada e sua operação está sujeita a regras específicas do espaço aéreo.

Uma van autônoma, por outro lado, consegue transportar muito mais mercadorias, mas exige uma tecnologia mais complexa e tem custos operacionais maiores.

Os robôs de calçada ficam justamente entre os dois.

São pequenos, relativamente baratos e suficientemente capazes para transportar comida, compras e encomendas dentro de um bairro.

E é essa combinação que torna a chegada dos modelos chineses especialmente interessantes.

A disputa agora não é apenas para descobrir como fazer um robô se mover sozinho. Essa parte já foi demonstrada.

O verdadeiro desafio é produzir essas máquinas com custo baixo, autonomia suficiente e escala industrial para colocá-las em operação aos milhares.

Se a China conseguir fazer isso em diferentes mercados, o próximo entregador que chegar à porta de uma casa pode não precisar de motorista — e talvez nem precise parecer um veículo tradicional.

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