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Tecnologia

A previsão mais ousada de Elon Musk envolve dinheiro, robôs e inteligência artificial

O empresário voltou a fazer uma previsão ousada sobre inteligência artificial e robôs. Se ela estiver correta, a economia, o trabalho e até o papel do dinheiro poderão mudar de uma forma difícil de imaginar hoje.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial já está mudando profissões, empresas e a maneira como as pessoas produzem riqueza. Mas, para Elon Musk, isso representa apenas o começo de uma transformação muito maior. Em sua visão, os próximos anos poderão redefinir completamente o conceito de trabalho e até a importância do dinheiro na sociedade. A ideia parece futurista, mas levanta debates que já preocupam economistas e especialistas em tecnologia.

Uma economia baseada na abundância

Durante uma entrevista concedida à diretora da The Economist, Zanny Minton Beddoes, Elon Musk afirmou que o dinheiro poderá perder sua relevância até 2036. A previsão faz parte de uma visão de futuro na qual a inteligência artificial e milhões de robôs humanoides seriam capazes de executar praticamente todas as tarefas hoje realizadas por pessoas.

Segundo esse cenário, a produção de alimentos, moradias, energia, transporte e diversos serviços aumentaria de forma tão expressiva que deixaria de existir a escassez que hoje sustenta grande parte da economia mundial. Se quase tudo puder ser produzido em enormes quantidades e a custos muito baixos, o dinheiro deixaria de ser o principal instrumento para distribuir recursos.

Na prática, Musk acredita que a sociedade entraria em uma era de abundância, em que boa parte das necessidades humanas poderia ser atendida sem grandes limitações econômicas.

Trabalhar deixaria de ser uma obrigação

Nesse futuro imaginado pelo empresário, trabalhar não seria mais necessário para garantir a sobrevivência. As pessoas poderiam continuar exercendo uma profissão por satisfação pessoal, criatividade, reconhecimento ou simplesmente porque gostam do que fazem.

Para tornar essa transição possível, Musk voltou a defender uma versão mais ampla da renda básica universal, chamada por ele de “alta renda universal”. A proposta prevê que governos distribuam recursos diretamente à população enquanto a produção automatizada garante oferta suficiente de bens e serviços.

Na visão do empresário, esse modelo não provocaria necessariamente inflação. Se a produtividade crescer em ritmo superior ao aumento da quantidade de dinheiro em circulação, os preços poderiam até cair graças ao baixo custo da automação e da energia.

Musk também acredita que a inteligência artificial poderá superar, em poucos anos, a capacidade intelectual combinada de toda a humanidade, acelerando ainda mais essas mudanças.

O maior desafio pode não ser a tecnologia

Apesar do cenário otimista, especialistas apontam que produzir mais não significa, automaticamente, distribuir melhor. Mesmo em uma economia altamente automatizada, fábricas, centros de dados, robôs, fontes de energia e matérias-primas continuarão pertencendo a empresas, governos ou investidores.

Além disso, diversos recursos permanecerão limitados, como terrenos em regiões valorizadas, minerais estratégicos, água potável e determinados serviços especializados. Isso significa que algum mecanismo de distribuição continuará sendo necessário, independentemente da quantidade de produtos disponível.

Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que a inteligência artificial poderá impulsionar significativamente a produtividade. No entanto, os benefícios dependerão de como a propriedade dessa tecnologia será distribuída e de quem controlará seus resultados econômicos.

O mercado de trabalho ainda deve passar por uma longa transformação

As pesquisas atuais também sugerem que o desaparecimento completo dos empregos está longe de ser consenso. A Organização Internacional do Trabalho estima que aproximadamente um quarto das ocupações possui algum nível de exposição à inteligência artificial generativa, mas considera mais provável que muitas funções sejam transformadas, e não eliminadas.

Já o Fundo Monetário Internacional calcula que cerca de 40% dos empregos no mundo poderão sofrer impacto da IA, percentual que chega próximo de 60% nas economias mais desenvolvidas. Enquanto alguns profissionais ganharão produtividade e novas oportunidades, outros poderão enfrentar redução salarial ou mudanças profundas em suas funções.

Embora Musk apresente um futuro extremamente otimista sobre a capacidade da tecnologia, especialistas lembram que a grande questão não será apenas desenvolver máquinas capazes de produzir quase tudo. O verdadeiro desafio será definir como essa riqueza será distribuída e quem terá acesso aos benefícios gerados pela inteligência artificial.

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