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Ciência

Cialis pode estar ligado a maior risco de glaucoma, aponta novo estudo

Pesquisadores encontraram uma associação entre o uso prolongado de tadalafil, princípio ativo do Cialis, e um risco maior de desenvolver glaucoma. O aumento absoluto foi pequeno, mas chama atenção porque a doença pode provocar perda irreversível da visão.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um dos medicamentos mais conhecidos para disfunção erétil pode ter uma relação inesperada com a saúde dos olhos. Pesquisadores de Taiwan analisaram dados médicos de milhares de homens e descobriram que usuários de tadalafil apresentaram maior probabilidade de desenvolver glaucoma durante um período de cinco anos.

O tadalafil pertence à classe dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5, ou PDE5, e é o princípio ativo do Cialis. Embora seja famoso pelo tratamento da disfunção erétil, o medicamento também pode ser prescrito diariamente em doses menores para outros problemas, incluindo sintomas urinários associados ao aumento da próstata.

Publicado no British Journal of Ophthalmology, o estudo não demonstra que o tadalafil seja diretamente responsável pelo glaucoma. Entretanto, a associação encontrada levou os pesquisadores a sugerirem maior atenção à saúde ocular de pacientes com fatores de risco.

Tadalafil não é utilizado apenas para disfunção erétil

Medicamentos como tadalafil e sildenafil atuam principalmente sobre os vasos sanguíneos.

Os PDE5 foram originalmente estudados para problemas cardiovasculares, como hipertensão e dor no peito. Posteriormente, pesquisadores perceberam que eles conseguiam melhorar significativamente o fluxo sanguíneo para o pênis.

Assim surgiu uma das principais classes de medicamentos contra a disfunção erétil.

Entretanto, esses remédios também são utilizados para outras condições. O tadalafil, por exemplo, pode ajudar pacientes que apresentam sintomas urinários relacionados à hiperplasia prostática benigna.

Nesse caso, existe uma diferença importante: em vez de doses maiores utilizadas ocasionalmente para disfunção erétil, alguns pacientes recebem doses menores diariamente durante períodos prolongados.

Foi justamente esse tipo de utilização que chamou a atenção dos pesquisadores.

Estudo acompanhou quase 37 mil usuários de tadalafil

A equipe analisou informações de um grande banco de dados médico anonimizado.

Os pesquisadores selecionaram aproximadamente 37 mil homens com mais de 40 anos que utilizavam tadalafil para tratar sintomas do trato urinário. Em seguida, compararam esse grupo com homens de características semelhantes que não tomavam o medicamento.

Durante cinco anos, o uso de tadalafil foi associado a um risco 22% maior de diagnóstico de glaucoma.

Também apareceu uma associação com hipertensão ocular, condição caracterizada pelo aumento da pressão dentro dos olhos sem a presença imediata de danos. A pressão ocular elevada, porém, é um conhecido fator de risco para glaucoma.

O risco aumentou, mas os números absolutos continuam baixos

Um aumento de 22% pode parecer assustador, mas existe uma diferença importante entre risco relativo e risco absoluto.

Entre os homens com mais de 50 anos que utilizavam tadalafil, 3,93% desenvolveram glaucoma durante os cinco anos analisados.

Entre aqueles que não utilizavam o medicamento, a proporção foi de 3,16%.

Portanto, a diferença absoluta observada foi de aproximadamente 0,77 ponto percentual.

Isso significa que os resultados não indicam que uma grande parcela dos usuários desenvolverá glaucoma. Também não justificam interromper um tratamento prescrito sem orientação médica.

Além disso, por se tratar de um estudo observacional baseado em registros médicos, os resultados mostram uma associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Por que o glaucoma preocupa tanto?

Glaucoma é o nome utilizado para um conjunto de doenças caracterizadas por danos progressivos ao nervo óptico.

Frequentemente, o problema está relacionado ao aumento da pressão dentro do olho provocado pelo acúmulo de líquido. Entretanto, algumas formas da doença podem surgir mesmo quando a pressão ocular permanece dentro dos valores considerados normais.

O grande problema é que os danos provocados pelo glaucoma são irreversíveis.

Tratamentos modernos conseguem controlar a progressão da doença e preservar a visão, principalmente quando o diagnóstico acontece precocemente. Porém, a visão já perdida normalmente não pode ser recuperada.

Usuários de Cialis precisam se preocupar?

Os próprios pesquisadores não defendem o abandono do tadalafil. Os PDE5 continuam sendo medicamentos importantes e amplamente utilizados para diferentes condições.

A principal recomendação é considerar acompanhamento oftalmológico, especialmente em pacientes que já apresentam fatores de risco para glaucoma.

Também serão necessários novos estudos para determinar se o tadalafil realmente contribui diretamente para o desenvolvimento da doença e, caso isso aconteça, qual mecanismo biológico estaria envolvido.

Por enquanto, a descoberta funciona principalmente como um sinal de atenção.

Para milhões de pessoas que utilizam tadalafil, os benefícios do medicamento podem continuar superando os possíveis riscos. Mas, quando o tratamento é prolongado, acompanhar não apenas seus efeitos desejados, mas também possíveis alterações na saúde ocular pode se tornar uma precaução importante.

 

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