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A24 se defende após parceria com o Google DeepMind para desenvolver ferramentas de IA e enfrenta reação negativa de fãs

Conhecido por filmes independentes de sucesso, o estúdio A24 passou a ser alvo de críticas após anunciar uma parceria com o Google DeepMind para pesquisar aplicações de inteligência artificial no cinema. A empresa afirma que quer ajudar artistas a moldar essas ferramentas, mas muitos fãs enxergam a iniciativa como uma contradição.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A A24 construiu sua reputação apostando em produções autorais e cineastas independentes, tornando-se uma das marcas mais respeitadas do cinema contemporâneo. Por isso, o anúncio de uma parceria com o Google DeepMind, divisão de inteligência artificial do Google, provocou forte reação nas redes sociais. Embora o estúdio insista que o projeto tem caráter exclusivamente de pesquisa, muitos fãs interpretaram a decisão como um sinal de aproximação com a inteligência artificial generativa, tecnologia que segue dividindo opiniões em Hollywood.

Estúdio afirma que objetivo é participar da criação das ferramentas

Após a repercussão negativa, a A24 decidiu esclarecer o propósito da parceria.

Em entrevista à revista Wired, Sophia Shin, representante de comunicação do estúdio, explicou que a colaboração com o DeepMind está focada na pesquisa e no desenvolvimento de novas ferramentas voltadas aos bastidores da produção audiovisual.

Segundo ela, equipes da A24 trabalham diretamente com pesquisadores do Google para entender limitações, testar possibilidades e contribuir para a criação de soluções que realmente atendam às necessidades dos profissionais da indústria.

A executiva afirmou que a intenção não é substituir artistas, mas garantir que eles tenham voz durante o desenvolvimento dessas tecnologias.

“Nós preferimos participar da conversa e ajudar a definir quais ferramentas serão criadas para os artistas, em vez de simplesmente recebê-las prontas”, resumiu.

A24 admite que ainda não gosta dos resultados atuais da IA

Mesmo defendendo a parceria, a representante reconheceu que o estúdio não considera satisfatória a qualidade das produções geradas atualmente por inteligência artificial no cinema.

Segundo Shin, a colaboração com o DeepMind não significa aprovação irrestrita da tecnologia, mas uma tentativa de influenciar sua evolução antes que ela seja adotada em larga escala pela indústria.

A estratégia, no entanto, não convenceu parte do público.

Nas redes sociais, diversos fãs classificaram a iniciativa como contraditória para um estúdio que sempre valorizou a criatividade humana e o trabalho de cineastas independentes.

Fãs lembram críticas anteriores à inteligência artificial

A reação negativa ganhou ainda mais força porque alguns profissionais ligados recentemente à A24 já haviam manifestado forte oposição ao uso de inteligência artificial generativa.

Um dos exemplos mais citados foi o diretor Kane Parsons, responsável pelo filme Backrooms. Antes do anúncio da parceria, o cineasta descreveu a IA generativa como uma forma de “deterioração cultural e econômica” e afirmou que gostaria que essa tecnologia simplesmente deixasse de existir.

Para muitos admiradores da A24, a aproximação com o Google contradiz justamente os valores que ajudaram a transformar o estúdio em referência para o cinema independente.

Relação da A24 com IA já gerou polêmicas anteriormente

Esta não é a primeira vez que a inteligência artificial coloca a A24 no centro de uma controvérsia.

Em 2024, o estúdio foi criticado por utilizar imagens geradas por IA em materiais promocionais do filme Guerra Civil (Civil War).

Pouco tempo depois, durante a divulgação do terror Herege (Heretic), a empresa fez questão de incluir um aviso informando que a produção não havia utilizado inteligência artificial generativa em sua realização.

Os episódios demonstravam uma postura cautelosa diante da tecnologia, o que tornou o anúncio da parceria com o DeepMind ainda mais surpreendente para parte do público.

Hollywood muda de posição sobre a inteligência artificial

Apesar das críticas, o movimento da A24 acompanha uma tendência cada vez mais visível na indústria cinematográfica.

Grandes estúdios, empresas de efeitos visuais e produtoras vêm ampliando seus investimentos em ferramentas de inteligência artificial capazes de acelerar processos como edição, organização de materiais, criação de efeitos visuais e planejamento de produções.

Embora ainda exista forte resistência entre artistas, roteiristas e diretores, muitos executivos acreditam que essas tecnologias farão parte do futuro do setor.

Nesse contexto, a decisão da A24 pode representar uma tentativa de participar da construção dessas ferramentas desde o início, em vez de simplesmente adotá-las quando estiverem prontas.

Resta saber se esse argumento será suficiente para convencer um público que sempre enxergou o estúdio como um dos principais defensores da criatividade humana no cinema.

 

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