Pular para o conteúdo
Ciência

Reduzir a população mundial pela metade pode ajudar a salvar o planeta, aponta estudo

Um estudo propõe que a humanidade reduza gradualmente sua população para cerca de 4 bilhões de pessoas até 2200, combinando a queda demográfica com menor consumo de recursos.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Pode parecer uma proposta radical: reduzir pela metade a população mundial. Mas pesquisadores defendem que uma queda lenta e voluntária para aproximadamente 4 bilhões de habitantes até 2200 poderia aliviar a pressão sobre o planeta. O objetivo não envolve controle populacional obrigatório, mas educação, planejamento familiar e mudanças profundas no consumo.

Um mundo com 4 bilhões de pessoas

O estudo que prevê uma mudança drástica na população mundial e acende um alerta para o futuro
© Unsplash

Publicado na revista científica Sustainable Development, o estudo liderado por Anastasia Pseiridis apresenta um cenário no qual a população mundial deixa primeiro de crescer e, depois, começa a diminuir gradualmente.

Hoje, mais de 8 bilhões de pessoas vivem na Terra. Na proposta dos pesquisadores, esse número cairia para aproximadamente 4 bilhões ao longo do próximo século e meio.

Segundo os autores, uma população menor, combinada com uma redução do impacto ambiental de cada indivíduo, poderia diminuir a pressão sobre os recursos naturais e ajudar na preservação de habitats, espécies e do clima.

O estudo também relaciona esse cenário a possíveis reduções da pobreza em regiões com altas taxas de natalidade, da poluição e dos conflitos relacionados à disputa por recursos. Além disso, aponta potenciais melhorias na qualidade de vida em regiões densamente povoadas.

Mas existe um detalhe fundamental: simplesmente reduzir a quantidade de pessoas não resolveria tudo.

O problema não está apenas em quantas pessoas existem

Durante décadas, o debate sobre crescimento populacional e meio ambiente foi resumido por uma lógica aparentemente simples: quanto mais pessoas, maior o consumo e, consequentemente, maior a pressão sobre o planeta.

A realidade é mais complicada.

Uma pessoa que vive em uma sociedade altamente industrializada pode consumir muito mais energia e recursos e produzir mais emissões do que alguém em uma região de baixa renda.

Por isso, os pesquisadores defendem mudanças simultâneas em duas variáveis: população e impacto ambiental por pessoa.

Uma humanidade formada por 4 bilhões de indivíduos com níveis extremamente elevados de consumo ainda poderia exercer enorme pressão sobre os ecossistemas. Por outro lado, mais de 8 bilhões de pessoas utilizando menos combustíveis fósseis e recursos naturais poderiam diminuir significativamente sua pegada ambiental.

Os 4 bilhões, portanto, não representam uma espécie de número mágico ou um limite exato de seres humanos que a Terra conseguiria sustentar.

Como reduzir a população sem medidas obrigatórias?

Estudo afirma que população atual já ultrapassa limite sustentável da Terra
© Pexels

A proposta não envolve esterilizações, limites para o número de filhos ou outras políticas coercitivas.

Os autores apostam principalmente em educação, acesso ao planejamento familiar e liberdade reprodutiva.

A explicação está em uma tendência observada em diferentes sociedades: quando as mulheres possuem mais educação, acesso a métodos contraceptivos e liberdade para decidir quando e quantos filhos desejam ter, as taxas de fecundidade geralmente diminuem.

O estudo apresenta diferentes exemplos.

No Irã, a taxa de fecundidade caiu de 4,08 filhos por mulher em 1992 para 1,94 em 2001. Na Coreia do Sul, passou de 4,07 em 1972 para 1,93 em 1984. A Costa Rica apresentou uma trajetória semelhante, passando de 4,16 em 1972 para 1,98 em 2009.

Para os pesquisadores, esses casos mostram que transformações demográficas relativamente rápidas podem acontecer sem obrigar as famílias a terem menos filhos.

A população mundial já está seguindo esse caminho

Embora a população global continue aumentando, sua velocidade de crescimento vem diminuindo.

Grande parte do planeta já passou ou está passando pela chamada transição demográfica. Conforme aumentam fatores como educação, sobrevivência infantil, renda e acesso à saúde reprodutiva, as famílias tendem a ter menos filhos.

Em alguns países, o cenário já se inverteu completamente. Governos enfrentam agora populações em declínio e rápido envelhecimento.

Por isso, o cenário proposto pelo estudo não prevê o desaparecimento repentino de bilhões de pessoas. A transformação aconteceria durante várias gerações.

Primeiro, a população mundial deixaria de crescer. Depois, começaria uma redução gradual até atingir um nível significativamente menor.

Uma população menor também criaria novos problemas

Reduzir a população, porém, não eliminaria automaticamente os desafios ambientais e ainda poderia criar outros problemas econômicos e sociais.

Uma sociedade com menos nascimentos tende a envelhecer. Isso significa proporcionalmente menos trabalhadores e mais idosos dependentes de sistemas de aposentadoria e saúde.

Os pesquisadores também destacam que a redução demográfica precisaria acontecer junto com mudanças no modelo de consumo.

O crescimento permanente da produção, da riqueza material e do uso de recursos naturais não poderia continuar indefinidamente sem consequências ambientais.

Nesse sentido, talvez a questão mais importante levantada pelo estudo não seja exatamente quantas pessoas deveriam viver na Terra.

O verdadeiro desafio seria descobrir como construir sociedades capazes de oferecer qualidade de vida sem depender permanentemente do crescimento populacional e do aumento do consumo.

Chegar a 4 bilhões de habitantes não seria, por si só, uma solução para a crise ambiental. A proposta dos pesquisadores é mais ampla: reduzir gradualmente a pressão demográfica enquanto cada pessoa também diminui sua pegada sobre o planeta.

No fim das contas, o futuro da Terra não depende apenas de quantos seres humanos estarão aqui, mas também de como eles escolherão viver.

 

[ Fonte: La Razón ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados