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Ciência

Polo sul da Lua vira alvo da nova corrida espacial — e a água é o grande motivo

A NASA e outras potências espaciais estão de olho no polo sul lunar, uma região que pode esconder grandes reservas de gelo essenciais para futuras bases humanas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A nova corrida espacial não pretende simplesmente repetir o feito de colocar astronautas na Lua. O objetivo agora é muito mais ambicioso: aprender a permanecer por lá. E praticamente todos os grandes projetos de exploração lunar estão interessados no mesmo lugar — o polo sul da Lua. A razão está escondida dentro de crateras que praticamente nunca recebem luz solar e podem conservar água congelada há bilhões de anos.

Para a NASA, esse recurso poderá ser fundamental para transformar a Lua em uma plataforma permanente de exploração espacial e, futuramente, ajudar a preparar missões tripuladas para Marte.

Por que todo mundo quer chegar ao polo sul da Lua?

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© Unsplash

O polo sul lunar possui características muito diferentes das regiões visitadas pelas missões Apollo.

Jacob Bleacher, cientista-chefe de exploração da NASA, explica que nessa área o Sol permanece muito próximo do horizonte. Isso cria regiões que recebem iluminação durante longos períodos e outras que permanecem constantemente na sombra.

Essa combinação é extremamente interessante.

As áreas iluminadas podem favorecer a geração de eletricidade com painéis solares. Enquanto isso, crateras permanentemente sombreadas funcionam como gigantescos congeladores naturais.

Algumas dessas regiões podem atingir temperaturas próximas de -203 °C.

Nesse ambiente extremamente frio, água e outros compostos voláteis conseguem permanecer congelados durante períodos enormes.

E é justamente esse gelo que pode mudar completamente a maneira como exploramos a Lua.

Água lunar pode valer muito mais do que parece

Transportar qualquer material da Terra para a Lua é extremamente caro. Por isso, quanto mais recursos os astronautas conseguirem obter diretamente do ambiente lunar, mais sustentável poderá se tornar uma base permanente.

A água seria particularmente valiosa.

Além de servir para consumo humano, ela pode ser separada em hidrogênio e oxigênio. O oxigênio poderia ajudar a abastecer sistemas de suporte à vida, enquanto esses elementos também podem ser utilizados na produção de propelentes.

Na prática, encontrar depósitos de gelo acessíveis poderia reduzir a necessidade de transportar enormes quantidades de recursos desde a Terra.

A Lua deixaria de ser apenas um destino e poderia se transformar em uma espécie de posto avançado para missões mais distantes.

Ainda não sabemos quanto gelo existe por lá

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© Credit: Michael Carroll

Apesar do enorme interesse, muitas perguntas continuam sem resposta.

Os cientistas ainda precisam descobrir exatamente quanto gelo existe no polo sul, como ele está distribuído e em que condições aparece no solo lunar.

Também é necessário entender quais outros materiais estão misturados a esses depósitos.

As próximas missões do programa Artemis deverão ajudar a responder algumas dessas questões.

A NASA pretende utilizar a nova geração de missões lunares para explorar a região e desenvolver tecnologias necessárias para uma presença humana mais duradoura.

A agência também estuda sistemas capazes de fornecer energia continuamente às futuras instalações lunares. Entre as possibilidades está o uso de reatores nucleares, que poderiam reduzir a dependência exclusiva da energia solar.

O gelo da Lua também guarda pistas sobre a Terra

A importância científica dessas reservas vai além de manter astronautas vivos.

Segundo Bleacher, o gelo preservado nas crateras lunares pode ajudar pesquisadores a investigar a origem da água no Sistema Solar interior.

A Lua funciona quase como um arquivo da história antiga do nosso bairro cósmico.

Na Terra, bilhões de anos de atividade geológica, erosão, atmosfera e tectônica de placas apagaram grande parte dos registros mais antigos do planeta. A superfície lunar, por outro lado, permaneceu relativamente preservada.

Estudar seus depósitos pode revelar pistas sobre como água e outros materiais chegaram aos planetas internos do Sistema Solar.

Viver na Lua será muito mais difícil do que chegar até ela

Ter recursos disponíveis não significa que estabelecer uma base lunar será simples.

A própria iluminação do polo sul cria enormes desafios. Dependendo da localização, períodos prolongados de escuridão podem deixar equipamentos e astronautas expostos a temperaturas extremamente baixas.

A noite lunar pode durar aproximadamente duas semanas terrestres em determinadas regiões.

Equipamentos precisam sobreviver a grandes variações térmicas, enquanto sistemas de energia, comunicação e suporte à vida terão de continuar funcionando em condições extremamente hostis.

Também será necessário desenvolver tecnologias capazes de localizar, extrair e processar recursos diretamente do solo lunar.

A Lua pode ser o treinamento para chegar a Marte

Para a NASA, resolver esses problemas faz parte de um objetivo ainda maior.

Antes de enviar astronautas para Marte, será necessário aprender como seres humanos podem sobreviver durante longos períodos longe da Terra e com recursos limitados.

Na Lua, missões ainda estarão relativamente próximas do nosso planeta. Isso permite testar habitats, veículos, sistemas de geração de energia e técnicas de utilização de recursos locais em condições reais.

Em Marte, qualquer emergência será muito mais complicada.

Por isso, aprender a produzir água, oxigênio e eventualmente combustível utilizando materiais disponíveis no próprio destino pode ser essencial para futuras missões interplanetárias.

A nova corrida pela Lua, portanto, não termina quando alguém colocar novamente os pés em sua superfície. O verdadeiro desafio começa depois: descobrir como permanecer por lá.

E, se os planos das agências espaciais avançarem, o gelo escondido nas regiões mais escuras do polo sul lunar poderá ser uma das peças fundamentais para transformar a presença humana fora da Terra em algo permanente.

 

[ Fonte: El Mundo ]

 

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