Poucos temas relacionados à saúde geram tanta confusão quanto a formação de cálculos renais. Entre recomendações populares e informações compartilhadas nas redes sociais, uma das dúvidas mais frequentes envolve a água mineral. Afinal, beber água rica em minerais pode favorecer o surgimento das chamadas pedras nos rins? Segundo médicos e pesquisadores, a resposta é, na maioria dos casos, não.
Como surgem as pedras nos rins
Os rins funcionam como filtros naturais do organismo, removendo resíduos e regulando substâncias presentes no sangue. Em determinadas situações, minerais e sais podem se concentrar excessivamente na urina e formar pequenos cristais.
Com o tempo, esses cristais podem crescer e dar origem aos cálculos renais, estruturas sólidas que podem causar dor intensa, dificuldade para urinar e outras complicações.
Apesar da fama do cálcio como vilão, os especialistas explicam que a formação das pedras costuma estar mais relacionada à baixa ingestão de líquidos, ao excesso de sal na alimentação e a fatores genéticos do que ao consumo de água mineral.
O que existe dentro da água mineral

A água mineral contém naturalmente elementos como cálcio, magnésio, bicarbonato, potássio e sódio. A quantidade desses minerais varia conforme a origem da fonte e o processo de engarrafamento.
É justamente a presença desses componentes que leva algumas pessoas a acreditarem que a bebida poderia contribuir para o surgimento de cálculos renais. No entanto, o cálcio ingerido por meio da alimentação e das bebidas normalmente não é o principal responsável pela formação das pedras.
Na verdade, diversos estudos mostram que uma ingestão adequada de cálcio pode até ajudar a reduzir a absorção intestinal de oxalato, substância frequentemente associada aos cálculos renais mais comuns.
Água com gás faz mal para os rins?
Outra dúvida recorrente envolve a água mineral gaseificada.
Segundo especialistas, o gás carbônico utilizado para criar a carbonatação não provoca pedras nos rins nem prejudica diretamente o funcionamento renal em pessoas saudáveis.
A principal atenção deve estar no teor de sódio presente em algumas marcas. Certas águas minerais podem conter concentrações relativamente elevadas desse mineral, e o consumo excessivo de sódio está associado ao aumento da pressão arterial e a um maior risco de problemas renais ao longo do tempo.
Por isso, vale a pena conferir o rótulo, especialmente para quem já possui hipertensão ou histórico de doenças renais.
O verdadeiro inimigo é a desidratação

Se existe um fator amplamente reconhecido pelos nefrologistas como responsável pelo aumento do risco de cálculos renais, ele é a desidratação.
Quando o organismo recebe pouca água, a urina fica mais concentrada. Isso facilita o acúmulo de minerais e aumenta as chances de formação de cristais.
É justamente por esse motivo que manter uma boa hidratação está entre as recomendações mais importantes para prevenir pedras nos rins.
Seja por meio de água filtrada, mineral ou mineral com gás, o mais importante é garantir um consumo adequado de líquidos ao longo do dia.
Pesquisas indicam que pessoas que mantêm uma hidratação consistente apresentam um risco significativamente menor de desenvolver cálculos renais em comparação com aquelas que ingerem pouca água.
Quem já teve pedras nos rins precisa tomar cuidado?
Pessoas que já sofreram com cálculos renais devem receber orientações individualizadas de um médico ou nefrologista.
Dependendo do tipo de cálculo formado, pode ser necessário ajustar a alimentação, reduzir o consumo de sódio e aumentar ainda mais a ingestão de líquidos.
Nesses casos, águas minerais com baixo teor de sódio costumam ser as opções mais recomendadas. Além disso, especialistas orientam evitar o consumo excessivo de refrigerantes, bebidas açucaradas e dietas muito ricas em proteína animal, fatores que possuem uma relação mais clara com a formação de cálculos.
Como proteger a saúde dos rins
A prevenção continua sendo a melhor estratégia para evitar problemas renais. As recomendações mais importantes incluem beber água regularmente, reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física.
Também é importante procurar avaliação médica diante de sintomas como dor lombar recorrente, sangue na urina ou histórico familiar de cálculos renais.
No fim das contas, a água mineral não é a vilã dessa história. Para a maioria das pessoas, ela pode fazer parte de uma rotina saudável de hidratação. O maior risco para os rins continua sendo exatamente o contrário: beber menos água do que o organismo precisa.
[ Fonte: Infobae ]