Durante a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, os hotéis foram os grandes vencedores. A receita do setor cresceu mais de 55% em relação ao ano anterior, enquanto o Airbnb ainda dava seus primeiros passos no mercado.
Dezesseis anos depois, o cenário mudou completamente. Na Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, a plataforma de aluguel por temporada vem superando os hotéis em diversas cidades-sede, indicando uma mudança importante na forma como os torcedores escolhem onde se hospedar.
Airbnb amplia oferta de imóveis durante a Copa
Segundo reportagem do Financial Times, dados da empresa AirDNA mostram que as plataformas de aluguel de curta temporada ganharam cerca de 52 mil novos anúncios antes do início da Copa do Mundo.
Isso representa um aumento de aproximadamente 12% na oferta de imóveis disponíveis para turistas.
A expansão confirma uma tendência observada meses antes do torneio, quando analistas já apontavam que os hotéis estavam recebendo menos reservas do que esperavam.
Hotéis perderam ocupação mesmo com a chegada dos turistas
Dados da consultoria CoStar indicam que a taxa de ocupação dos hotéis caiu durante os primeiros 17 dias da competição.
Especialistas atribuem parte desse resultado ao aumento dos preços.
Segundo Aran Ryan, da consultoria Tourism Economics, os hotéis das cidades que receberam jogos elevaram suas tarifas em cerca de 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, muitos turistas optaram por imóveis de temporada, que ofereciam mais espaço e preços considerados mais competitivos.
Incentivos do Airbnb ajudaram a atrair novos anfitriões
O Airbnb também lançou uma campanha para ampliar rapidamente sua oferta.
A empresa ofereceu bônus de US$ 750 para novos anfitriões que disponibilizassem imóveis próximos aos estádios da Copa.
Segundo a plataforma, esse foi o maior programa de incentivo já criado para novos anúncios.
Além disso, muitos proprietários utilizaram o recurso Smart Pricing, ferramenta que ajusta automaticamente os preços conforme a demanda da região.
Kansas City mostra como a tendência mudou
Kansas City se tornou um dos exemplos mais claros dessa transformação.
De acordo com a CoStar, a quantidade de imóveis para aluguel de curta temporada praticamente dobrou na cidade durante o torneio.
Ao mesmo tempo, o preço médio dessas hospedagens aumentou 63% em relação ao ano anterior.
Mesmo com esse crescimento nas diárias, a procura permaneceu elevada.
Já os hotéis registraram queda de 8,5% na ocupação no mesmo período.
Hotéis de luxo conseguiram escapar da queda
Apesar da redução geral nas reservas, nem todos os hotéis tiveram desempenho negativo.
Segundo o Financial Times, os estabelecimentos de luxo conseguiram compensar a menor ocupação cobrando tarifas significativamente mais altas.
Muitos deles hospedaram delegações oficiais, executivos, patrocinadores e clientes de alto poder aquisitivo, o que ajudou a manter a rentabilidade durante a competição.
Copa de 2026 confirma uma mudança no mercado
Os números mostram que a disputa entre hotéis e plataformas de aluguel por temporada entrou em uma nova fase.
Enquanto o Airbnb amplia sua presença aproveitando grandes eventos internacionais, os hotéis enfrentam um consumidor cada vez mais interessado em opções flexíveis, apartamentos completos e preços ajustados em tempo real.
A Copa do Mundo de 2026 pode representar um marco nessa transformação, mostrando que grandes eventos esportivos já não garantem automaticamente vantagem para a hotelaria tradicional.