Aprender um novo idioma nunca é exatamente simples. No entanto, algumas línguas exigem muito mais esforço do que outras, principalmente quando apresentam estruturas completamente diferentes da língua materna do estudante.
Instituições como o Foreign Service Institute (FSI), dos Estados Unidos, classificam os idiomas de acordo com o tempo médio necessário para que um adulto alcance proficiência profissional. Nessa avaliação, fatores como gramática, sistema de escrita, pronúncia e distância linguística desempenham um papel fundamental.
O que torna um idioma mais difícil?

A dificuldade de uma língua não depende apenas da quantidade de palavras ou das regras gramaticais.
Especialistas consideram vários fatores ao avaliar o nível de complexidade de um idioma.
Entre eles estão o sistema de escrita, a estrutura das frases, a pronúncia, a existência de tons, a quantidade de flexões gramaticais e o grau de semelhança com outras línguas já conhecidas pelo estudante.
Quanto maior essa distância estrutural, maior tende a ser o tempo necessário para dominar o idioma.
1. Chinês mandarim
O mandarim é amplamente considerado um dos idiomas mais difíceis para falantes de línguas ocidentais.
Segundo o FSI, são necessárias cerca de 2.200 horas de estudo para atingir um nível avançado de proficiência.
O principal desafio está no sistema tonal. Uma mesma sílaba pode assumir significados completamente diferentes dependendo da entonação utilizada.
Além disso, a escrita utiliza milhares de caracteres logográficos que precisam ser memorizados, já que não existe uma correspondência direta entre a pronúncia e a forma escrita.
2. Árabe
O árabe moderno padrão também integra a categoria de maior dificuldade.
Sua escrita ocorre da direita para a esquerda, e o formato das letras muda conforme a posição dentro da palavra.
Outro desafio importante é a chamada diglossia.
O idioma ensinado formalmente difere bastante das variedades faladas no cotidiano. Em muitos casos, os dialetos regionais apresentam diferenças tão grandes que nem sempre são totalmente compreensíveis entre si.
3. Japonês
O japonês reúne três sistemas de escrita diferentes: hiragana, katakana e kanji.
Os caracteres kanji, originários da China, podem apresentar várias leituras dependendo do contexto, o que torna a leitura e a escrita especialmente complexas.
Além disso, a gramática difere bastante da maioria das línguas ocidentais. Os verbos aparecem no fim das frases e o idioma utiliza diversos níveis de formalidade conforme a situação social.
Assim como o mandarim, o japonês exige cerca de 2.200 horas de estudo para alcançar fluência profissional.
4. Húngaro
O húngaro pertence à família das línguas urálicas e apresenta poucas semelhanças com idiomas como português, espanhol ou inglês.
Sua principal dificuldade está no sistema de casos gramaticais.
A língua possui mais de quinze casos, formados por meio da adição de diferentes sufixos às palavras.
Como consequência, uma única palavra pode transmitir informações que, em outros idiomas, exigiriam uma frase inteira.
5. Coreano
O alfabeto coreano, conhecido como hangul, costuma ser considerado relativamente fácil de aprender.
Entretanto, a gramática representa um desafio muito maior.
O idioma utiliza diferentes níveis de formalidade que variam conforme a idade, a posição social e a relação entre os interlocutores.
Além disso, a ordem das palavras, o uso constante de partículas e a omissão frequente do sujeito obrigam o estudante a interpretar continuamente o contexto da conversa.
Por que esses idiomas exigem mais do cérebro?

Segundo linguistas, uma língua se torna especialmente difícil quando obriga o cérebro a reorganizar padrões básicos de comunicação.
Isso inclui a maneira de construir frases, interpretar sons e relacionar a escrita com a pronúncia.
Quanto maior a diferença entre a nova língua e o idioma nativo do estudante, maior costuma ser o esforço cognitivo durante o aprendizado.
Por isso, dominar essas línguas depende muito mais de tempo, prática constante e exposição ao idioma do que de talento natural.
O esforço também traz benefícios
Apesar do alto grau de dificuldade, aprender idiomas complexos oferece vantagens importantes.
Pesquisas em psicolinguística indicam que esse processo fortalece a memória de trabalho, aumenta a flexibilidade cognitiva e melhora a capacidade de adaptação a diferentes sistemas linguísticos.
Mais do que aprender uma nova forma de comunicação, estudar essas línguas representa um exercício intenso para o cérebro, ampliando a compreensão sobre as diferentes maneiras como a linguagem pode ser organizada.
[ Fonte: La Sexta ]