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Alerta falso de terremoto de magnitude 9,9 no Japão não foi causado por ataque hacker

Aviso emergencial mobilizou emissoras, alto-falantes e sistemas de transporte antes de ser cancelado. Agência meteorológica investiga o erro e descarta um ataque cibernético como causa do episódio.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um alerta de terremoto de magnitude 9,9 surpreendeu moradores do Japão às 12h40 de sexta-feira, 16 de outubro. A informação apareceu na televisão e foi transmitida por alto-falantes em cidades do país. O aviso indicava um abalo superior a qualquer outro já registrado. Oito minutos depois, porém, a Agência Meteorológica do Japão retirou a advertência: o terremoto anunciado não havia atingido o território japonês.

Um tremor distante deu origem ao aviso

Houve um terremoto real, mas suas características eram muito diferentes das apresentadas no alerta. O abalo teve magnitude 6,9 e ocorreu próximo à península de Kamchatka, na Rússia, a nordeste do Japão.

Segundo o Japan Times, foi a primeira vez que um aviso emergencial de terremoto recebeu esse tipo de cancelamento. Isso não significa que o país nunca tenha registrado um alarme falso, mas destaca a forma como a agência precisou corrigir a informação.

Até os relatos citados na reportagem, não havia notícias de danos provocados pelo tremor na Rússia. No Japão, ao menos uma linha ferroviária sofreu interrupção porque o sistema de segurança suspendeu automaticamente a circulação diante da possibilidade de um grande terremoto.

O episódio mostra como um aviso incorreto pode produzir efeitos concretos, mesmo quando o desastre anunciado não acontece.

A causa do erro continua sob investigação

A agência meteorológica investiga o que provocou o cálculo equivocado. Uma das hipóteses mencionadas é a aplicação de uma fórmula de magnitude voltada a terremotos próximos do Japão a um evento ocorrido muito longe do país.

Essa possibilidade ainda não deve ser tratada como uma explicação definitiva. O ponto confirmado é que o aviso apresentou uma magnitude incompatível com o terremoto registrado.

A dimensão do número ajudou a ampliar o susto. O maior terremoto documentado teve magnitude 9,5 e ocorreu no Chile em 1960.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, aquele desastre matou aproximadamente 1.655 pessoas e deixou cerca de dois milhões de desabrigados. Um alerta de magnitude 9,9, portanto, anunciava um evento sem precedente nos registros históricos.

Por que surgiram suspeitas de ataque hacker

Parte do público cogitou uma invasão dos sistemas de emergência. O contexto de ataques digitais no Japão ajudou a alimentar essa interpretação.

Entretanto, segundo o New York Times, o funcionário da agência meteorológica Ayataka Ebita afirmou que o alerta falso não resultou de um ataque cibernético.

A reportagem relaciona a suspeita à crescente preocupação com invasões capazes de afetar serviços cotidianos. Entre os exemplos mencionados está um ataque recente a sistemas de refrigeração de supermercados franceses, que teria alterado temperaturas e provocado perda de alimentos.

Ainda assim, a existência de incidentes desse tipo não determina a origem de outro problema. No caso japonês, a investigação se concentra em esclarecer a falha responsável pelo aviso.

O precedente que assustou o Havaí

O episódio lembra outro alarme falso com grande repercussão. Em 13 de janeiro de 2018, moradores do Havaí receberam uma mensagem sobre a aproximação de um míssil balístico e foram orientados a procurar abrigo.

O aviso ocorreu durante um período de tensão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. A confirmação de que não havia um ataque demorou cerca de 40 minutos.

No Japão, a correção veio em oito minutos. Mesmo com esse intervalo menor, o caso evidenciou a rapidez com que sistemas de emergência conseguem mobilizar pessoas, meios de comunicação e transportes.

Agora, a investigação deverá explicar por que um terremoto distante gerou uma advertência tão extrema e quais ajustes serão necessários para evitar sua repetição.

 

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