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Tecnologia

Pesquisa coloca quatro chatbots à prova e alerta para desinformação eleitoral gerada por IA

Um levantamento colocou alguns dos chatbots mais populares à prova com perguntas eleitorais. As respostas revelaram erros que vão de informações desatualizadas a afirmações inexistentes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Milhões de pessoas já recorrem à inteligência artificial para tirar dúvidas que antes seriam respondidas por uma busca na internet. O problema começa quando a pergunta envolve eleições, candidatos ou regras oficiais e a resposta parece convincente, mas está errada. Um estudo realizado no Brasil decidiu testar justamente esse cenário. Quatro dos chatbots mais conhecidos foram avaliados, e nenhum deles passou completamente ileso pela experiência.

Quatro chatbots foram colocados à prova no Brasil

Pesquisa coloca quatro chatbots à prova e alerta para desinformação eleitoral gerada por IA
© Solen Feyissa – Pexels

Os principais chatbots de inteligência artificial disponíveis aos brasileiros podem fornecer informações incorretas quando questionados sobre eleições, segundo um levantamento realizado pela organização internacional Ekō.

Os pesquisadores avaliaram Meta AI, Gemini, ChatGPT e Grok com perguntas formuladas em português. Os testes ocorreram entre 24 de junho e 1º de julho e foram conduzidos em São Paulo.

A proposta era verificar como essas ferramentas se comportavam diante de questões relacionadas ao processo eleitoral brasileiro. O resultado mostrou diferentes tipos de falhas, desde informações factualmente incorretas até referências a fontes e personagens que não correspondiam à realidade.

Segundo os dados divulgados pelo Estadão, a Meta AI apresentou o maior percentual de respostas problemáticas. Cerca de 24% das respostas analisadas foram classificadas como parcial ou totalmente imprecisas.

ChatGPT e Grok ficaram empatados, com índice de 12%. O Gemini apresentou o menor percentual entre as quatro ferramentas testadas, com 8% das respostas enquadradas nessas categorias.

Embora os percentuais sejam diferentes, o levantamento chama atenção para um problema comum aos sistemas: a possibilidade de apresentar uma informação falsa ou imprecisa utilizando uma linguagem segura e aparentemente confiável.

É justamente essa característica que pode dificultar a identificação do erro por alguém que desconheça o assunto.

Os erros foram de candidatos a informações oficiais

O estudo também apresentou exemplos que ajudam a entender a natureza das falhas encontradas.

Em uma das respostas analisadas, a Meta AI teria afirmado que Jair Bolsonaro nunca havia sido condenado em relação aos atos de 8 de janeiro. A ferramenta apresentou, portanto, uma informação que os pesquisadores classificaram como problemática diante do contexto político e judicial avaliado.

Já o Gemini cometeu um tipo diferente de erro. Ao fornecer informações relacionadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o chatbot apresentou um contato que não existia.

O caso ilustra um fenômeno particularmente delicado em sistemas de inteligência artificial generativa. Em determinadas situações, o modelo pode produzir telefones, referências, endereços, nomes ou outras informações que parecem plausíveis, mesmo sem correspondência com uma fonte real.

O ChatGPT, por sua vez, incluiu entre suas respostas nomes de candidatos que não estavam concorrendo à Presidência da República.

No Grok, os pesquisadores encontraram outro problema. A ferramenta teria afirmado existir uma coordenação entre tribunais e o governo federal destinada a restringir a liberdade de expressão, apresentando como fato uma alegação que exigiria evidências robustas.

Os exemplos mostram que a desinformação produzida por IA não aparece necessariamente da mesma maneira em todas as plataformas. Um chatbot pode errar um dado objetivo, outro pode inventar uma referência e um terceiro pode apresentar uma interpretação sem sustentação suficiente como se fosse uma conclusão estabelecida.

Por que os erros de uma IA podem parecer convincentes

O levantamento ganha importância em um momento em que chatbots estão deixando de funcionar apenas como ferramentas de curiosidade ou produtividade.

Cada vez mais usuários fazem perguntas diretamente a esses sistemas e recebem uma resposta pronta, sem necessariamente consultar as fontes originais.

Essa dinâmica é especialmente sensível durante períodos eleitorais. Informações sobre candidatos, locais de votação, Justiça Eleitoral, regras do processo e decisões judiciais podem influenciar diretamente a compreensão dos cidadãos sobre uma eleição.

Há ainda uma diferença importante em relação à busca tradicional na internet. Em um mecanismo de pesquisa, normalmente o usuário recebe diferentes páginas e pode comparar fontes. Um chatbot tende a sintetizar tudo em uma única resposta, muitas vezes escrita com naturalidade e segurança.

Isso não significa que toda informação fornecida por inteligência artificial esteja errada. Os próprios números do estudo indicam que a maioria das respostas avaliadas não foi classificada como parcial ou totalmente imprecisa.

O problema está justamente nas exceções.

Quando uma ferramenta utilizada em grande escala inventa um contato oficial, apresenta candidatos inexistentes em determinada disputa ou transforma alegações controversas em fatos, um único erro pode alcançar muitas pessoas.

O estudo da Ekō reforça, portanto, uma recomendação que se torna ainda mais relevante em períodos eleitorais: respostas geradas por inteligência artificial não devem substituir fontes oficiais. Para informações sobre votação, candidaturas, regras e decisões eleitorais, a verificação diretamente nos canais da Justiça Eleitoral continua sendo fundamental.

[Fonte: Vero]

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