A poucos meses de uma nova eleição presidencial, a Colômbia volta a conviver com sinais inquietantes de instabilidade. Desta vez, o alerta partiu do mais alto escalão do poder. Um deslocamento que deveria ser rotineiro terminou com uma mudança brusca de rota e uma denúncia grave, que rapidamente ganhou dimensão política e reacendeu memórias de um passado marcado pela violência.
Um voo interrompido e uma acusação direta
O presidente Gustavo Petro afirmou nesta terça-feira que escapou de um possível atentado enquanto se deslocava em um helicóptero oficial. Segundo o mandatário, a aeronave não conseguiu pousar na noite de segunda-feira no departamento de Córdoba porque havia o temor de que disparos fossem feitos durante a manobra de descida.
A declaração foi feita durante uma reunião ministerial transmitida ao vivo, o que deu ainda mais peso político ao relato. Petro disse que, diante do risco, o helicóptero seguiu por mar aberto durante cerca de quatro horas até conseguir aterrissar em segurança em outro local. “Cheguei onde não tínhamos que chegar, escapando de que me matem”, afirmou.
O presidente atribuiu a ameaça a uma articulação envolvendo narcotraficantes que vivem fora do país e grupos armados ilegais ativos no território colombiano.
Grupos armados e o pano de fundo do conflito
De acordo com Petro, entre os responsáveis pelo suposto plano estaria uma dissidência das antigas FARC liderada por Iván Mordisco. O presidente afirmou que as suspeitas se apoiam em alertas de inteligência e em episódios anteriores que já haviam levado ao cancelamento de compromissos públicos em 2024 por razões de segurança.
A região mencionada no incidente, o departamento de Córdoba, é considerada um reduto estratégico do Clã do Golfo, uma das maiores organizações criminosas do país. Recentemente, o grupo rompeu diálogos de paz com o governo colombiano após um acordo entre Petro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para intensificar a captura de seu principal líder, conhecido como “Chiquito Malo”.
Violência política e memória histórica
Ao comentar o episódio, Petro fez referência à história recente da Colômbia, lembrando que líderes de esquerda frequentemente foram alvo de alianças entre o narcotráfico e grupos paramilitares. Durante sua própria campanha eleitoral, o então candidato chegou a adotar medidas de segurança reforçadas, como o uso de proteção blindada, diante de ameaças semelhantes.
Embora o presidente esteja legalmente impedido de disputar a reeleição, o ambiente político segue contaminado por tensões. A escalada de ameaças, somada à paralisação de negociações de paz com grupos armados, contribui para um clima eleitoral instável, a apenas três meses do próximo pleito.
Reação do governo e investigação em andamento
Após o episódio, o governo colombiano anunciou o reforço dos protocolos de segurança aérea e o início de uma investigação para apurar a origem da ameaça que impediu o pouso do helicóptero presidencial. Até o momento, não foram divulgados detalhes técnicos sobre o alerta que levou à mudança de rota.
O relato de Petro, feito em rede nacional, não apenas levantou questionamentos sobre sua segurança pessoal, mas também expôs, mais uma vez, a fragilidade do processo político colombiano diante da persistência da violência armada.
[Fonte: Ambito]