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Ciência

Animais podem ajudar no tratamento de doenças? A ciência diz que sim

Cães, cavalos e outros animais estão ganhando espaço em hospitais e terapias. Pesquisas mostram que essa conexão vai muito além do carinho e pode influenciar profundamente o desenvolvimento humano.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quem convive com um animal de estimação costuma perceber algo difícil de explicar apenas com palavras: a sensação de conforto que surge na presença de um pet. Esse vínculo emocional, antes visto apenas como afeto cotidiano, hoje desperta o interesse da ciência. Pesquisadores e profissionais da saúde vêm descobrindo que a interação entre humanos e animais pode desempenhar um papel muito mais profundo do que imaginávamos — inclusive dentro de contextos terapêuticos.

Quando a ciência começou a olhar para a relação entre humanos e animais

Durante muito tempo, a convivência com animais foi vista principalmente como um aspecto cultural ou emocional da vida humana. No entanto, nas últimas décadas, pesquisadores começaram a analisar essa relação sob uma perspectiva científica.

Dessa investigação surgiu um campo conhecido como Terapia Assistida por Animais (TAA). A prática consiste em integrar animais treinados a planos terapêuticos estruturados, com objetivos específicos voltados para o bem-estar físico, emocional, social ou cognitivo de pacientes.

Embora hoje a abordagem esteja mais difundida, suas origens remontam a estudos do psicoterapeuta infantil Boris Levinson, que nos anos 1960 observou como a presença de cães facilitava a comunicação de crianças em sessões terapêuticas.

Desde então, a área evoluiu significativamente. Pesquisas mais recentes passaram a utilizar metodologias rigorosas para avaliar os efeitos dessa interação.

Hoje, hospitais, centros de reabilitação, escolas e instituições de cuidado utilizam animais como parte de programas estruturados de tratamento.

O motivo é simples: a presença de um animal pode reduzir barreiras emocionais que, muitas vezes, dificultam processos terapêuticos tradicionais.

Além disso, o contato com animais tende a estimular respostas fisiológicas positivas no organismo humano, como redução do estresse e aumento da sensação de segurança.

Os benefícios que vão muito além do conforto emocional

As pesquisas recentes indicam que os efeitos dessa interação podem alcançar diversas áreas do desenvolvimento humano.

Em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, estudos mostram que a presença de cães em sessões terapêuticas pode melhorar a interação social e reduzir comportamentos repetitivos.

Esses animais funcionam como mediadores de comunicação, facilitando a construção de vínculos e estimulando respostas emocionais.

Outro campo em que os resultados chamam atenção envolve pacientes com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Nesse contexto, cães de assistência ajudam a diminuir o isolamento social e aumentam a sensação de segurança no dia a dia.

Mas o papel dos animais não se limita ao apoio emocional.

Atualmente, alguns cães são treinados para detectar alterações fisiológicas no corpo humano. Eles podem identificar crises epilépticas iminentes, mudanças nos níveis de glicose em pacientes diabéticos e até sinais associados a determinados tipos de câncer.

Essas habilidades estão relacionadas ao olfato extremamente sensível dos cães, capaz de detectar compostos químicos imperceptíveis para os humanos.

Outro exemplo importante é a hipoterapia, que utiliza cavalos como recurso terapêutico.

O movimento tridimensional do animal durante a montaria estimula o sistema neuromotor do paciente, favorecendo o desenvolvimento do equilíbrio, da coordenação motora e do controle postural.

Além dos ganhos físicos, essa prática também costuma fortalecer a autoestima e a confiança dos participantes.

Projetos brasileiros que usam animais em terapias

No Brasil, diversas iniciativas vêm incorporando a Terapia Assistida por Animais em diferentes contextos de cuidado.

Um exemplo é o Medicão, projeto que atua em hospitais e instituições de saúde utilizando cães treinados para participar de atividades terapêuticas com pacientes.

A presença dos animais ajuda a reduzir o estresse hospitalar, especialmente entre crianças e idosos.

Outro projeto relevante é o KDOG Brasil, que trabalha com treinamento de cães capazes de identificar, pelo olfato, sinais precoces de câncer de mama. A iniciativa também desenvolve pesquisas para ampliar o uso dessa capacidade em diagnósticos médicos.

Já o Instituto Brasileiro de Educação e Terapia Assistida por Animais (IBETAA) atua com crianças e adolescentes em contextos de vulnerabilidade social.

Nesses casos, os animais são integrados a programas educativos e terapêuticos que buscam melhorar habilidades sociais, emocionais e cognitivas.

Esses projetos mostram que a presença dos animais pode desempenhar um papel significativo em diferentes áreas do cuidado humano.

O que antes era percebido apenas como companhia agora se revela uma ferramenta valiosa em diversos contextos terapêuticos.

E quanto mais a ciência investiga essa conexão, mais claro se torna que a relação entre humanos e animais pode ser muito mais poderosa do que imaginávamos.

Fonte: Metrópoles

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