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Tecnologia

Apple entra na era John Ternus com um enorme problema para resolver: a inteligência artificial

John Ternus se tornou apenas o terceiro CEO da Apple em quase 30 anos. Depois de assumir o lugar de Tim Cook, o executivo terá uma missão decisiva: corrigir a estratégia de inteligência artificial da empresa e impedir que rivais ganhem espaço em uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Uma nova era começou na Apple em 1º de setembro de 2026. John Ternus assumiu oficialmente o comando da gigante de tecnologia, encerrando os 15 anos de Tim Cook como CEO.

Ternus havia sido anunciado como sucessor em abril. Desde então, trabalhou ao lado de Cook para se preparar para assumir uma das empresas mais valiosas e influentes do planeta.

O desafio é enorme.

Durante a gestão de Cook, as ações da Apple valorizaram mais de 2.000%, enquanto a empresa vendeu mais de 3,1 bilhões de iPhones. Ternus herda, portanto, uma companhia extremamente poderosa.

Mas também recebe um problema que pode definir seu mandato: a inteligência artificial.

A Apple enfrentou dificuldades para acompanhar a rápida evolução dessa tecnologia. Enquanto concorrentes avançaram com modelos generativos e novos serviços, críticos passaram a considerar a empresa atrasada nessa corrida.

Agora, caberá a Ternus mudar essa percepção.

O primeiro grande teste acontece em 9 de setembro

Tim Cook deixa o comando da Apple e seu sucessor herda uma batalha que pode definir a próxima década
© YouTube

Ternus fará sua primeira grande aparição pública como CEO no evento de produtos da Apple marcado para 9 de setembro.

Sob o lema “Surprise and Shine”, a expectativa é que a empresa apresente seu primeiro iPhone dobrável e uma nova versão da Siri equipada com recursos avançados de inteligência artificial.

Porém, essas novidades ainda carregam principalmente a assinatura da administração anterior.

Francisco Jerónimo, vice-presidente de Dados e Análises da empresa de pesquisas IDC, explica que os produtos apresentados agora foram planejados durante a gestão de Cook.

Por isso, provavelmente será necessário esperar até 2027 para entender de verdade qual será a estratégia de Ternus.

O evento de setembro poderá representar um marco importante para a Apple em dispositivos dobráveis. Entretanto, ainda será cedo para saber se a troca de comando provocará uma mudança profunda na direção da companhia.

A inteligência artificial virou o maior desafio da Apple

Durante décadas, a Apple construiu uma enorme vantagem ao controlar diferentes partes de seus produtos.

A empresa desenvolve hardware, software e, cada vez mais, seus próprios processadores. Essa integração ajudou a criar produtos como iPhone, iPad, Apple Watch e AirPods.

Com a inteligência artificial, a situação é diferente.

A Apple ainda depende de tecnologias desenvolvidas por outras empresas. E isso coloca a companhia em uma posição incomum.

Em 2024, por exemplo, a empresa fechou um acordo com a OpenAI para integrar o ChatGPT ao iPhone. A relação, no entanto, posteriormente se transformou em uma disputa judicial, com a Apple acusando a companhia de IA de roubar segredos comerciais.

Mais recentemente, a Apple também anunciou uma parceria com o Google. Os modelos Gemini passaram a fazer parte da estratégia para desenvolver os próprios sistemas de inteligência artificial da empresa e uma nova geração da Siri.

Para Jerónimo, essa dependência representa um dos principais problemas que Ternus precisará resolver.

Apple corre o risco de perder relevância

Tim Cook deixa o comando da Apple e seu sucessor herda uma batalha que pode definir a próxima década
© Unsplash

A inteligência artificial deixou de ser apenas mais um recurso de software.

Ela começa a modificar a própria maneira como as pessoas interagem com computadores, celulares e outros dispositivos.

Empresas como OpenAI e Anthropic estão entre as principais responsáveis por essa transformação e podem avançar também para novos tipos de hardware.

Esse cenário representa um risco particularmente grande para a Apple.

Durante décadas, boa parte do sucesso da empresa esteve ligada à capacidade de definir como consumidores interagem com dispositivos tecnológicos.

Se novas categorias de aparelhos baseados em IA substituírem parte das funções atualmente realizadas pelo smartphone, a Apple poderá enfrentar uma transformação semelhante àquela que ela própria provocou quando lançou o iPhone.

Por outro lado, a companhia ainda possui uma vantagem gigantesca: centenas de milhões de usuários já utilizam seus dispositivos e serviços diariamente.

Ternus pode combinar duas eras da Apple

A trajetória profissional de John Ternus ajuda a explicar por que ele foi escolhido para comandar a empresa neste momento.

Engenheiro de formação, ele participou do desenvolvimento de alguns dos produtos mais importantes da Apple, incluindo Apple Watch e AirPods.

Ternus também teve papel central na transição dos computadores Mac para processadores desenvolvidos pela própria companhia, reduzindo a dependência de fornecedores como a Intel.

Essa experiência pode ser especialmente relevante agora.

Se a Apple conseguir desenvolver maior independência em inteligência artificial, poderá aplicar à IA a mesma estratégia de integração que transformou seus chips próprios em uma vantagem competitiva.

Jerónimo acredita que Ternus reúne características associadas aos dois CEOs que marcaram a história recente da empresa.

Steve Jobs representava inovação e disrupção. Tim Cook ficou conhecido principalmente pela capacidade de execução e pela expansão extraordinária dos negócios.

Se John Ternus conseguir combinar essas duas características e, ao mesmo tempo, colocar a Apple novamente na linha de frente da inteligência artificial, a empresa poderá iniciar mais um grande ciclo de crescimento.

Caso contrário, a IA pode se transformar no primeiro grande avanço tecnológico em décadas no qual a Apple corre o risco de deixar de ditar as regras.

 

[ Fonte: DW ]

 

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