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A nova “red flag” das empresas que está fazendo trabalhadores reconsiderarem seus empregos

Um estudo global revela que ferramentas aparentemente banais do ambiente corporativo estão pesando na decisão de permanecer em uma empresa, especialmente entre os trabalhadores mais jovens.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Salário, flexibilidade, benefícios e oportunidades de crescimento costumam dominar qualquer conversa sobre retenção de talentos. Mas um novo fator está ganhando espaço nessa lista. Para uma parcela considerável dos profissionais, chegar ao escritório significa enfrentar equipamentos lentos, conexões problemáticas e minutos desperdiçados simplesmente tentando começar a trabalhar. Uma pesquisa global mostra que essa frustração deixou de ser apenas inconveniente e já pode influenciar uma decisão muito maior: continuar ou não na empresa.

Quase um em cada quatro trabalhadores já considera uma mudança

A nova “red flag” das empresas que está fazendo trabalhadores reconsiderarem seus empregos
© Unsplash

A volta ao escritório não está acontecendo exatamente como muitas organizações imaginavam. E parte do problema pode estar sobre a própria mesa.

Uma pesquisa global promovida pela Logitech em colaboração com a Workplace Intelligence descobriu que 23% dos funcionários consideram seriamente mudar de emprego devido à falta de tecnologia atualizada no ambiente de trabalho. Entre os profissionais da Geração Z, a proporção sobe para 30%.

O levantamento ouviu 600 profissionais de Recursos Humanos e 1.350 trabalhadores e também encontrou uma diferença significativa entre aquilo que os gestores acreditam estar acontecendo e a experiência relatada pelas equipes.

Enquanto 68% dos responsáveis de RH consideram que os funcionários são mais produtivos quando trabalham no escritório, apenas 38% dos trabalhadores concordam.

Essa distância ajuda a explicar por que simplesmente determinar mais dias presenciais pode não produzir o resultado esperado.

Depois de anos de trabalho remoto e híbrido, muitos funcionários passaram a comparar a experiência tecnológica disponível em casa com aquela oferecida pela empresa. Quando retornar significa utilizar equipamentos menos eficientes ou perder tempo resolvendo problemas básicos, o escritório deixa de representar automaticamente um ambiente mais produtivo.

A tecnologia começa a falhar antes mesmo de o trabalho começar

O estudo identificou dois obstáculos particularmente importantes na rotina presencial. O primeiro é justamente a tecnologia.

Cerca de 63% dos trabalhadores afirmam enfrentar problemas técnicos quando vão ao escritório. A lista inclui dificuldades de conexão, equipamentos desatualizados e sistemas de videoconferência pouco confiáveis.

O prejuízo não se limita à irritação.

Mais da metade dos responsáveis de Recursos Humanos reconhece que problemas tecnológicos podem fazer seus funcionários perderem, em média, pelo menos uma hora de produtividade por dia.

Mas existe outro ladrão de tempo escondido na rotina.

Em escritórios que adotaram sistemas flexíveis de mesas compartilhadas, encontrar um lugar disponível e preparar o posto de trabalho pode consumir, em média, 25 minutos por dia. Dependendo da organização do espaço, esse período supera 40 minutos.

Para alguém que trabalha presencialmente três dias por semana, o acúmulo desses pequenos atrasos pode representar quase duas semanas completas de trabalho perdidas ao longo de um ano.

É um número que ajuda a transformar uma inconveniência cotidiana em um problema de produtividade bastante concreto.

Existe até um nome para a frustração de voltar ao escritório

A nova “red flag” das empresas que está fazendo trabalhadores reconsiderarem seus empregos
© Pexels

A Logitech utiliza uma expressão para descrever essa sensação: “Desk Dread”, algo como uma aversão antecipada à mesa de trabalho.

O conceito descreve aquela frustração que começa antes mesmo de o funcionário chegar à empresa. Ele já sabe que precisará procurar uma estação disponível, conectar equipamentos, ajustar configurações e talvez descobrir que a câmera, o monitor ou a videoconferência não funcionam como deveriam.

O problema é que essa experiência pode afetar muito mais do que alguns minutos da jornada.

Quando se repete constantemente, ela interfere no engajamento e pode acabar pesando na retenção de talentos.

Isso também ajuda a entender por que equipamentos corporativos deixaram de ser percebidos simplesmente como infraestrutura.

Para trabalhadores acostumados a realizar grande parte da vida digital com dispositivos rápidos e serviços praticamente instantâneos, enfrentar sistemas lentos no trabalho cria um contraste difícil de ignorar.

A tecnologia disponível passa, assim, a transmitir uma mensagem sobre a própria organização: quanto ela investe nas pessoas, quanto valoriza seu tempo e até que ponto está preparada para novas formas de trabalhar.

O desafio pode não ser trazer as pessoas de volta, mas fazer com que queiram voltar

Uma das principais conclusões apresentadas pelo estudo muda ligeiramente a pergunta sobre o futuro do escritório.

Em vez de discutir apenas quantos dias os funcionários deveriam trabalhar presencialmente, empresas talvez precisem entender o que torna vantajoso sair de casa para trabalhar em um ambiente corporativo.

Tecnologia atualizada é parte dessa resposta, mas não a única.

Espaços capazes de se adaptar a diferentes tipos de atividades, equipamentos confiáveis e processos mais rápidos para localizar e configurar estações de trabalho podem reduzir a fricção diária.

Sistemas inteligentes de reserva de mesas também permitem escolher previamente uma estação considerando localização e equipamentos disponíveis, evitando que os primeiros minutos da jornada sejam desperdiçados procurando onde trabalhar.

A discussão sobre retorno ao escritório, portanto, pode estar ignorando um elemento básico.

Não basta ter mesas, salas de reunião e computadores disponíveis. Para competir com a praticidade conquistada pelo trabalho remoto, o escritório precisa oferecer uma experiência que justifique o deslocamento.

E os números sugerem que existe pouco espaço para negligenciar isso: para quase um quarto dos profissionais pesquisados, trabalhar diariamente com tecnologia ultrapassada já pode ser motivo suficiente para começar a olhar para outra empresa.

[Fonte: HC]

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