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Ciência

Gorduras saudáveis podem ajudar homens com câncer de próstata em estágio inicial, aponta estudo

Trocar parte das gorduras animais e saturadas por opções vegetais, como azeite de oliva, castanhas, sementes e abacate, foi associado a uma menor mortalidade entre homens diagnosticados com câncer de próstata não metastático. O benefício observado esteve relacionado principalmente à saúde cardiovascular.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Não é necessário eliminar completamente a gordura da alimentação. A origem e o tipo dessa gordura podem ser mais importantes, especialmente para pessoas que precisam cuidar da saúde a longo prazo após um diagnóstico de câncer.

Essa é a principal conclusão de uma nova pesquisa conduzida por cientistas da Universidade McGill, no Canadá, e da Escola de Saúde Pública Harvard T.H. Chan, nos Estados Unidos.

Publicado na revista JAMA Network Open, o estudo analisou dados de 4.884 homens diagnosticados com câncer de próstata não metastático. Os participantes foram acompanhados por um período mediano de 12,8 anos.

Os resultados indicam que o tipo de gordura consumida após o diagnóstico pode estar relacionado à expectativa de vida desses pacientes.

Mas existe uma diferença importante: os pesquisadores não descobriram que determinadas gorduras alteram diretamente a mortalidade pelo câncer de próstata. A principal relação encontrada envolveu doenças cardiovasculares e, em menor escala, outros tipos de câncer.

Gorduras animais foram associadas a maior mortalidade

Nem Toda Gordura Faz Mal
© Nicolas Postiglioni – Pexels

Homens diagnosticados com câncer de próstata localizado ou não metastático frequentemente vivem muitos anos depois do diagnóstico.

Por isso, cuidar apenas do tumor não é suficiente. Doenças cardiovasculares e outros tipos de câncer continuam representando riscos importantes ao longo da vida.

Durante o acompanhamento, os pesquisadores observaram que uma maior ingestão de gorduras saturadas e gorduras provenientes de alimentos de origem animal estava associada a uma mortalidade mais elevada por qualquer causa.

Os participantes que consumiam mais gorduras saturadas apresentaram uma taxa de mortalidade 24% maior em comparação com aqueles que consumiam menos.

Em uma estimativa para dez anos, o risco de morte foi de 26,4% no grupo com maior consumo, contra 23,4% entre os homens que ingeriam menos gorduras saturadas.

Isso representa uma diferença de aproximadamente três mortes para cada 100 homens ao longo de uma década.

Segundo Lorelei Mucci, professora de epidemiologia da Harvard Chan School e uma das principais autoras do estudo, os resultados mostram que a alimentação pode representar um fator modificável importante depois do diagnóstico.

A pesquisadora destaca que proteger a saúde cardiovascular é especialmente relevante porque alguns tratamentos contra o câncer de próstata também podem afetar o metabolismo e o sistema cardiovascular.

Trocar a fonte da gordura pode fazer diferença

Os pesquisadores também utilizaram modelos estatísticos para estimar o que aconteceria se os participantes mantivessem aproximadamente a mesma quantidade total de calorias, mas substituíssem determinados tipos de gordura.

Os resultados chamaram atenção.

Trocar cerca de 10% das calorias diárias provenientes de gorduras animais por gorduras vegetais foi associado a uma mortalidade 16% menor por qualquer causa.

Outra substituição apresentou uma associação ainda maior. Trocar aproximadamente 5% das calorias provenientes de gorduras saturadas por gorduras monoinsaturadas foi relacionado a uma taxa de mortalidade 20% menor.

Isso não significa simplesmente retirar gordura da alimentação.

Segundo David P. Labbé, pesquisador da Universidade McGill e coautor principal do trabalho, a mensagem central é justamente que o tipo e a origem da gordura parecem importar.

Substituir parte das gorduras animais e saturadas por alternativas vegetais e insaturadas pode contribuir para a saúde a longo prazo depois de um diagnóstico de câncer de próstata.

Azeite, castanhas, sementes e abacate entram no cardápio

Azeite Extra Virgem
© Fulvio Ciccolo – Unsplash

Na prática, os pesquisadores sugerem mudanças relativamente simples na alimentação, em vez de dietas extremamente restritivas.

Entre as opções estão azeite de oliva, castanhas, sementes, abacate e outros alimentos vegetais ricos em gorduras insaturadas.

Esses alimentos poderiam substituir com maior frequência produtos ricos em gorduras animais ou saturadas.

A estratégia também está alinhada com evidências anteriores que associam padrões alimentares ricos em gorduras vegetais insaturadas a uma melhor saúde cardiovascular.

Para homens que vivem muitos anos depois de um diagnóstico de câncer de próstata, essa proteção pode se tornar particularmente importante.

O estudo não prova que as gorduras saudáveis evitam mortes

Apesar dos resultados, existe uma ressalva fundamental.

O estudo é observacional. Isso significa que os pesquisadores identificaram associações entre a alimentação e a mortalidade, mas não demonstraram uma relação direta de causa e efeito.

Portanto, não é possível afirmar que simplesmente trocar manteiga ou outras gorduras animais por azeite, por exemplo, fará uma pessoa viver mais.

Também não existe recomendação para eliminar completamente alimentos de origem animal ou adotar dietas extremas com base nesses resultados.

Os cientistas pretendem agora investigar alimentos específicos, diferentes tipos de ácidos graxos e padrões alimentares completos. Também querem descobrir se os possíveis benefícios variam dependendo do tratamento recebido pelo paciente.

Por enquanto, o estudo reforça uma mensagem mais ampla: depois de um diagnóstico de câncer de próstata, cuidar da saúde não significa apenas controlar o tumor. O que colocamos no prato também pode ter um papel importante na proteção do coração e da saúde geral ao longo dos anos.

 

[ Fonte: La Voz ]

 

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