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Ciência

O que acontece com o fígado quando você come mel todos os dias?

O mel contém antioxidantes e outros compostos bioativos que despertam interesse por seus possíveis efeitos sobre a saúde. No entanto, apesar de algumas pesquisas sugerirem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, ele continua sendo uma importante fonte de açúcares simples e não deve ser considerado um tratamento para o fígado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O mel é utilizado há milhares de anos como alimento e adoçante natural. Além de glicose e frutose, sua composição inclui pequenas quantidades de vitaminas, minerais e diferentes compostos bioativos.

Entre eles estão substâncias com propriedades antioxidantes, que ajudam a combater processos relacionados ao estresse oxidativo nas células.

Por causa dessas características, pesquisadores investigam se o consumo de mel pode produzir efeitos benéficos sobre diferentes aspectos da saúde, inclusive no metabolismo e no funcionamento do fígado.

Isso não significa, porém, que comer mel diariamente vá “limpar” ou desintoxicar o órgão.

Na verdade, o próprio fígado já desempenha naturalmente um papel fundamental na metabolização e eliminação de diferentes substâncias do organismo.

O mel pode fazer bem ao fígado?

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© Imagem gerada por inteligência artificial – Gizmodo BR

Alguns estudos experimentais e clínicos investigaram possíveis efeitos do mel sobre marcadores relacionados ao estresse oxidativo, inflamação e metabolismo.

O interesse está principalmente em seus compostos fenólicos e outros antioxidantes.

Em teoria, essas substâncias podem ajudar a reduzir danos provocados pelo excesso de radicais livres. Como o estresse oxidativo está envolvido em diferentes doenças metabólicas e hepáticas, pesquisadores tentam entender se o mel poderia exercer algum efeito protetor.

No entanto, as evidências disponíveis ainda não permitem afirmar que consumir mel regularmente previne ou trata doenças do fígado.

Também não existe comprovação de que ele consiga “eliminar toxinas” do órgão.

Por isso, seus possíveis benefícios devem ser considerados dentro do contexto geral da alimentação, e não como uma propriedade medicinal isolada.

O que acontece se você consumir mel todos os dias?

Em pequenas quantidades, o mel pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Ele também pode ser utilizado para substituir outros adoçantes em determinadas preparações. Mas existe um detalhe importante: ser natural não significa que possa ser consumido sem limites.

Grande parte da composição do mel corresponde a açúcares simples.

Por isso, consumir grandes quantidades aumenta a ingestão de açúcar e calorias. Quando isso acontece regularmente e dentro de uma alimentação com excesso energético, pode contribuir para ganho de peso e problemas metabólicos.

Esse ponto é particularmente relevante quando falamos de saúde hepática.

O excesso de calorias e açúcares na alimentação pode favorecer o acúmulo de gordura no fígado, especialmente quando combinado com fatores como excesso de peso e sedentarismo.

Portanto, aumentar deliberadamente o consumo de mel com a intenção de proteger o fígado não é uma estratégia recomendável.

Natural não significa livre de açúcar

Açúcar
© Towfiqu Barbhuiya – Pexels

Uma das principais confusões em torno do mel está na comparação com o açúcar refinado.

O mel possui uma composição mais complexa e contém substâncias que o açúcar comum não oferece em quantidades relevantes, incluindo determinados antioxidantes.

Mesmo assim, metabolicamente, boa parte dele continua sendo formada por açúcares.

Isso significa que trocar uma pequena quantidade de açúcar por mel pode ser uma escolha de preferência alimentar, mas adicionar grandes quantidades de mel à dieta esperando benefícios adicionais pode produzir o efeito contrário.

O mais importante é observar a quantidade total de açúcares consumidos ao longo do dia.

Como consumir mel de maneira equilibrada

O mel pode ser utilizado em pequenas quantidades em iogurtes, frutas, aveia, chás e outras preparações.

Outra possibilidade é combiná-lo com alimentos que oferecem proteínas, fibras ou gorduras insaturadas, criando refeições nutricionalmente mais completas.

Entretanto, nenhuma dessas combinações transforma o mel em um alimento capaz de prevenir sozinho problemas hepáticos.

Para proteger a saúde do fígado, fatores muito mais importantes incluem manter um peso adequado, praticar atividade física regularmente, evitar excesso de calorias e seguir uma alimentação equilibrada.

No caso de pessoas que já apresentam alguma doença hepática, mudanças importantes na alimentação devem ser discutidas com um médico ou nutricionista.

O mel pode perfeitamente fazer parte de uma dieta saudável. Seus antioxidantes e outros compostos bioativos são interessantes e continuam sendo estudados.

Mas a conclusão é menos extraordinária do que algumas manchetes sugerem: comer mel todos os dias não “desintoxica” o fígado. Quando consumido com moderação, ele é simplesmente mais um alimento que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.

 

[ Fonte: El Cronista ]

 

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