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Ciência

Aquele pano velho da cozinha pode secar melhor que um novo e a ciência descobriu o que acontece com suas fibras

Parece estranho preferir um pano gasto a outro recém-comprado, mas existe uma explicação científica. Lavagens, fibras e até tratamentos de fábrica ajudam a resolver esse pequeno mistério doméstico.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Você compra um pano de cozinha novo, macio e impecável, esperando que ele absorva qualquer gota em segundos. Na primeira tentativa, porém, parece apenas empurrar a água pelo prato. Enquanto isso, aquele pano antigo, já desbotado depois de dezenas de lavagens, faz o trabalho perfeitamente. Não é apenas impressão. A ciência dos materiais mostra que o tempo provoca mudanças surpreendentemente úteis na estrutura desses tecidos.

O problema do pano novo pode começar antes de ele chegar à sua casa

Untitled DeAquele pano velho da cozinha pode secar melhor que um novo e a ciência descobriu o que acontece com suas fibras
© Pexels

Panos de cozinha costumam ser produzidos com algodão ou linho, materiais formados por fibras naturais de celulose que possuem afinidade com a água.

Em teoria, portanto, um pano novo deveria absorver perfeitamente a umidade desde o primeiro uso.

Na prática, existe um detalhe escondido.

Durante a fabricação, muitos produtos têxteis recebem tratamentos destinados a melhorar sua aparência e textura nas lojas. Alguns fabricantes utilizam acabamentos à base de silicone, capazes de deixar o tecido mais macio e reduzir a formação de rugas.

O problema é que essas substâncias podem apresentar resistência à água.

Isso cria uma situação curiosa: justamente o tratamento responsável por fazer o pano parecer mais agradável quando está novo pode prejudicar temporariamente uma de suas funções mais importantes.

Por isso, Rebecca Van Amber, especialista em moda e têxteis da Universidade RMIT, recomenda lavar os panos com água quente antes do primeiro uso.

A lavagem ajuda a retirar resíduos desses acabamentos e permite que as características naturais das fibras comecem a aparecer.

Mas eliminar essa camada inicial é apenas a primeira transformação.

Os seis primeiros ciclos de lavagem começam a mudar o tecido

Aquele pano velho da cozinha pode secar melhor que um novo e a ciência descobriu o que acontece com suas fibras
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Durante a fabricação, os tecidos passam por processos que mantêm fios e fibras sob tensão.

Quando começam a ser lavados, eles gradualmente relaxam e tentam retornar a uma configuração mais próxima de sua estrutura natural.

Grande parte dessa transformação ocorre durante aproximadamente os seis primeiros ciclos de lavagem.

O pano pode encolher ligeiramente, mas sua quantidade de material permanece essencialmente a mesma. O resultado é um tecido que pode se tornar um pouco mais espesso e denso.

Dependendo de como foi fabricado, essa transformação pode ser especialmente vantajosa.

Os chamados tecidos em ninho de abelha, por exemplo, possuem uma superfície tridimensional formada por pequenos relevos. Quando as fibras relaxam e o tecido encolhe, essa estrutura pode ficar ainda mais pronunciada.

Isso aumenta a superfície disponível para entrar em contato com a água.

Algo semelhante acontece nas tradicionais toalhas felpudas. Seus inúmeros pequenos laços de fibras criam uma superfície muito maior para capturar e reter umidade.

É por isso que escolher apenas algodão ou linho não garante necessariamente o melhor resultado. A maneira como as fibras são organizadas também faz diferença.

E então começa outra mudança provocada pelo envelhecimento.

O desgaste que parece ruim pode tornar o pano mais eficiente

Depois de dezenas de lavagens, um pano obviamente deixa de parecer novo.

Pequenas fibras começam a se levantar da superfície. O tecido perde parte daquele aspecto perfeitamente uniforme e se torna progressivamente mais áspero.

Visualmente, isso pode parecer simplesmente deterioração.

Para absorver água, entretanto, essa transformação pode ser vantajosa.

Superfícies extremamente lisas podem dificultar a chamada umectação, fazendo com que gotas permaneçam sobre o material em vez de penetrar rapidamente nele.

À medida que a superfície ganha textura e pequenas fibras ficam expostas, aumenta a área disponível para interagir com a água.

Ao mesmo tempo, as sucessivas lavagens continuam removendo resíduos dos tratamentos industriais aplicados originalmente.

O resultado é quase uma inversão daquilo que intuitivamente esperaríamos: um pano que parece estar envelhecendo pode estar entrando justamente em sua fase de melhor desempenho.

Isso também ajuda a explicar por que fenômeno semelhante acontece com toalhas de banho.

Aquele produto extremamente macio que acabou de sair da embalagem nem sempre representa sua máxima capacidade de absorção.

Isso não significa que quanto mais velho, melhor para sempre

Existe, naturalmente, um limite.

O uso contínuo acaba provocando desgaste verdadeiro. Fibras podem romper, o tecido pode ficar fino demais e sua estrutura eventualmente perde eficiência.

Também é importante separar capacidade de absorção de higiene.

Um pano pode secar extremamente bem e, ainda assim, precisar ser lavado regularmente para evitar o acúmulo de sujeira e microrganismos provenientes da cozinha.

A descoberta também não significa que todo pano novo necessariamente funcionará mal.

O material, a estrutura do tecido e os tratamentos utilizados pelo fabricante influenciam bastante o desempenho inicial.

Mas existe uma lição prática simples para aquele pano recém-comprado que parece incapaz de secar um único copo.

Antes de concluir que o produto é ruim, vale colocá-lo para lavar.

Depois de alguns ciclos, ele terá perdido parte dos tratamentos responsáveis pela aparência impecável da loja, suas fibras estarão mais relaxadas e sua superfície começará a mudar.

No fim, aquele pano antigo que todo mundo procura primeiro na gaveta talvez não tenha sobrevivido tantos anos apenas por costume.

Enquanto sua aparência envelhecia, suas fibras estavam silenciosamente aprendendo a fazer melhor justamente o trabalho para o qual ele foi comprado.

[Fonte: La razon]

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