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Ciência

Asteroide passou muito perto da Terra e só foi descoberto 24 horas antes

Com cerca de 10 metros de diâmetro, o 2026 PC6 passou a apenas 14,5 mil quilômetros da superfície terrestre. Astrônomos descartaram qualquer risco de impacto.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um pequeno asteroide passou extremamente perto da Terra sem que os astrônomos soubessem de sua existência até praticamente a última hora. Batizado de 2026 PC6, o objeto cruzou as proximidades do planeta em 12 de agosto, a apenas 14.573 quilômetros da superfície.

A distância tornou o episódio ainda mais impressionante: o asteroide passou muito abaixo da região onde ficam os satélites geoestacionários, que orbitam a aproximadamente 35.786 quilômetros de altitude.

Apesar da proximidade, os cálculos confirmaram que não existia risco de colisão com a Terra.

Asteroide foi encontrado apenas um dia antes

Um asteroide do tamanho de um avião se aproxima da Terra. A NASA monitora sua trajetória a 32 mil km por hora
© Getty Images / Science Photo Library – ANDRZEJ WOJCICKI.

O 2026 PC6 tem aproximadamente 10 metros de diâmetro e foi descoberto em 11 de agosto pelo sistema ATLAS-Teide, instalado no Observatório do Teide, em Tenerife, nas Ilhas Canárias.

Isso significa que os astrônomos detectaram o objeto apenas cerca de 24 horas antes de sua maior aproximação.

Assim que o alerta foi emitido, observatórios de diferentes países começaram a acompanhar o asteroide. Cerca de uma centena de medições foram realizadas para calcular sua trajetória com maior precisão.

Os novos dados permitiram confirmar que o 2026 PC6 passaria pela Terra sem atingir o planeta.

Segundo Javier Licandro, pesquisador do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) e responsável científico pelo ATLAS-Teide, objetos com essas características representam um desafio considerável para os sistemas de observação.

Asteroides pequenos, rápidos e pouco brilhantes podem ser extremamente difíceis de identificar enquanto ainda estão distantes. Em alguns casos, eles só se tornam visíveis quando já estão nas proximidades da Terra.

Ele passou mais perto que os satélites geoestacionários

Os 14.573 quilômetros que separaram o asteroide da superfície terrestre representam menos da metade da altitude utilizada pelos satélites geoestacionários.

Esses equipamentos permanecem a aproximadamente 35,8 mil quilômetros acima do equador para acompanhar a rotação da Terra. Essa órbita é utilizada principalmente por satélites de telecomunicações, meteorologia e transmissão de televisão.

Em escalas astronômicas, portanto, o 2026 PC6 realmente passou raspando pelo planeta.

Ainda assim, proximidade não significa necessariamente perigo.

As observações realizadas depois da descoberta permitiram determinar a trajetória do objeto e eliminar a possibilidade de impacto durante essa passagem.

O que aconteceria se um asteroide de 10 metros atingisse a Terra?

Embora o 2026 PC6 tenha chegado muito perto, seu tamanho também é importante para entender o risco que representaria.

Com cerca de 10 metros de diâmetro, ele não teria capacidade de provocar uma catástrofe global.

Caso entrasse na atmosfera terrestre, um objeto desse tamanho provavelmente começaria a se fragmentar e se desintegrar devido às enormes temperaturas e forças encontradas durante a entrada.

Isso não significa que pequenos asteroides sejam completamente inofensivos. Dependendo da composição, velocidade, ângulo de entrada e local, fragmentos ou uma explosão atmosférica ainda poderiam produzir efeitos locais.

O Instituto de Astrofísica das Canárias classificou o 2026 PC6 como um asteroide próximo da Terra do tipo Apolo, categoria que reúne objetos cujas órbitas podem cruzar a órbita terrestre.

Até agora, não foi divulgado um estudo detalhado sobre a composição do objeto.

O caso mostra um problema da defesa planetária

O episódio chama atenção principalmente porque revela uma limitação importante dos atuais sistemas de defesa planetária.

Filmes costumam imaginar asteroides perigosos sendo descobertos anos antes de uma possível colisão. Na realidade, isso nem sempre acontece.

Objetos maiores e mais brilhantes podem ser acompanhados com bastante antecedência. Os menores, porém, são muito mais difíceis de encontrar.

O ATLAS, sistema financiado pela NASA, faz parte de uma rede internacional criada justamente para identificar objetos que se aproximam da Terra e fornecer, sempre que possível, algum tempo de alerta.

O 2026 PC6 mostra que essa rede funciona, mas também expõe o tamanho do desafio.

A humanidade possui telescópios capazes de encontrar pequenos visitantes cósmicos passando pelas proximidades do planeta. O problema é que, algumas vezes, só conseguimos enxergá-los quando eles praticamente já chegaram.

 

[ Fonte: El Universo ]

 

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