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Ciência

Astrônomos podem ter encontrado uma nova pista para acompanhar colisões que desaparecem em frações de segundo

Astrônomos detectaram uma explosão extremamente breve no espaço profundo, mas o que apareceu logo depois durou muito mais. A combinação pode revelar os primeiros momentos de um objeto extremo.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Algumas das explosões mais violentas do Universo podem terminar antes mesmo de conseguirmos piscar. Foi exatamente o que aconteceu com um evento detectado no ano passado: um intenso clarão de raios gama apareceu e desapareceu em menos de meio segundo. O esperado seria observar seu brilho residual enfraquecendo. Mas um telescópio sensível a outra faixa de energia registrou algo diferente — e essa segunda emissão pode revelar o que nasceu depois da colisão.

O primeiro clarão durou apenas 0,4 segundo, mas a história estava só começando

O evento recebeu a designação EP250704a / GRB 250704B e foi registrado em 4 de julho de 2025 por diferentes observatórios espaciais.

Entre eles estava o Einstein Probe, telescópio lançado em 2024 e projetado especialmente para encontrar fenômenos transitórios em raios X.

Essa capacidade acabou sendo fundamental.

O primeiro sinal foi uma explosão de raios gama com duração aproximada de 0,4 segundo. Eventos tão curtos são frequentemente associados a colisões entre objetos compactos, principalmente fusões de duas estrelas de nêutrons.

Se a observação tivesse terminado ali, o fenômeno poderia parecer relativamente familiar.

Mas imediatamente depois da explosão, o Einstein Probe registrou uma intensa emissão de raios X suaves durante cerca de 560 segundos.

São mais de nove minutos de atividade após um clarão que durou menos de meio segundo.

Essa diferença chamou a atenção porque não se encaixa facilmente na imagem mais simples de uma breve explosão seguida apenas por um brilho residual que desaparece progressivamente.

Astrônomos então direcionaram outros instrumentos para aquela região do céu.

Observações realizadas com o Very Large Telescope (VLT) permitiram medir um desvio para o vermelho de 0,661. Isso significa que a luz observada agora iniciou sua viagem até nós há aproximadamente 6 bilhões de anos.

Ou seja, quando os telescópios registraram a explosão em 2025, estavam observando um acontecimento ocorrido bilhões de anos antes.

A ausência de uma supernova ajudou a eliminar uma das explicações

Os pesquisadores procuraram outro sinal que poderia esclarecer a origem do fenômeno: uma supernova.

Não encontraram nenhuma.

Isso importa porque alguns eventos prolongados de alta energia estão associados ao colapso de estrelas massivas, que normalmente também produz uma supernova luminosa.

A ausência desse sinal, somada à curta explosão inicial, fortaleceu outra possibilidade: o evento teria sido provocado pela fusão de objetos compactos.

Se duas estrelas de nêutrons colidiram, o resultado poderia ter sido diretamente um buraco negro.

Mas existe outra possibilidade.

A fusão pode ter criado temporariamente uma estrela de nêutrons extremamente massiva, girando rapidamente e dotada de um campo magnético colossal: um magnetar.

É aí que os quase dez minutos de raios X ganham importância.

Esse objeto recém-formado poderia continuar liberando grandes quantidades de energia mesmo depois do fim da explosão inicial de raios gama, produzindo a emissão prolongada detectada pelo Einstein Probe.

Os pesquisadores ainda não confirmaram diretamente a existência desse magnetar. A hipótese é uma interpretação considerada promissora para explicar o conjunto de observações.

Ainda assim, o caso pode ser importante por outro motivo: talvez os astrônomos tenham encontrado uma nova maneira de acompanhar fusões de estrelas de nêutrons depois que seu clarão inicial desaparece.

Esses dez minutos extras podem ajudar a encontrar algumas das colisões mais violentas do Universo

Explosões curtas de raios gama já são uma das principais ferramentas utilizadas para localizar possíveis fusões de estrelas de nêutrons.

O problema é evidente: elas podem durar apenas frações de segundo.

Se emissões prolongadas de raios X como a observada em EP250704a estiverem realmente relacionadas a essas colisões, os astrônomos ganhariam uma segunda assinatura muito mais duradoura.

Isso é especialmente relevante para a astronomia de ondas gravitacionais.

Quando estrelas de nêutrons colidem, elas provocam ondulações no próprio espaço-tempo. Detectores na Terra podem registrar essas ondas e alertar telescópios para procurar luz proveniente do mesmo acontecimento.

Combinar ondas gravitacionais, raios gama e uma emissão de raios X que permanece durante vários minutos permitiria reconstruir com muito mais detalhes aquilo que acontece imediatamente depois da colisão.

E é justamente aí que o misterioso brilho observado durante quase dez minutos pode se tornar especialmente valioso.

O clarão inicial revelou que alguma coisa extremamente violenta aconteceu. A emissão posterior pode estar contando uma parte ainda mais interessante da história: o que conseguiu sobreviver — ou nascer — nos primeiros minutos depois da explosão.

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