A camada de ozônio, localizada a cerca de 25 quilômetros de altura na atmosfera e responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol, começa a mostrar sinais consistentes de recuperação. A informação foi confirmada por especialistas no Dia Mundial do Ozono, comemorado neste ano com o lema “Da ciência à ação global”.
Tendência positiva após décadas de crise

De acordo com o cientista Alberto Redondas, do Observatório Atmosférico de Izaña (Aemet, Tenerife), a camada de ozônio está “em processo de recuperação”, embora a expectativa seja que apenas em cerca de 50 anos volte aos níveis registrados antes de 1980.
A oscilação anual continua sendo significativa: em 2023, o buraco sobre a Antártida foi um dos maiores já observados, enquanto em 2024 apresentou um dos menores, sinalizando uma recuperação gradual. Já em 2025, os valores estão próximos da média histórica.
A importância do Protocolo de Montreal
O avanço não seria possível sem o Protocolo de Montreal, tratado assinado há quase quatro décadas que proibiu o uso dos clorofluorocarbonos (CFCs). Esses gases, usados em refrigeradores, aerossóis e até sistemas de combate a incêndios, eram os principais responsáveis pela destruição do ozônio ao reagirem diretamente com suas moléculas.
Para Redondas, esse tratado é um marco nos acordos ambientais internacionais e prova de que a ação coordenada da comunidade global pode enfrentar até problemas que, no passado, pareciam incontroláveis.
Ameaças ainda persistem

Apesar dos avanços, a batalha pela preservação da camada de ozônio não está vencida. Os cientistas alertam para fatores que ainda podem comprometer a recuperação:
- Erupções vulcânicas de grande porte;
- Incêndios florestais massivos, que liberam partículas e gases nocivos;
- Entrada de lixo espacial na atmosfera, cada vez mais frequente;
- Emissões ilegais de substâncias proibidas, como as detectadas na China entre 2013 e 2018;
- Compostos não regulados que continuam a ter efeito destrutivo.
Segundo Redondas, a recuperação completa levará décadas justamente porque muitos desses gases permanecem ativos na atmosfera por longos períodos.
Por que o ozônio é vital
A camada de ozônio não é apenas um detalhe da atmosfera: ela é essencial para a vida na Terra. Ao absorver a radiação ultravioleta do Sol, impede danos diretos ao DNA dos seres vivos. Sem essa barreira natural, a vida não teria conseguido evoluir além dos oceanos para colonizar a terra firme.
“Literalmente estamos vivos graças a ela”, destaca Redondas. “Foi a proteção do ozônio que permitiu o desenvolvimento dos ecossistemas como os conhecemos hoje.”
Da ciência à ação global
O caso da camada de ozônio se tornou exemplo emblemático de como a ciência pode orientar políticas públicas eficazes. A mobilização internacional conseguiu frear o uso de substâncias destrutivas e abriu espaço para soluções tecnológicas alternativas.
Ainda assim, os especialistas lembram que a vigilância constante é indispensável. A cada ano, novos fatores de risco podem surgir, exigindo atualização das políticas ambientais e manutenção do compromisso internacional.
Um futuro mais protegido
Se as atuais tendências forem mantidas, a expectativa é de que em meados do século XXI a camada de ozônio esteja próxima de sua recuperação total. Até lá, o planeta viverá com altos e baixos — alguns anos de buraco maior, outros de retração mais expressiva —, mas sempre dentro de um cenário de melhora gradual.
O que parecia impossível nos anos 1980 hoje é uma história de sucesso da cooperação global. A recuperação da camada de ozônio mostra que, diante de ameaças planetárias, ciência, ação política e mobilização internacional podem fazer a diferença.
A camada de ozônio apresenta sinais claros de recuperação após décadas de deterioração. Embora leve cerca de 50 anos para voltar aos níveis de 1980, especialistas apontam que o Protocolo de Montreal foi decisivo para essa conquista. A experiência reforça a importância da ciência e da cooperação internacional na proteção ambiental.
[ Fonte: Canal26 ]