O alerta: aquecimento acima da média global
Segundo o pesquisador, o Brasil pode enfrentar aumento de temperatura entre 3°C e 6°C até 2100, superando as projeções globais. Isso significa impactos diretos em água, fauna, flora, economia e na rotina de milhões de brasileiros.
Adalberto Val destaca que os biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampas — sustentam funções ecológicas e socioeconômicas essenciais. Eles regulam chuvas, influenciam o clima da América do Sul e mantêm serviços ambientais que garantem agricultura, energia e abastecimento. Mas todos estão sob forte pressão climática e correm risco de perder biodiversidade e entrar em colapso ecológico.
Amazônia: a linha de frente do colapso

A Amazônia vive hoje um dos cenários mais críticos. O biólogo alerta para:
- aumento da mortalidade de árvores
- incêndios mais frequentes e intensos
- queda no volume de vegetação
- secas extremas como as de 2023 e 2024
O calor das águas amazônicas também preocupa. O aquecimento provoca redução do pH e diminui o oxigênio dissolvido, matando milhares de peixes — um impacto direto na segurança alimentar de comunidades ribeirinhas.
Cerrado: o berço das águas sob ameaça
Considerado o “caixa d’água do Brasil”, o Cerrado deve enfrentar secas prolongadas e perda acelerada de biodiversidade. Segundo Val, até 35% das espécies vegetais do bioma podem desaparecer regionalmente até meados do século XXI.
Essas mudanças atingem a regeneração natural, a polinização e o funcionamento dos aquíferos — afetando rios que abastecem boa parte do país.
Mata Atlântica: o bioma mais devastado sente ainda mais
A Mata Atlântica já perdeu 80% de sua cobertura original e pode encarar novo golpe: das 1,3 mil espécies registradas, 31% correm risco de extinção com o avanço das mudanças climáticas. Um bioma já fragmentado se torna ainda mais vulnerável.
Pantanal e Caatinga: extremos cada vez mais extremos
O Pantanal enfrenta:
- secas severas
- megaincêndios
- perda acelerada de habitats aquáticos e terrestres
A Caatinga, por sua vez, é descrita como um dos biomas mais vulneráveis, unindo fragilidade ambiental e desigualdade socioeconômica. O aumento de temperatura e a instabilidade das chuvas elevam o risco de desertificação.
Pampas: ciclones e chuvas mais intensas
No extremo sul, os Pampas devem lidar com aumento de até 12% na precipitação e maior frequência de ciclones. O resultado? Um ciclo perigoso de enchentes, inundações e secas prolongadas — fenômenos que já estão se tornando mais comuns no Rio Grande do Sul.
Há soluções — mas é preciso agir agora
Apesar do cenário alarmante, Adalberto Val defende que ainda há alternativas. Ele cita as soluções baseadas na ciência, que incluem:
- restauração ambiental
- políticas robustas de adaptação
- integração de dados climáticos
- fortalecimento da governança ambiental
- mobilização rápida de recursos
A mensagem é clara: o Brasil precisa repensar instituições, fortalecer políticas públicas e tratar a crise climática como prioridade absoluta.
A decisão é agora — e o futuro depende dela
O alerta dos especialistas mostra que o país está diante de um ponto decisivo. As mudanças climáticas não são previsões distantes: já moldam o cotidiano, a economia e o meio ambiente. Enfrentar o aquecimento depende de escolhas feitas agora — e ignorá-lo pode custar caro demais.
Se queremos um Brasil habitável em 2100, a ciência já deixou o recado: é hora de agir, não de esperar.
[Fonte: Correio Braziliense]